Tenho refletido bastante acerca da dificuldade que nós, seres humanos, temos de nos deparar com as limitações que a vida nos impõe. Sem dúvida, encarar as coisas enxergando logo de cara as limitações que elas tem, não é fácil! Não questiono o fato, de que é bem mais afável, olharmos para as possibilidades em primeiro lugar. É mais otimista e leve. Faz com que sejamos mais benevolentes com a vida. Ela se torna mais bonita e esperançosa. Contudo, mais cedo ou mais tarde, teremos de nos deparar com as limitações, que essas mesmas coisas também possuem. Tudo na vida tem dois lados, um repleto de possibilidades, qualidades, bondades; e outro, com limitações, defeitos, maldades. E faz parte do processo de viver, ter de dar conta dos dois lados. O lado positivo, nos faz olhar para frente, para um horizonte cheio de aberturas. O lado negativo, nos impõe os limites que nos obrigam a refletir sobre a realidade e nossa implicação com ela. Dentro deste cenário, existem os que são chamados de otimistas, aqueles que preferem lidar primeiro com o lado positivo, para depois tratar do lado negativo. E existem aqueles, chamados de pessimistas, que primeiro se ocupam do lado negativo, para mais tarde se ocuparem com o lado positivo. Ambas as formas de viver são válidas, pois cada uma a sua maneira, encaram os dois lados da mesma moeda que é a vida. Os chamados otimistas, alegam que é melhor lidar primeiro com o lado positivo, assim se fortalecem para depois encararem o lado negativo, que desgasta mais. Os chamados pessimistas, ressaltam que é preferível logo se deparar com o lado negativo, para depois relaxar ao se encontrar com o lado positivo, que dá um alento a realidade que foi duramente marcada pelo embate anterior. Na prática, ambos lidam com os dois lados, ambos "fazem seus deveres de casa". Mas, existe um certo número de pessoas, número este, que a cada dia cresce mais, que só quer lidar com o lado positivo. É óbvio, que seria ótimo se pudéssemos fazer isso! Encarar apenas, e tão somente, as coisas boas e afáveis. Ver apenas as qualidades e possibilidades das coisas. Deixar de lado os defeitos e limitações. Ignorar as impossibilidades ou nossos erros. Mas, será que isso é possível? A vida seria muito mais fácil, se assim fosse. No entanto, sabemos que não nos é dada essa possibilidades. Faz parte do viver lidar com os dois lados! Então, devemos perguntar: como eles conseguem? Bem, a resposta é simples: eles não conseguem! Por mais que tentem, em algum momento terão de se deparar com o lado negativo! Ficam apenas, postergando esse momento, tentando driblar a vida, tentando alcançar o impossível! Quase sempre, essas manobras acabam por trazer mais dor, sofrimento e limitações à essas pessoas, do que se tivessem encarado esse lado no momento adequado. O golpe de mestre se desfaz, o castelo de areia é levado pelo mar, e a realidade de impõe, de forma dura e implacável. Resumo da ópera: fingir que as limitações e problemas da vida não existem, não adianta nada. Isso só complica o que poderia ser mais simples. Nos coloca frente a limites ainda mais duros e difíceis de se encarar. Por outro lado, ao nos depararmos com o lado negativo das coisas, mostramos uma capacidade de enfrentar as adversidades, de resolver problemas, de nos responsabilizar por nossas escolhas. Essa parte dolorosa, se assim enfrentada, nos faz crescer e amadurecer. Nos garante flexibilidade e plasticidade psíquica, que com certeza nos encaminhará para uma nova gama de possilidades bem maior, de sucesso e realização! Valéria Macedo.
Bem Vindos ao Armazém Psicanalítico! Armazém, uma vez que este blog se propõe a ser um espaço que disponibiliza elementos de fácil entendimento para a reflexão da vida cotidiana,como em um armazém onde encontramos de tudo um pouco de forma rápida e simples. Psicanalítico, uma vez que também se vale desta fonte teórica como matéria prima para a elaboração dos elemento simbólicos à disposição para as trocas criativas que espero que este espaço fomente! Sintam-se à vontade!
domingo, 13 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
" A Psique e o Destino!"
Tenho sido constantemente, no âmbito profissional e pessoal, indagada acerca do "destino". Bem, uma vez que sou psicanalista, parece que todos acreditam que tenho uma explicação geral para fornecer sobre diversas situações, que esses indivíduos atribuem à "obra do destino". Isso tem sido tão frequente e intenso, e ao mesmo tempo, tão refratário a qualquer interpretação psicanalítica, que tende a buscar a implicação daquele indivíduo específico ao evento, que resolvi escrever um post sobre o tema! A maioria desses sujeitos, relata circunstâncias onde se vêem lutando para alcançar um determinado objetivo, mas sempre sendo derrotados por essa força maior que denominam de "destino". Na grande maioria dos casos, os relatos se concentram em batalhas pessoais que cada um quer conquistar, para poder ascender à uma situação diferenciada. Os temas são os mais variados possíveis, desde o profissional, passando pelo relacional, chegando em aspectos individuais. É como se as pessoas se sentissem "nadando contra a maré". Por um lado estabelecem objetivos e parecem empreender esforços para alcançá-los, mas por outro, é como se sentissem que por mais força e empenho que tenham, "há algo mais forte" que impede que eles cheguem à termo. Quase sempre, essas pessoas nominam essa "força maior" de destino, e vêem em busca de uma explicação que dê conta do porquê essa suposta força se opõe à seus intuitos! De modo geral, podemos questionar uma série de coisas que poderiam colocar em xeque essa "verdadeira intenção" do indivíduo em questão: será que ele realmente estabeleceu uma meta à alcançar? Será que essa meta é tangível? Será que os meios utilizados pelo sujeito são adequados para empreender sua jornada? Todas essas questões se relacionam ao sujeito, seu desejo, seu mecanismo de funcionamento mental, sua expectativa inconsciente. Mas parece que esses possíveis caminhos explicativos são incomodos, e as pessoas parecem preferir atribuir o fracasso ao "suposto destino". Este não pode reclamar se for responsabilizado por alguma coisa de forma injusta! As explicações individuais demandam responsabilidades, implicações, esforço, sofrimento. Já o "malfadado destino", este não discute sua culpa e acaba por colocar um ponto final no assunto! Não existe como questionar o "destino"! Desta forma, as pessoas vão se cristalizando em jeitos mal equacionados de funcionar, de lidar com as questões da vida, e assim, vão permanecendo na errância e atribuindo responsabilidade ao "pobre coitado destino"! Pena, pois se tivesse força para enfrentar suas limitações, seus mecanismos neuróticos, suas próprias sabotagens, poderiam, aí sim, "mudar seu próprio destino"! Valéria Macedo
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
" O aprender, o comemorar, o relacionar!"
Já disse aqui, que estava às voltas com um trabalho de final de ano, de um curso que estava fazendo. Em decorrência disto, fiquei retirada de muitas atividades cotidianas, uma vez que este trabalho tinha prioridade. Cheguei até mesmo a postar, sobre o assunto do qual tratava nesse trabalho. Bem, o trabalho foi finalizado, entregue e será discutido nas próximas semanas, dando início a época de avaliação e encerramento do 1º ano do curso. Esse momento é sempre muito aguardado pela turma toda, que sem dúvida quer ter um bom feedback a cerca de suas produções. Muitos ficam ansiosos, seus narcisismos serão colocados à prova. Ser avaliado é sempre sentido de modo angustiado, questões primitivas são acionadas: será que irão gostar do que escrevi? vou ser criticado? vou me deparar com alguma dificuldade? Inúmeras são as questões suscitadas neste momento! Contudo, penso que mais importante do que toda a angústia que é mobilizada nos alunos nestas ocasiões, deve ser a postura do professor que lerá o trabalho. Por um lado, é seu dever questionar, avaliar e colocar as dúvidas que surgiram com a leitura. Mas por outro, é também sua função saber debater esses pontos de forma respeitosa e aberta às diferenças. A aprendizagem só acontece a partir da generosidade! Sem a abertura para a discussão, para a possibilidade de se conviver com as diferenças, o processo fica comprometido. Mas, quando isso é possível, também se torna possível o aprender, o ampliar, o aprofundar. E acima de tudo, abre-se a chance do se relacionar. Relacionar-se com o conhecimento velho e o novo, relacionar-se com os novos pares que encontrou pelo caminho. Cria-se o espaço para o crescimento mútuo, mestre e aluno. Um relacionamento de troca genuína se estabelece. A partir daí, muito crescimento se desencadeia, muita aprendizagem se solidifica, e é possível se perceber que novas relações foram criadas! Chega-se ao fim da jornada letiva, e é então necessário comemorar! Celebrar as novas amizades, o progresso alcançado, a riqueza da troca realizada! Boa jornada, belo caminho! Mais uma etapa cumprida! Valéria Macedo
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
"Bom Dia, Desamparo Nosso de Cada Dia!"
Esta semana, todos fomos assolados, pelo apagão de energia que tomou conta de 10 estados brasileiros! De repente, faltou luz! Até aí, um evento normal, que de tempos em tempos ocorre. Mas, a luz começa a demorar para voltar, em todo lugar parece não haver energia. E conforme o tempo vai passando, vamos dando conta de que é um black-out geral, mais que isso, é um apagão de proporções nacionais! Como o evento se iniciou depois das 10h da noite, a grande maioria das pessoas, já estava em casa. Contudo, isso não resolveu o problema, pois muitos dos que trabalham ou estudam à noite, ainda estavam na rua, e iriam ter de enfrentar o dilema da volta para casa sem a "segurança" que a luz parece dar. Mais que isso, todos começamos a nos preocupar de quando e como a energia voltará. Perderemos algo com a demora? No retorno da energia, haverão muitos problemas? Muitos vão demorar para chegar em casa, outros ficarão preocupados com os que ainda não chegaram, e outros tantos irão se deparar com os resultados produzidos pelo apagão no dia seguinte: aparelhos queimados, prejuízos individuais e públicos. Mas, certamente a angústia que assolou à todos durante essa noite, foi a angústia de desamparo. Aquela sensação angustiante de estar impotente frente ao imponderável! Aquela que nos faz pensar sobre muitas coisas que são da ordem da essência do humano: como somos pequenos frente à natureza, frente ao tecnológico, frente a perspectiva de vida e morte! Quando somos lançados à situações desta magnitude, somos forçados a nos confrontar com nosso próprio desamparo. Desamparo que vem de nossa própria natureza humana, pois somos finitos, frágeis e muitas vezes impotentes frente a situações maiores. Nos enganamos, todos os dias, acreditando que seremos capazes de controlar nossas vidas, nosso destino, nossa realidade! Que tolice! Falsa ilusão, que nos ajuda a conviver com esse desamparo essencial, companheiro nosso de todos os dias! Construímos fantasias onipotentes para espantar essa angústia primordial, para podermos todos os dias, abrir os olhos e começar mais uma rotina diária. Contudo, em dias como esse, em que a força maior, para além de nosso pequeno controle, nos impõe o imponderável, nos damos conta desse companheiro que fingimos não ver. Somos tomados por essa angústia sufocante, porém também nos confrontamos com uma bela oportunidade de elaborar nossa condição humana, que nos coloca desamparados frente ao fundamento da vida e da morte. Uma boa oportunidade de dar o devido valor ao que é mesmo importante. Uma oportunidade de dar "bom dia ao nosso desamparo fundamental". Uma chance de lidar melhor com nossas impossibilidades, de levar em conta nossos limites, e aprender a manejar melhor nossas fragilidades! Valéria Macedo
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
" Encontros ou Desencontros? Quando o Narcisismo Negativo Impera!"
Tenho postado pouco ultimamente! Final de ano, correria, tempo curto e especialmente tomado, por um trabalho que devo entregar, até o meado de novembro, para um curso que faço sobre "Psicopatologia Psicanalítica e a Clínica Contemporânea". Dentre muitos assuntos que vimos ao longo do ano, deveria escolher um deles, para desenvolver meu trabalho final. A Clínica Contemporânea é bastante fascinante, uma vez que, uma grande variedade de funcionamentos psíquicos se apresentam na rotina clínica de todos os psicanalistas. Os clássicos diagnósticos, que foram tão bem estudados por Freud e seus discípulos, já não necessariamente, se aplicam em todos os casos nos dias atuais. Muitas vezes, nos deparamos com inúmeros casos mistos, onde diversos mecanismos psíquicos estão em atividade, de forma simultânea. Também observamos, novas configurações, psiquismos operando de maneira bem diferente dos clássicos formatos. É sobre essa região, que estudamos e que devo escrever meu trabalho. Depois de muito ler, pesquisar, refletir, decidi me aprofundar nos funcionamentos narcísicos, é um assunto que me interessa, e, se apresenta cada dia com maior frequência em minha clínica. Mais especificamente, tentei me aprofundar, em como as relações afetivas são atingidas por esse tipo de funcionamento. A primeira coisa que observei, foi o quanto os indivíduos que operam nessa zona, apresentam, uma grande dificuldade em estabelecer relações com o outro. Isto é, sujeitos que ficaram aprisionados em modos narcísicos de funcionamento mental, tendem a sempre enxergar no outro, a imagem deles próprios. Muitas vezes, são indivíduos centrados neles mesmos, a formação de seus egos foi como que"perturbada". Ao invés, do ego caminhar na direção de se tornar um sujeito, por defesa, caminhou rumo ao "narcisismo". O que se desenvolve a partir daí, é um ego ideal, que se toma como perfeito, pleno, poderoso, uma verdadeira Deidade, absoluta e totalizante. Com um ego assim, é muito difícil poder enxergar o outro, dar-lhe um lugar de existência. Para isso, seria necessário reconhecer suas próprias limitações e defeitos, mas esses seres que se acham magníficos, são incapazes de lidar com tamanha frustração! Resultado dessa conjuntura de coisas: estão condenados ao encapsulamento, ao retraimento! Mas, não confundam, quando falo encapsulamento, não estou querendo dizer, que esses indivíduos estão fechados em suas casas, sem conseguir se incorporar na malha social. Pelo contrário, estão inseridos nessa malha, porém, de forma inadequada. São aqueles, que aos olhos dos "outros", são exuberantes, vendem a beleza, a perfeição, a eficiência, como seus atributos. Aos tolos desavisados, presas fáceis dessa ilusão narcísica, a isca está lançada! Vão acreditando que irão ter um encontro magnífico, com este "ser superior", mas acabam por desembocar no mais trágico desencontro afetivo de suas vidas! O que era beleza, perfeição, vai se apresentando como uma fantasia de um alguém, que não lida com frustração, e por isso, não consegue enxergar seus defeitos. A esperança de encontro afetivo se desfaz, e sobra a solidão do desencontro que lhe nega sua existência. A impossibilidade reina soberana, e o pobre "outro", mortal comum, percebe que nunca foi realmente enxergado. "O que narciso vê é só seu espelho!" O que este "outro" tem a sua frente é um ser, tomado pelo narcisismo negativo, aquele que impede a ligação, a troca, a vida. Que busca apenas, o desligar, o desconectar, o negar a existência do eu e do outro. Fim da estória, fim da expectativa de conexão pelo amor. Resta ao "outro", se entristecer, chorar a perda do que nunca teve, e partir para outra. E, quem sabe, levando consigo o aprendizado do trágico encontro/desencontro com um ser chamado "Narciso"! Valéria Macedo
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
"A Psicanálise e a Saia Justa"
Já disse que sou uma apreciadora da programação da tv paga, e não pelo fato dela "ser paga", mas em grande parte pelo fato da programação da tv aberta ter se empobrecido demais nos últimos anos. Na tv aberta, os únicos programas que ainda mantém uma preocupação com a qualidade são os telejornais e as telenovelas. Já na tv paga, grande parte de sua programação tem um grau mais alto de qualidade, formada por programas mais preocupados com o entretenimento, conciliado com um grau de reflexão que leva o telespectador a pensar. Dentre alguns desses programas, em minha opinião, se encontra o "Saia Justa" do canal GNT, que reúne quatro mulheres (Mônica Waldvogel, Maitê Proença, Betty Lago, Márcia Tiburi) que toda semana exploram temas variados, sempre com um olhar feminino, e sempre relacionados a situações de "saia justa". Desde que existe (2002), já teve outras formações, sendo que Mônica Waldvogel se mantém, uma vez que é a âncora. Mas, desde 2005 esse grupo se formou e se estabilizou. De uma certa forma, eu que acompanho o programa desde seu início, acho que deste modo ele gradualmente entrou numa fase monótona, uma vez sem as mudanças de participantes, que traziam sempre uma nova visão para o programa rompendo com a homeostase que estava estabelecida, as opiniões se mantiveram num mesmo padrão de raciocínio. Assim os temas, mesmo que se modificando, geraram discussões que tenderam a ficar numa mesma zona, uma vez que a visão das participantes já estava bem explicitada para o público. Acredito que o programa tinha mais dinâmica no tempo que a troca de elemento do grupo era mais frequente. Mas, até aí, pode ser uma nova perspectiva do programa, escolha da direção! Contudo o que vem me inquietando é uma particularidade que tenho observado. As quatro "saias", como são chamadas pelo público, dizem ser analisadas e em decorrência disto, questões analíticas sempre estão em pauta! Pelas observações que fazem, devem ter feito análise ferudianas ou lacanianas, e encerrado seus processos há muito tempo. Mas, mesmo sem serem profissionais, ou estarem em análise na atualidade, vivem dando sua "interpretações analíticas", diga-se de passagem bastante desatualizadas e tentenciosas, como se estas fossem "análises profissionais, atuais e imparciais". Acho que uma das funções da tv seja popularizar o conhecimento científico, levá-lo ao público leigo para com que este possa se familiarizar com assuntos que são mais acadêmicos, mas sem dúvida dentro de certos parâmetros. Uma coisa é facilitar o discursso científico, outra é banaliza-ló, ridicularizá-lo, empobrecê-lo! E acho, que em parte, é um pouco o que elas tem feito. Resultado, ao invés de aproximar o público leigo do discurso acadêmico, retirando os estereótipos, o que acontece é o contrário, um afastamento pela banalização. Especialmente, neste último programa foi o que aconteceu. Dedicaram um bloco do programa para falar de psicanálise e terapia cognitiva, especialmente sobre tratamentos que visam elaborar as causas ou tratamentos que visam suprimir os sintomas. Entrevistaram um psicanalista e uma terapeuta cognitiva, para que pudessem expor seus argumento de forma clara, e aí vem a pior parte, elas começam a dar suas opiniões. Todas tendenciosas, Mônica ressaltando como "já não faria mais análise, pois análise não vai fazer você ser diferente de quem você é", Betty levantando a questão do tempo, " não faria , pois ter de ir 3 vezes por semana não dá", Maitê dizendo que " só se for um analista que num dia de angústia dê uma levantada na autoestima, para depois continuar com esse negócio de papai e mamãe" e Márcia, a menos parcial e que talvés tenha feito mesmo análise lacaniana, dizendo que "o que a análise fez de melhor por mim foi me fazer saber me responsabilizar, saber que as coisas da minha vida, em grande parte, são de minha responsabilidade e não dos outros". Fiquei bastante indignada, um programa que sempre teve um nível razoavelmente elevado, de repente se transformou num chá da tarde, onde quatro mulheres fofocavam a respeito de suas "supostas análises"! E o pior, depois de exibir entrevistas de dois profissionais que expunham de forma adequada suas questões. Fiquei pensando, o que será que houve? Identificações projetivas maciças? Mas as quatro? E ao mesmo tempo? E justo com um assunto que elas dizem gostar e defender tanto! Mas o pior estava por vir, quando Mônica pergunta as outras se "a análise vai mudar de verdade alguém"? e Márcia responde com toda certeza do mundo que não, que "análise, como já disse Lacan, é só para gente inteligente, gente canalha, e o canalha é burro, não pode, não consegue fazer análise"! Nesta hora fiquei pasma, como pessoas que se "dizem analisadas e inteligentes" podem dizer isso? Não sei de que análise elas falam, nem se fizeram análise mesmo ou não, mas com certeza o que elas sabem sobre psicanálise é bastante equivocado, falam de um esteriótipo de psicanálise, de uma caricatura jurássica que com certeza não é o que é praticado nos consultórios dos psicanalistas contemporâneo sérios de hoje em dia! Se isso foi o que elas fizeram em suas análise, que pena! Saias procurem analistas sérios e bem formados, pois o que fizeram não foi psicanálise! Valéria Macedo
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
" Trair ou não Trair, eis a Questão"?!!

A questão da traição é um dos dilemas mais antigos da humanidade. Desde que o processo de evolução nos trouxe para esta forma racional, nos diferenciando de nossos parentes primatas irracionais, nos embatemos com esse conflito! Na dimensão dos seres irracionais, poucos são os animais que estabelecem relações monogâmicas, onde a fidelidade está presente. Na grande maioria das espécies, a troca de parceiros é algo marcado pelo instinto,uma vez que ele comanda a procura do sexo visando a transmissão dos genes, e a busca das melhores combinações dos mesmos. Na perspectiva da Evolução das Espécies, o que vale é a busca pela perpetuação dos melhores e mais fortes genes, e para tanto, quanto mais parceiros os indivíduos tiverem, mais chances terão de conseguir alcançar esse objetivo. Contudo, a racionalidade traz ao ser humano a possibilidade de refletir sobre essa questão, e com esta ele chega a conclusão que é capaz de fazer mais do que transmitir seus genes através de relacionamentos sexuais, percebe que é capaz de ter prazer com ela, e mais, que não necessariamente precisa ter filhos como decorrência delas! Estas novas descobertas mudam a dinâmica dos relacionamentos sexuais na espécie humana, o foco deixa de ser a transmissão dos genes, e passa a ser a busca do prazer! Só que com o advento da racionalidade, o mesmo que libertou o ser humano de ter que buscar sexo para transmitir seus genes, e o colocou na dimensão do sexo pelo prazer, também o trouxe para o âmbito dos relacionamentos afetivos. Agora, quando quisesse ter filhos, se quisesse saber quem era filho de quem, deveria formar par monogâmico. Aí começa a complicação! O sexo pela transmissão de genes ou pela busca de prazer, são por essência poligâmicos, mas essas questões afetivas, como formação de famílias, são monogâmicas! Resultado disso, uma coisa concorre contra a outra! E é o que vemos pela estória da humanidade a fora. Um eterno conflito, onde o ser humano luta constantemente entre o desejo e a busca pelo prazer, e a manutenção do afeto, das relações familiares. Neste ponto os nobres interlocutores poderiam me interpelar, mas será que não é possível conciliar as duas coisas juntas? E certamente lhes respondo, essa é a eterna tentativa do ser humano! O problema é que o desejo e o prazer, na maioria das vezes, se deslocam em busca de nuances, variações que transformem o objeto do desejo em algo "supostamente misterioso, novo, diferente", mesmo que depois de o conhecer melhor se perceba que ele era exatamente igual ao antigo! A psique, quase sempre, precisa se iludir, se enganar, produzir miragens que tornem o objeto com cara de desconhecido. E as vezes isso é mais fácil de se fazer com um alguém concreto, objeto dessas projeções psíquicas, que seja diferente do objeto conhecido! Como resultado disso, o ser humano fica tentado a trair, enganar, burlar o acordo estabelecido, afinal ele não quer perder nada. Quer o quente e afetivo do velho conhecido, do que sempre esteve lá e lhe dá segurança, mas também quer essa miragem que lhe provoca os sentidos, que lhe aguça o desejo, que lhe promete um prazer nunca antes alcançado! Doce ilusão! Na maioria das vezes é o começo do desastre, como diz o ditado: "quem tudo quer, nada tem"! E assim vemos, ao longo da estória da humanidade os eternos encontros e desencontros afetivos. Indivíduos buscando prazer, que mais cedo ou mais tarde acabam encontrando o desprazer, o sofrimento, a infelicidade. Há pobres humanos, se soubesse que esse conflito sempre é um canto de sereia que em última instância se transforma num monstro do mar que os devorará, poderiam fazer como Ulisses, personagem mitico, que se amarrou no mastro de seu naviou para resistir a tentação! Valéria Macedo
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
" O dia que o Brasil virou gente grande"
Hoje assiste um evento extremamente interessante, a escolha da cidade que receberá as Olimpíadas de 2016. Como todos já sabem, a cidade do Rio de Janeiro foi a escolhida! E aí que começa o verdadeiro evento interessante. Receber uma Olimpíada, sem dúvida é muito bacana. Nessas situações sempre estamos envolvidos emocionalmente, sempre desejamos receber uma honra como esta. Contudo, o fato em si contém uma novidade. E a novidade não é o fato de sediarmos um grande evento esportivo. Com certeza nunca sediamos um evento do porte de uma Olimpíada, mas já recebemos os jogos Panamericanos e vamos receber de novo a Copa do Mundo em 2014. Assim o que tem de novo é menos o evento em si e mais o significado que ele traz junto de si. Hoje assisti, e diga-se de passagem pela primeira vez, o Brasil se posicionar no cenário internacional de forma séria e profissional. Assisti uma apresentação feita com seriedade e profissionalismo, que reconhecia as deficiências da cidade, mas também ressaltava de forma verdadeira e concisa, as qualidades e facilidades da mesma. Assisti um grupo de grandes atletas brasileiro empenhados em nome desta candidatura. Assisti um discurso do Presidente Lula que foi digno de um Chefe de Estado. Defendeu o Rio de Janeiro de modo emotivo e entusiasmado como é sua característica, mas também se comprometeu, como líder da Nação que é, legitimando a candidatura ao se mostrar comprometido com os investimento que serão necessários. Fim da apresentação, e que bela apresentação! Muito suspense, todos assustados acreditando que pela presença do presidente dos EUA, o resultado já estava selado. E a partir daí, uma sequência de surpresas! Chicago é a 1ª a ser eliminada, Tóquio vem na sequência, e por fim Madri perde para o Rio. Muita alegria, tanto em Copenhagem quanto no Brasil todo! Mas como já disse, o principal me parece que foi menos a vitória em si, e mais o significado que ela trouxe. E este sim foi o grande ganho que tivemos com esse evento. Por trás dessa festa toda estava uma Nação diferente. Um povo que amadurecia a "olhos vistos". Um país que se tornava "gente grande". Pela 1ª vez, nos comprometemos de forma séria e responsável com uma intenção. Pela 1ª vez, apresentamos essa intenção de comprometimento de forma profissional. Pela 1ª vez, nos apresentamos diante do Mundo de forma adulta e responsável. E tudo isso sem perder nossa alegria e leveza. Sem dúvida muito temos ainda que percorrer para chegarmos de verdade a todos esse objetivos, mas parece que pela 1ª vez demos um passo em direção a uma real chance de conseguirmos tudo isso! Daqui em diante, cabe a todos nós brasileiros, a tarefa de fiscalizar, vigiar, cobrar e exigir que tudo que foi apresentado como intenção seja colocado em prática, seja seguido de forma rígida e comprometida, para com que erros antigos não retornem e o que se pode vislumbrar hoje como um sonho, possa se tornar realidade daqui a 7 anos! Valéria Macedo
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
"A Solidão Que Nos Faz Crescer!"
As vezes fico pensando sobre a solidão humana. O homem, por essência, é um ser solitário. Vem e se vai do mundo nesta condição. Contudo, isso não é motivo de desalento, primeiro por essa ser uma característica ontogênica humana, propriedade imutável de nossa natureza. Segundo, por ter a solidão um atributo que traz em si o potencial para ajudar o ser humano em seu amadurecimento. Na medida em que aprendemos a lidar com nossa solidão, nos tornamos mais cônscios de nós mesmos. Desenvolvemos habilidades para nos relacionarmos melhor com nós e com os outros. Como diz D.W. Winnicott, psicanalista inglês, "a capacidade de estar só, está na base da experiência egóica, portanto, inclui o outro. O aprender a estar só começa na infância, quando o bebê pode começar a estar só, na presença de sua mãe; e mesmo assim, estar consigo mesmo da forma mais relaxada, não-integrada, em contato com sua sensações mais primitivas, vivendo uma genuína experiência pessoal"! Quando realmente podemos desenvolver esta habilidade nos tornamos seres mais bem preparados para o encontro com o outro, pois nos encontramos de forma mais confortável com nós mesmos. Esse é o grande enigma da esfinge que devemos desvendar: "qual a chave para ter e manter relacionamentos saudáveis? decifra-me ou te condeno a solidão"! Certamente a resposta reside, como no enigma original, em nós mesmos! Ao nos tornarmos capazes de estarmos sós, relaxados, numa verdadeira experiência pessoal, nos abrimos para estarmos na companhia do outro, respeitando sua existência e sua solitude. Desta maneira, ambos os indivíduos poderão criar um genuíno vínculo de troca, rico em respeito e diversidade que irá ser a base de uma relação com o potencial para ser o pano de fundo que sustentará a passagem desses dois seres humanos pela mútua experiência da vida. E deste modo sendo, este encontro irá tirar o que estava a princípio programado para ter a marca de uma solidão mais dolorosa, aquela em que nos sentimos desamparados, sem ter um outro com quem contar, e reprogramará a rota pegando um desvio mais alegre e vivido, que possibilitará uma jornada rumo ao fim, destino último e inquestionável, de uma forma bem mais genuína, generosa e feliz! Valéria Macedo
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
"Objetos Psíquicos e Objetos Tecnológicos "
Quanto mais observo o cotidiano, mais me espanto! A cada dia uma nova notícia surge para trazer recentes confirmações de como a mente humana parece estar funcionando de modo mais primitivo. Ao invés do psiquismo seguir no caminho da evolução, da maturidade, da complexidade, parece que é o contrário que está em andamento! No início desta semana fiquei, mais uma vez, chocada com um novo acontecimento que confirmava essa percepção. Uma dupla de adolescentes do interior de São Paulo disputam um namorado, uma delas é trocada pela outra e assim, sai perdedora da disputa. Até aí, uma cena comum, mais o que se segue é incomum. Esta que perdeu, resolve tirar a limpo a estória. Na saída da aula, vai à caça da outra! E digo isso, uma vez que o vídeo que chega à midia, é do celular de um amigo que grava a cena desce o início, mostrando a menina vencedora saindo da escola junto de outras, e vindo detrás a perdedora em busca de revanche. Aí ficam as perguntas: como o menino conseguiu filmar a cena inteira? Será que ele sabia o que iria acontecer ali? Será que por saber já se posicionou para poder gravar a briga? Questões importantes a serem respondidas, e que o próprio vídeo já dá pistas positivas. O que se segue é impressionante: a menina que perdeu a disputa pelo namorado, vem pelas costa da outra e a agarra pelos cabelos. As duas iniciam uma briga e uma voz de mulher é ouvida, dizendo que ninguém deve se intrometer, que a filha é dela e que ela vai resolver! a partir daí, a "suposta mãe" incentiva a filha a dar soco, pontapé, e diz: "isso como eu te ensinei, dá soco na cara, chuta"! O vídeo acaba, que alívio! A "suposta mãe", ao ser entrevistada depois do ocorrido, alega que errou ao incentivar, mas que achava que qualquer mãe ao ver a "filha apanhar" teria feito o mesmo, e disse:" não criei filha para apanhar na rua, se apanhar lá, vai apanhar em casa também"! Como assim!!!! O vídeo é claro, foi a filha dela que veio para cima da outra menina, ela quem veio bater na outra! Se apanhou, foi por culpa do próprio ato impensado que cometeu!!! Como a psique humana inverte o que não consegue processar! O que não dou conta, não aguento a culpa e a responsabilidade, rapidamente projeto no outro. Uso o outro como receptáculo do que não suporto, do que não consigo lidar, coisifico o outro, o desumanizo para fazer dele minha lata de lixo onde evacuo o que não tolero em mim! Jeito primitivo de funcionar! Mas, e toda a estória de que mães devem cuidar, proteger, ensinar, dar limites à seus filhos? Por que essa mãe não conseguiu fazer isso? Talvez essas questões sejam mais complexas do que gostaríamos que fossem. Em primeiro lugar, cada caso é um caso, as particularidades de todas as psiques envolvidas só podem ser analisadas na profundidade de seus funcionamentos, e assim sendo, não podemos ir muito além da observação dos fatos em questão. Só nos resta, então, uma análise mais geral, mais global dos eventos. E os eventos apontam para uma situação de pouca instrumentalização de mãe e filha. A adolescente parece ter pouca capacidade de tolerar a frustração da perda do namorado, e em decorrência disto, a agressividade é atuada no concreto. A mãe, por sua vez também se mostra impotente para dar conta da projeção da frustração e da agressividade de sua filha. Se fosse hábil, interromperia a onda agressiva dela não permitindo que agredisse a outra menina, para depois poder lhe devolver esses elementos melhor digeridos e elaborados por sua própria mente ao conversar sobre as questões envolvidas, e assim possibilitar que sua filha pudesse lidar com a dor da perda. Resultado desta combinação: as duas mentes acabam funcionando de forma primitiva e pouco elaborada. E esse exemplo é só, um de vários que sempre estão à nossa disposição no cotidiano. Todos os dias uma enxurrada de notícias semelhantes chegam aos nossos ouvidos, independente de instruçao, cultura, classe social e econômica! Parece mesmo ter a ver com a maturidade do aparelho psíquico humano, e este dá notícias de que está paralisado em seu desenvolvimento, em contraponto com a civilização que a cada dia está mais e mais desenvolvida tecnologicamente. Que contrasenso! Pobres humanos, tão evoluídos em suas tecnologias de vida, mas tão pouco evoluídos em instrumentos psíquicos! Aí, só resta essa vida rica em objetos de consumo, como por exemplo os celulares super avançados que além de fazer ligações, gravam todos os absurdos do cotidiano. Porém os outros instrumentos necessários para uma vida rica em sentido e significado, estão ao que tudo indica, esgotados do mercado ! O valor das coisas se perde, o outro fica reduzido ao lugar do nada, e nunca podemos esquecer que o "outro",seremos nós mesmos em algum momento! Paradoxal, não acham??!! Valeria Macedo
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
"Um dia é da caça outro é da caçadora!"
Eventos sociais! Que bela oportunidade para se observar a forma como as pessoas se comportam e se relacionam! No que tange a diferença entre o comportamento masculino e feminino então, nem se fale! Situações assim são simplesmente um espetáculo! Este final de semana estive em um evento desta natureza. Que beleza, homens e mulheres de todas as idades, classes sociais e culturais em ação! Fiquei observando o movimento que ia se dando, e pude detectar três manifestações: um entre homens, o velho clube do bolinha. Outro entre as mulheres, o clube da luluzinha ( ou talvez pudéssemos dizer clube das jararacas). E um terceiro entre homens e mulheres, o clube da caça e do caçador (ou hoje também conhecido como clube da caça e da caçadora!). O clube do bolinha é o mais antigo, imutável, fiel, perseverante e monótono grupo masculino. Aquela velha e conhecida reunião masculina, onde só homens participam. Nestas reuniões só se fala de assuntos onde há um "que" masculino, absolutamente necessário para que se compreenda com profundidade e diversidade o mesmo. Pragmatismo, objetividade e racionalismos dignos de bombas vindas de filmes do tipo "Apocalipse Now" são marcas registradas das conversas desses clubes. Seja qual for o assunto, tudo é tratado como um cenário de guerra: invadir, conquistar e marchar em glória resumem os pressupostos básicos destas entidades! Tudo é visto como território a ser conquistado, pode ser dinheiro, profissão, amizade, relacionamento, sexo, família, etc. E se precisa ser conquistado, deve ser feito de forma a pressupor uma certa resistência! Então, em sendo necessário, invada o território em questão, pois conquistar é preciso! E uma vez que a invasão foi necessária e a conquista foi garantida, marchar em glória é absolutamente fundamental! Para que se dar ao trabalho de invadir e conquistar se não puder exibir???!!!! Devemos lembrar, a mente masculina é objetiva e pragmática! Nunca dispensa sua objetividade racional! Mas devemos ter em mente que estes lemas são para a vida, para o cotidiano. Dentro do grupo, uma vez formado se fala sobre isso e não se pratica isso, pois dentro dele se acredita na cumplicidade a priori. Se troca idéia a esse respeito, um apoia o outro, aplaude o outro. Homens são unidos até que se prove que essa união foi traída, e quando isso acontece pode acreditar, perdeu um amigo e talvez tenha ganhado um inimigo! O clube da luluzinha é tão antigo quanto o do bolinha, também tem algo de imutável, mas as aproximações param por aí. Sem dúvida é um clube que de fiél e monótono não tem nada! Tanto assim, que proponho mudar sua designação para clube da jararaca! Com certeza reunião de mulheres quase sempre acaba gerando disputa. Mulheres tendem a disputar com outras pelas menores questões: estética, peso, idade, roupa, homens, amizades, profissão,etc... Mulher, em relação à outras tende a ser muito competitiva, as vezes usando de todas as armas à sua disposição para alcançar a vitória desejada. Assim, quando se juntam nesses grupos, fofoca, competição, intriga e hipocrisia são características que se precipitam. Em nome da disputa o veneno tende a ser destilado! A lei da jararaca toma conta desta reunião! E todas essas regras servem para gerir o próprio grupo! Mulheres, a princípio, tendem a disputar, competem entre si, sempre desconfiam. E até que a confiança seja provada, a lei da jararaca prevalece! Por outro lado, quando a confiança é comprovada e estabelecida, pode relaxar! Ganhou verdadeiras amigas que sempre estarão ao seu redor! O clube da caça e do caçador também é muito antigo, talvez remonte à idade da pedra, desde que o "homem das cavernas puxava a mulher pelos cabelos para trazê-la de volta para sua caverna"! E assim foi por milênios, o homem neste lugar de "caçador", enxergando a mulher como uma presa à sua disposição para ser caçada! Por outro lado, a mulher permaneceu neste lugar, por medo, insegurança, falta de condição material, etc. Mas isso não quer dizer que ela não aprendeu a tirar alguma vantagem desta situação. Aprendeu com o passar do tempo, a usar o que tinha à sua disposição, seu poder de sedução! Se era a caça, e havia de ficar neste lugar passivo onde pouco podia fazer para ter domínio da escolha que estava em andamento, não abriria mão de poder influenciar, mesmo que de forma secundária essa situação! E desta forma, a caça foi aprendendo o jogo do caçador! E sem dúvida hoje podemos dizer, que em muitas circunstâncias o clube que observamos é o "da caça e da caçadora"! E diga-se de passagem, parece que aprenderam a lição de maneira exemplar, se é que se pode falar assim! Tanto que vemos ocasiões onde mulheres estão ostensivamente "imitando" o jeito masculino de caçar sua presa, no caso delas um homem, que nessa situação fica desprovido de sua arma fundamental: a potencia de sua atitude! Em outras ocasiões, vemos mulheres ainda se colocando no lugar de presas, porém parece que usam deste expediente como uma armadilha para ludibriar a verdadeira presa, no caso e mais uma vezes o homem, que desavisado e do alto de sua soberba acredita nesta falácia, que facilmente desaba assim que ele se encontra sobre o domínio da mulher que o enganou! Enfim, relacionamentos humanos, que complexidade. E o pior é que as vezes, nos iludimos que eles são simples, que ingenuidade! Ainda bem que temos os eventos sociais, que sempre são uma maravilhosa oportunidade para podermos nos deparar com toda essa variedade humana e assim refletir sobre elas! Valéria Macedo
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
"Pensar ou Congelar?"

Hoje gostaria de falar sobre uma questão que muito me inquieta, o quanto parece que as pessoas foram tomadas por uma incapacidade de lidar com a dor! Em minha prática analítica, em meu cotidiano institucional, em meus círculos pessoais ouço a queixa se repetir. Há uma dificuldade quase que generalizada das pessoas conterem os diferentes níveis de sofrimento. A dor é intrínseca a natureza humana, tanto do ponto de vista orgânico, quanto do ponto de vista psíquico. No que tange a esfera psíquica, ela nos acompanha desde o nascimento. Viver implica em ter de lidar com frustrações, e estas por sua vez, geram dor psíquica! Quanto mais nosso psíquico é capaz de tolerar frustrações, e consequentemente suportar o sofrimento delas decorrentes, mais ele tenderá a ser saudável, mais ele será capaz de gerar fluxos de pensamentos genuínos. Um aparelho psíquico saudável, é aquele que pode pensar os pensamentos que estão para serem pensados! Mas cada vez que não somos capazes de suportar a dor que é natural da vida, fruto das frustrações que a realidade nos impõem, nosso aparelho psíquico tende a entrar em modo de defesa. É frustrado, sente a dor, mas não quer lidar com a frustração, não quer suportar a dor, então lhe confere um sentido de agressão e em defesa atua sem pensar! Quase sempre esse processo acaba dando em desastre! Existe uma música que circula em site de piadas, que se chama "O Mamute Pequenino", aqui vai uma parte de sua letra para quem não a conhece:
O Mamute Pequenino queria fumar
O Mamute Pequenino queria fumar
Tentava e tentava e não podia fumar
Um cachorro, seu amigo, tentou ajudar
E quinhentos cigarrinhos fez ele fumar
E o que aconteceu?
Câncer… O Mamute teve câncer.
O Mamute Pequenino queria beber
E o que aconteceu?
Câncer… O Mamute teve câncer.
O Mamute Pequenino queria beber
Tentava e tentava e não podia beber
Um urso, seu amigo, tentou resolver
E seis litros de whisky fez ele beber
E o que aconteceu?
Cirrose… No Mamute deu cirrose.
O Mamute Pequenino queria transar
E o que aconteceu?
Cirrose… No Mamute deu cirrose.
O Mamute Pequenino queria transar
Tentava e tentava e não podia transar
Um Jegue, seu amigo, tentou ajudar
E com cem prostitutas fez ele transar
E o que aconteceu?
AIDS… O Mamute pegou AIDS.
O Mamute Pequenino queria voar
E o que aconteceu?
AIDS… O Mamute pegou AIDS.
O Mamute Pequenino queria voar
Tentava e tentava e não podia voar
Uma pombinha, sua amiga, tentou ajudar
E do quinto andar fez ele pular
E o que aconteceu?
M… O Mamute virou m...
E o que aconteceu?
M… O Mamute virou m...
Transcrevi parte da letra, pois apesar dela descrever de forma ogra o mecanismo, o faz de modo bastante claro! Quando não evitamos enfrentar as frustrações que a realidade nos impõem e a dor que é gerada com isso, nosso aparelho psíquico nos transforma em "mamutes pequeninos". E como o "mamute pequenino" saímos em busca de atuação! Atuar se torna nosso lema! Queremos nossos desejos realizados a qualquer preço! Só nos esquecemos que o preço quem faz é a vida! Nossa imponderável realidade! A mesma que já nos tinha dito não! Fim da estória: acabamos como o "mamute pequenino"! Podemos fumar, beber, transar, pular do 5ºandar, que acabamos sempre fazendo as mesmas m... que se faz quando não se tolera a frustração! Não pensamos e atuamos. E atuação é diferente de ação. Atuar é fazer sem pensar, agir é fazer depois de pensar! Aí, o cotidiano fica inundado pela queixa generalizada de pessoas que não conseguem suportar a dor de suas existências, que agora é maior ainda uma vez que ela própria foi agente de seu incremento. Ah, pobres humanos, eles não sabem o que fazem! Tornam-se "mamutes pequeninos" vagando pelas tundras gélidas de suas vidas que não podem ser pensadas! Nessas condições adversas só restam dois caminhos a seguir: ou irão rumo ao congelamento, ou poderão buscar o resgate de suas mentes. Aprender a tolerar a frustração e suas dores, e ser novamente capaz de pensar. Pensar por si, mesmo que com ajuda da interlocução de um outro. E quando digo "com ajuda da interlocução de um outro", quero dizer com a troca, com a possibilidade de diálogo, e não como na letra da música onde o outro entra para dar a resposta, sem diálogo, sem conversa, sem interlocução! Isso não é troca, é dar pronto, acabado, fechado, sem possibilidade de pensar! Então conclamo: não sucumbam ao congelamento e a consequente fossilização, busquem a troca significativa, criativa, que resgata a mente, que a coloca para pensar novamente junto a um outro significativo que possa ajudar nesse resgate. Não se refreiem por estarem frente a dificuldades e limites, a dor é sempre possível de ser suportada! E se a tarefa for pesada demais para ser cumprida sozinha, se poucas são as possibilidades de relações significativas, sempre se pode contar,quiçá com a ajuda de um analista! Valéria Macedo
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
"Persistência ou Teimosia"?
Esta semana tive notícias de uma amiga que a tempos não via. É uma pessoa querida, mas que por um desses "caprichos da vida", acabei por perder o contato mais próximo. Lá se vão uns cinco anos que estamos nos falando de forma esporádica, mas nem por isso menos afetiva. E assim sendo, muito me alegrou quando consegui retornar uma ligação que ela havia me feito na semana passada. Como de costume, logo de cara o mesmo afeto de sempre invade nossa conversa. Colocamos os assuntos do cotidiano em dia e ela me diz que também havia me ligado pois tivera um sonho comigo e que nele eu tinha um papel importante. O tal sonho já lhe tinha rendido várias interpretações em sua análise e ela sentia a necessidade de compartilhar comigo esse sentido. Em suma, a idéia central era a de uma busca:"Ela perdia algo, e eu era a pessoa que me importava com essa perda, não a deixava se acomodar, não a deixava abandonar a idéia do resgate deste algo que lhe era importante e me dispunha a com ela partir em busca do perdido!" Ela estava bastante afetada pelo sonho e muito mobilizada pelo sentido que tinha entendido depois de interpretá-lo! Desejava compartilhar esse sentido comigo e me dizer que sempre percebeu essa característica em mim, a persistência! Queria me falar o quanto naquele momento de sua vida essa característica que observava em meu comportamento, e que veio à tona no sonho, lhe faltava e o quanto estava em busca de resgatá-la. Fiquei muito feliz de poder, mesmo que de modo indireto, ajudá-la! É uma amiga querida! Mas também me coloquei a pensar. Acho que realmente tenho mesmo essa marca, sou persistente! Não desisto fácil das coisas. Insisto, acredito, me empenho. E acho que sou assim, pois é um traço da minha personalidade acreditar que "água mole em pedra dura"... Contudo, também não me furtei à reflexão do lado oposto desta moeda: quando a persistência vira teimosia! Muitas vezes já fui chamada de teimosa, claro! E acho, que as vezes, sou mesmo! Mas a questão fundamental é: quando passamos a fronteira da persistência e viramos teimosos? Ao me debruçar sobre essa questão observei que sempre que me peguei sendo teimosa foi quando me deixei "cegar" e permaneci insistindo em algo que já não tinha chance de dar resultado. Quando o foco já não era mais a questão em si, mais sim eu ter ou não a razão! É nesse ponto que deixamos de ser persistentes e nos tornamos teimosos. Quando a insistência não é motivada pela causa, mais sim por seu prêmio narcísico! Quando insistir, é insistir por algo que tem a ver com convicções e não mais com verdade! É uma linha tênue, a qualquer momento podemos cruzar e ultrapassar o limiar que nos levar do polo que nos dá perserverância, para o polo que nos finca na teimosia! Nossa mente sempre se encontra à mercê deste risco. Devemos constantemente estar atentos para esse perigo. É quase como "um canto de sereia", uma melodia que nos entorpece, produzindo miragens que nos fazem acreditar que nossas convicções são procedentes. Quando nos encontramos nesse estado cruzamos a fronteira entre persistência e teimosia. A mente deixa de pensar os pensamentos que estão à sua disposição e passa a se fechar em um funcionamento arrogante. Neste momentos, cuidado e atenção são sempre nossos melhores amigos! E é claro que a ajuda de um bom analista também é sempre bem vinda, como disse minha amiga! Mas acredito verdadeiramente que não é por esse motivo que devemos abandonar a persistência, a perserverância. Elas nos fornecem na medida certa, é claro, uma boa oportunidade para buscarmos nossos objetivos e metas. Nos ajudam a nos empenharmos na realização de nossos desejos. Sem insistência desistimos das coisas, abrimos mão do que queremos, abandonamos nossos sonhos. Nos tornamos espectros vagando em busca de sentido para nossas vidas! Então, ao pensar no sonho da minha amiga, penso também no sonho de todos nós, humildes mortais, e digo: Não abandonemos nossos desejos e sonhos ao vento, eles nos garantem o colorido para um vida mais rica em sentido! Persistam e nunca teimem! Valéria Macedo
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
"A Arte de Conviver!"
A convivência humana é uma arte! Em inúmeras situações do cotidiano tenho sempre essa sensação! Conviver demanda saber sobre a realidade, sobre o outro e principalmente sobre si mesmo. E quando falo saber, não estou querendo dizer a cerca de um conhecimento teórico, mas de uma sabedoria que vem com a vida, com a experiência, ou seja, que vem paradoxalmente com a convivência! É uma arte! É um verdadeiro aprendizado! Mas por sua essência paradoxal é difícil, exige coragem e paciência, artigos que nessa sociedade contemporânea estão em extinção. As pessoas a cada dia são mais e mais bombardeadas por demandas de pressa, urgência, impaciência, tudo deve ser obtido de modo rápido e fácil. O que não se encaixar nessa idéia será descartado, mesmo que isso implique em se descartar de pessoas e relacionamentos. E desta forma "A Arte de Conviver" vai ficando obsoleta! Já repararam como a cada dia parece que conviver vai ficando mais difícil? É como se todos estivessem endurecidos, impregnados por uma incapacidade de se flexibilizar, de se disponibilizar para o encontro com o outro. Se abrir para o encontro? Como assim? Estas são as perguntas de tantas pessoas nos dias de hoje. Meu consultório sempre se presta a ser um local de reflexão para muitas dessas questões. Percebo que as pessoas já não sabem mais como conviver, como conhecer, como ceder, como negociar, como gostar. Parece que sabem tão pouco sobre si e a realidade ao seu redor, que saber sobre o "outro" é algo quase que inatingível. Mas, por outro lado também viver só é muito difícil. Para tanto há de se aprender a conviver consigo mesmo, e esta definitivamente não é uma tarefa fácil! Há uma imensa gama de barulhos internos de nossa mente que devemos aprender a ouvir, entender e calar. Trabalho de Hércules! Ao invés de nos dedicarmos à ele, sozinhos ou acompanhados por analistas que possam nos ajudar nessa "viagem ao centro da mente", desviamos o curso e nos colocamos em rota de colisão. Um "outro" é o alvo, pobre dele! Estabelecemos relacionamentos e nos botamos a conviver. Não convivemos nem com nós mesmos, mas quem sabe num relacionamento com um "outro" o barulho seja grande o bastante para não nos darmos conta disso! Que ingenuidade! O que já era difícil se torna impraticável. E o relacionamento perece, sofre as consequências da impossibilidade psíquica que o indivíduo tem em sua habilidade de conviver consigo, com a realidade e com o outro! É claro que não desprezo as implicações destes "outros", eles sempre estão implicados, sempre podem escolher ficar ou ir embora. Se escolhem ir muitas vezes se poupam de desgastes emocionais intensos, demonstrando habilidades mais maduras para conviver. Se ficam, por outro lado refletem dificuldades nas mesmas zonas escuras das mentes que pouco convivem. Conviver é sempre uma via de mão dupla, nunca pode excluir o outro, essa é a regra! Mas o fato do outro também ser inábil para o conviver e se implicar nisso não minimiza os efeitos que essa dupla incapacidade produz! Ao contrário, duplica os efeitos. Provoca uma cascata de desencontros, desentendimentos, desafetos,desequilíbrios. O conviver se perde, se desfaz, se dilui num oceano de desilusões! Mas por outro lado, quando se recupera a possibilidade de conviver, tudo ganha uma outra dimensão. É como se fossemos lançados para um outro universo, uma dimensão paralela, onde tudo ganha um outro colorido. Pode haver o encontro, a troca , o acolhimento, o silêncio, o afeto! E a "arte de conviver" é preservada, a habilidade de conhecer a si, a realidade e ao "outro"é praticada e preservada, frutificando e enriquecendo nossas vidas, tonando-as menos solitárias! Valéria Macedo
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
" Profissão: Psicóloga!"
Hoje gostaria de compartilhar um pouco das minhas inquietações e satisfações com minha atividade clínica! Já pratico a psicanálise há 21 anos. Sem sombra de dúvida esta é a minha praia! E não falo apenas da clínica psicanalítica, mas de modo mais abrangente do ofício clínico em geral. A psicologia, minha formação acadêmica de base, já foi a escolha do que eu entendia ser minha "vocação". Lidar com o sofrimento psíquico humano era meu impulso.Queria entendê-lo da forma mais profunda e abrangente possível para poder tentar ajudar as pessoas que buscam auxílio para manejá-lo. Para tanto, logo fui percebendo que seria necessário me aprofundar em uma das diversas teorias psicológicas, pois só a partir de uma delas teria recursos mais consistentes para auxiliar meus futuros pacientes no lidar com suas angústias. Depois que entrei em contato com as diferentes teorias psicológicas, logo de cara me identifiquei com a "visão de homem e de mundo" que a psicanálise propõe. Acredito na determinação psíquica, mais especificamente na determinação inconsciente! Somos seres que tem sua consciência influenciada constantemente por nossos desejos, fantasias e conflitos inconscientes. Vejo isso constantemente em minha própria vida cotidiana e na minha prática clínica! Feita a escolha pela abordagem teórica que me orientaria em minha atividade profissional, já dentro da faculdade busquei começar esse aprofundamento, para tanto dei início a análise pessoal, grupo de estudos da teoria psicanalítica e inicie os cursos extra-curriculares que já estavam a minha disposição. A partir do 5ºano de faculdade busquei também estágio que poderia completar minha formação trazendo uma maior noção de tudo que já tinha visto até então, na prática clínica com os paciente que agora já podia atender. Com o diploma na mão, continuei minha formação, acho que ela realmente nunca está acabada, sempre está em andamento, sempre temos algo para aprender, aprofundar, melhorar. E assim, há 21 anos estou dentro desta profissão, sempre buscando aprofundar e reciclar minha formação, estudando, me especializando, pós-graduando, trabalhando em instituição, dando aula em faculdade e principalmente praticando a clínica psicanalítica! Como o tempo passa rápido quando fazemos algo que é nossa vocação, parece que foi ontem que iniciei minha jornada! Mas talvez seja sempre assim, quando estamos envolvidos com algo que nos dá sentido e prazer não notamos a passagem do tempo, apenas o aproveitamos! Claro, existem dias difíceis, pesados, onde o manejar com o sofrimento psíquico humano nos cobra um certo preço, um cansaço à mais, uma preocupação extra. Mas ao pesar na balança, os prós ganham dos contras! Amo o que faço e não saberia fazer outra coisa, até porquê acredito que só podemos fazer com propriedade uma coisa quando realmente nos identificamos com ela, quando ela é nossa vocação! E assim é a Psicologia, e mais particularmente a Psicanálise para mim, meu genuíno ofício. Então, hoje 27/08 dia do psicólogo, rendo minhas homenagens a esta nobre profissão! Principalmente depois de mais um dia de atividade clínica onde todas as mesmas inquietações e satisfações cotidianas me perpassaram e se silenciaram com um torpedo de uma paciente, que já faz seu caminho de auto-conhecimento analítico tendo a mim como companheira desta jornada, há 7 anos: "Feliz dia do psicólogo! Super obrigada por tudo, por toda ajuda que vem me dando nestes anos deste processo de me conhecer e de lidar melhor com minhas questões"! Nestas horas todo o estudo, tempo e energia investidos nesta profissão valem ainda mais a pena! E sabe que parece que foi ontem que comecei a estudar Psicologia! Valéria Macedo
terça-feira, 25 de agosto de 2009
"Nos tempos de Pinocchio"

Quando era criança, minha mãe ou minha tia, tinham o hábito de levarem a mim e minha irmã ao cinema. Assistíamos quase sempre aos filmes de Walt Disney,todos os desenhos que ele fazia dos clássicos infantis! Sempre adorei, eram lindos! Para a época era o que tinha de mais avançado em termos de animação. Cinderela, A Bela Adormecida, Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e os Sete Anões, Dumbo, Bambi e Pinocchio. Este eram os clássicos, eram os meus preferidos. A diversão começava no sábado com uma ida ao cinema, onde pipoca, chocolate e refrigerante estavam inclusos. Depois da sessão passávamos para o lanche da tarde, íamos ao "Jack in The Box", a primeira lanchonete tipo americana que surgiu em São Paulo. Por último, mas não menos aguardado, uma passada na banca para comprar o albúm de figurinhas do filme, com o livro que acompanhava o disco, todos coloridos! Que programa! Que saudade! As estórias eram ótimas, mas havia uma questão: "todas tinham uma moral da estória"! E quase sempre estas eram tristes e angustiantes. Mas acho que fazia parte do processo de crescimento daquela época, que as crianças fossem enfrentando questões gradualmente complicadas. Dentre todas a que particularmente mais me comoveu foi a de Pinocchio. "Gepeto constroi Pinocchio, pois quer muito ter um filho. Pinocchio é um boneco de madeira que deseja se tornar gente, e para tanto faz um pedido para a fada azul, que lhe concede a vida. Mas para conseguir que esta seja plena, ele terá de se aventurar para salvar Gepeto da barriga da baleia, enfrentando vários desafios externos e internos, que testam sua coragem, lealdade e honestidade, virtudes que deverá aprender para se tornar gente. No meio do caminho se envolve em muitas confusões e cai em muitas tentações. Ao pedir ajuda para a fada azul, tem de confessar suas mentiras e seu nariz cresce tanto quanto elas, esse é seu castigo! Mas Pinocchio se redime, salva Gepeto e consegue seu prêmio maior, se torna um menino"! Bela estória, mas tão angustiante. Trata de um pai em busca de um filho e de um filho em busca de um pai e de sua humanidade. Mas a questão talvez mais importante da estória é sobre a Verdade e a Mentira! Como Pinocchio, achamos sempre que a forma mais fácil de lidar com as questões do cotidiano é usando de "pequenas mentirinhas". O convívio parece ficar mais fácil, o caminho fica menos árduo, os resultados ficam mais rápidos. E assim vamos seguindo pelo vida, feito Pinocchio, mentindo aqui e ali, e pensando: "uma mentirinha só não faz mal"! Só que quando nos damos conta nossa vida inteira é uma "Grande Mentira". Tudo nela soa falso, nada tem substância. A Verdade se perdeu, e com isso parte de nós mesmos também. Um psicanalista inglês W.R.Bion, postula que é através do contato com a verdade que a saúde mental se estabelece. Porém ela ao mesmo tempo nos é ameaçadora, uma vez que nos coloca frente a frustrações e ao vazio. Assim, para nos defendermos dessa ameaça que a verdade traz consigo, buscamos construir uma falsa verdade, impregnada de sentimentos, sensações, que imaginamos serem reais e darem garantias. Criamos Convicções, onde boatos viram fatos. Nos tornamos Pinocchios, com narizes cumpridos que delatam nossas Mentiras mais profundas. Toda a irrealidade e imaterialidade de nossa existência vem à tona, trazendo consigo uma cachoeira de sintomas e angústias. Aquelas Convicções que achávamos tão seguras e protetoras se esvaem por entre nossos dedos, feito areia da praia. E assim percebemos que nossa vida, desta forma vivida, em grande parte foi dedicada à construção de castelos de areia que o mar agora leva sem ter pena do tempo e da energia gasta para sua construção! Mas uma vida assim se sustentaria? Poderia ter qualquer equilíbrio ou sucesso duradouro? Como nos ensina a estória, creio que não! Só a Honestidade, Lealdade e a Coragem nos trazem equilíbrio, saúde mental e felicidade no final! Então parece que como foi com Pinocchio, só nos resta aprender nossa lição de humanidade, e sermos capazes de resgatar o melhor, o mais verdadeiro dentro de nós para mais uma vez sermos humanos! Valéria Macedo
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
"Geração He-Man"

Ser adolescente no séc.XXI é algo, para mim que fui adolescente no séc. passado, um tanto quanto bizarro! Parece que hoje as coisas se complicaram de forma exagerada. O que importa é a forma, e não digo isso porque na minha época isso não importava. Claro que eu e todos os outros adolescentes da minha época (anos 80) só pensávamos nas mesmas futilidades que importam à todos os adolescentes normais de hoje: roupas, músicas, lugares, gírias, etc. Mas também havia espaço para as pequenas responsabilidades que iam sendo apresentadas pelos pais. Responsabilidades que não eram vista com bons olhos,mas que acabavam sendo assumidas gerenciadas. Ser adolescente naquela época era algo mais ligado a noção de rito de passagem. Ao mesmo tempo que era necessário se rebelar, se identificar com o grupo de adolescentes ao qual pertencíamos, negando com isso a identidade de nossos pais para poder deixar surgir uma identidade própria, também íamos crescendo, amadurecendo, fazendo escolhas, nos tornando independentes. Nos dias de hoje, esse rito de passagem desapareceu e essa etapa se cristalizou. O adolescente chega nela e não querer mais sair! A adolescência se transformou num período que a cada dia se torna mais longo. Os jovens de hoje não parecem estar comprometidos com a parte da adolescência que implica em ir aprendendo a assumir de forma gradual as responsabilidades que estão inseridas na vida adulta. Ficam somente com a parte boa da fase, ou seja, com as baladas, com as viagens, com os bens materiais que eles não fazem nada para conseguir! Viver assim parece ser bom, não?! Mas tem um pequeno probleminha, a vida parece que não concorda muito com essa idéia!! Não sei o porquê, mas ela insiste em ser estraga-prazeres! Como num caso que fiquei sabendo, onde o jovem que claro já tendo idade para dirigir, ganhou carro e pra lá e pra cá estava com ele. Faculdade, estágio, academia, baladas, viagens,etc... Se sentia muito independente, tinha carro, fazia faculdade, era forte. Um verdadeiro HE-MAN, o que todos acham que são, uma vez que malham na academia várias horas por dia. Do que mais podia precisar para dar conta da própria vida, devia ele se perguntar? Só que não contou com a 1ª Lei de Murphy: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. Da pior maneira possível, no pior momento, causando o pior e maior dano!" Estava saindo de um evento, e para seu espanto o pneu do carro estava furado! O que??!!! Como isso pode acontecer? O pneu do carro furar??? Como ninguém me avisou??? Certamente esses foram seus pensamentos momentâneos! A vida conspirava contra ele. O que fazer? Por onde começar? Não fazia a menor, a mais vaga idéia. Andava por aí com o carro e nunca tinha lhe ocorrido que seria bom aprender a trocar o pneu. Na verdade, não havia lhe ocorrido que isso pudesse acontecer! O que restava, então, naquele momento difícil? Enfrentar a troca do pneu? Não! Sempre tem um guardador de carro para quem se pode dar um troco e que pode fazer o serviço pesado por você, deve ter sido seu pensamento. Só não contava que a 2ª Lei de Murphy entraria em ação: "Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos"! Dito e feito, o guardador não sabia trocar direito o pneu, colocou o macaco no lugar errado, o pneu furado saiu, mas na hora de colocar o estepe foi necessário subir mais o carro e o macaco mal-colocado emperrou! Não ia nem pra cima nem pra baixo, que situação!! Outros dois guardadores foram accionados para desemperrar o macaco,porém nada aconteceu. Os três fazendo força para ver se conseguiam levantar o carro para desentortar o macaco e nada! Que vexame! Bem, nesta altura poderíamos pensar que nosso jovem ia enfim enfrentar suas responsabilidades e aprender com a experiência. Chamaria o pai, o seguro do carro ou coisa que o valha, não é???!!!! Não, mostrar seu lado dependente e adolescente para a GERAÇÃO HE-MAN, nem pensar!!!! Como se acha forte, acredita que como o personagem do desenho dos anos 80, He-MAN, "ele tem a força"! Então,basta invocar pelos poderes de GREYSKÚÚ!!! E todos os poderes de que necessita lhe serão dados! Acreditem, ele achou que podia levantar o carro, como ele próprio disse "na unha". Se agachou, e fez força: uma, duas, três vezes!!! Segundo o próprio, na terceira teve de "tirar força do intestino"( para não falar outra coisa!). Para sua sorte, os poderes de GREYSKÚÚÚ, lhe foram fornecidos!!! Conseguiu levantar o carro e os guardadores tiraram o macaco e terminaram a troca do pneu! Já as costas, ficaram um pouco prejudicadas!!! Que estória! Só rindo! Mas, uma pergunta não quer calar: não teria sido tudo mais fácil se ele soubesse trocar o pneu do carro???!!! Não teria dado um salto importante em seu amadurecimento se tivesse enfrentado a adversidade que a vida lhe impos de uma forma mais adulta?? Com certeza sim, mas parece que essa geração enfrenta exatamente uma dificuldade importante quanto ao se tornar adulto! Abandonar os previlégios do viver descomprometidamente é imensamente doloroso, uma dor que é evitada pelo tempo mais longo possível e a qualquer preço! Pena, pois sim a vida adulta tem dores e percalços, mas também oferece recompensa, uma verdadeira e genuína independência que quando é alcançada certemente é muito mais poderosa do que qualquer poder de GREYSKÚÚÚ!!! Valéria Macedo
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
"Para além das Questões Narcísicas!"

Estava assistindo no The History Channel, a semana dos gênios, onde episódios sobre Einstein, Galileu, Newton, Darwin, Da Vinci e outros, foram apresentados. Me interesso demais por esse tipo de programação, é uma verdadeira ilha de informação e saber num mar de programas de tão baixa qualidade! Entre os programas apresentados, um intitulado "Além do Big Bang"fala sobre as teorias científicas da criação do universo. Mas especificamente a teoria que hoje em dia é a mais aceita, fundamentada empiricamente e que dá nome ao programa me pareceu muito interessante e me fez pensar, parafraseando o título do episódio, para além das questões da física, ou melhor dizendo, PARA ALÉM DAS QUESTÕES NARCÍSICAS! Muitas vezes penso que o que é proposto pelos astrofísicos, de forma macro para explicar o que ocorre no Universo, também se presta para ser usado como simbolismo para pensarmos nossa psique. A teoria do Big Bang propõe que o Universo foi criado por uma explosão inicial que deu origem à tudo. Daí em diante, o Universo veio se expandindo, e tudo que faz parte dele pôde, em decorrência disto surgir. De uma certa maneira, como foi dito nesse programa o "Universo está em tudo, ele une tudo. As moléculas que formam nosso corpo carregam traços dessa poeira cósmica que foi lançada com o Big Bang e que deu vida à tudo, portanto estamos todos unidos entre nós biologimente, à Terra quimicamente, e ao Universo atômicamente. Não somos melhores do que o Universo, somos parte dele. Estamos no Universo e o Universo está em nós. Não somos o centro dele, mas estamos dentro dele tentando entendê-lo". É uma ideia interessante, uma vez que por tanto tempo o ser humano acreditou, até mesmo desejou ser o centro do Universo! Mas gradativamente desde de Copérnico, que veio afirmar que a Terra não era o centro do Universo, essa idéia vem se desmantelando. Darwin foi o próximo nesta lista de pensadores, gênios cientistas, que proferiu um segundo golpe nas intenções narcísicas humanas de querer ser o centro. A humanidade que já não podia ser o centro do Universo, se via agora expulsa do centro das espécies, uma vez que todas evoluíram seguindo uma regra biológica de evolução. O homos sapiens é uma evolução do homos herectos, nossos parentes primatas! Então o que restava ao ser humano? Talvés acreditar que ao menos, estava no centro da razão?! O pensamento racional certamente seria o grande centro humano e dela o homem controlaria a si próprio e a tudo ao seu redor. Ledo engano, pobre homem! Mais um grande pensador estava por vir, proferindo mais um golpe em suas intenções narcísicas! Freud, surgiu para declarar que a razão não é controlada pela consciência, mas sim por diversos processos inconscientes que a razão não pode e nem conseguiria controlar! A partir daí, a humanidade estaria irremediavelmente tirada de seu suposto e ilusório lugar narcísico. Não somos centro de nada, apenas fazemos parte de um todo. Como assisti no programa sobre o Big Bang, neste ano que comemora os 40 anos da chegada do homem à lua, que diga-se de passagem realizou um grande feito para a humanidade ao chegar lá, estamos no Universo fazendo parte dele, tentando entendê-lo e tentando entender qual nossa parte neste plano maior! Só resta agora realmente, a nós humanos entendermos nossa verdadeira implicação nessa dimensão. Aceitarmos nossa participação como coadjuvantes, deixando de brigar por este lugar ilusório de especialidade e grandeza, para ocuparmos de forma mais actuante e responsável nosso papel nesta cadeia infinita do Universo a que pertencemos! Valéria Macedo
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
"República das Bananas"

Hoje, gostaria de falar sobre um assunto que vem me inquietando nas últimas semanas! Há mais ou menos duas semanas estava voltando do consultório e em meio ao trânsito caótico das 6ªfeiras de São Paulo, percebi que um rapazinho que aparentava ser um adolescente trabalhador, vinha atravessando entre os carros. Como tudo dava a entender que ele só estava atravessando a avenida, olhando para os carros para ver por onde podia passar, não me coloquei em "modo de alerta"uma vez que nada sinalizava essa necessidade. O rapaz pareceu tentar atravessar na frente do meu carro, mas não havia espaço e ele veio andando pela lateral, como que para atravessar por trás. Ao passar pelo meu carro, passou e voltou! Tomei um susto, pois ele deu um soco no vidro do passageiro e achei que ele ia colocar uma arma pelo buraco uma vez que minha bolsa se encontrava no chão do carro, junto de meu pé. Para meu espanto ele não tinha arma, com uma mão se apoiou e se debruçou dentro do carro para com a outra pegar uma pasta que estava no chão do carro com livros, cadernos,textos e agenda de trabalho. Ao perceber que era apenas um ladrãozinho de sinal, e que devia estar achando que na pasta havia um laptop, no que ele puxou a pasta agarrei-a e resolvi lutar por meus pertences! Que abuso, não iria permitir que ele levasse tão fácilmente coisas que para mim eram tão caras e que para ele não iriam servir para nada! Gritei: "larga, só tem livros e mais nada! Mas o cinto de segurança fez sua função e me segurou e ele levou minha pasta! Pelo retrovisor vi ele correndo e olhando a pasta com gestos de quem estava irritado por constatar o que eu acabara de falar! Para mim isso não resolveu nada, além do prejuízo do vidro e do susto fiquei sem minha pasta, valiosa por seu conteúdo: livros de quase 20 anos com diversas anotações de períodos diferentes de minha carreira. Cadernos com elaborações de aulas, palestras que assiste e dei. Minha agenda com minhas marcações das sessões deste 1º semestre, que gosto de ter e guardar! Que prejuízo! Nestas duas semanas que se sucederam ao acontecido, não consegui ir atrás de nada do material, tirando o vidro do carro, é claro! Era como se tivesse esperança que uma "alma bondosa e honesta" pudesse achar minhas coisas e me devolver! Mas não aconteceu, ninguém ligou! Então me rendi ao fato e fui atrás de repor os itens possíveis. Aí começa meu 2º luto, as agendas já quase não estão mais a disposição, o modelo que gosto já acabou! Os cadernos do tipo que uso, também já acabaram, só no fim do ano quando chegam as remessas para 2010! E os livros!!! Ah, os livros!! Dois estão esgotados, e nem em sebo encontro mais!!!! E com a lei de direitos autorais, nem o xerox posso tirar!!!! Que tristeza!!! Aí sim, me senti invadida, roubada, prejudicada! E o pior que a troco de nada! O rapaz não deve ter feito nada com aquilo que me era tão caro! Nem um trocadinho se quer deve ter conseguido!!! Que tristeza!!! E depois de todo esse luto, vejo pela manhã mais um capítulo da malfadada tragédia do Senado da República, onde só se vê aquela cena triste! Bate boca, ameça, o desrespeito que impera! E se lá isso acontece, o que não vai acontecer no resto do país?! Parece que uma nova ordem surge se alastrando por todos os cantos. O lema agora é tomar posse, de tudo que estiver ao alcançe da vista sem se importar se é seu ou não! Sem respeitar o próximo! Isso é um mero detalhe! Mas e o povo? Cabe perguntar! Ao pobre povo brasileiro só resta, como eu em meu carro ficar se sentindo roubado, invadido, prejudicado, a espera que um dia este país seja sério novamente!!! Que tristeza!!! Não acham???!!! Valeria Macedo
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
"O Tempo e o Coelho"

As questões da contemporaneidade são difíceis de se lidar, devo reconhecer! Tudo é acelerado nesses "Tempos Modernos"! Vivemos numa realidade onde estamos conectados com tudo e todos, aos mesmo tempo, agora! TV, celular, Internet, twitter, blog, orkut, facebook, mms... Ufa! Que cansaço! As coisas acontecem e você já sabe! Ou não! Elas nem aconteceram e você já sabe! Michael Jackson nem tinha morrido e já sabíamos que ele tinha morrido!!! Que bizarro! As pessoas vão ficando cada vez mais aceleradas, diria eu, até viciadas nessa aceleração. Todos sofrem dessa falta de tempo crônica. Ninguém tem tempo para nada, para elas seria bom se o dia tivesse 36 horas! Mas será? Acho que se tivesse, novas coisas surgiriam para preencher essas horas a mais do dia! E elas continuariam sem tempo para nada. Dentro dos termos que os americanos gostam de inventar: "síndrome da informação", "síndrome da falta de tempo"!!!! Dentro da boa e velha psicopatologia cotidiana: "síndrome do Coelho da Alice do País das Maravilhas!" Lembram dele? É assim que a Alice começa sua viagem ao País das Maravilhas, seguindo esse Coelho esquisito que surge correndo, usando óculos e um colete. De dentro deste, ele tira um relógio de bolso olha e diz:" Oh, puxa! Devo estar atrasado! Muito atrasado, olá e adeus! Sai correndo e entra num buraco. Alice intrigada, sem reflectir o quão bizarro era a cena, corre atrás do Coelho entrando no buraco e iniciando sua viagem pelo País das Maravilhas, que no fim das contas se constitui numa viagem dentro de seu próprio inconsciente, em busca de respostas a cerca do conflito entre o tempo, seus desejos e a realidade! Alice passa por muitas peripécias malucas, experimenta a bebida que encolhe e o biscoito que aumenta, encontra o Gato Risonho e toma chá com o Chapeleiro Maluco, que experiência fantástica! Sempre é hora do chá: são sempre seis horas! Até chegar ao encontro com a Rainha de Copas, ser tirânico e dominador, que a menor contrariedade, brada: "cortem-lhe a cabeça"!E assim, fim da estória para Alice, ela volta para a realidade. O Coelho que se sentia tão atrasado, só estava atrasado para o jogo de críquete da Rainha de Copas! Alice percebe que as coisas que eram tão importantes neste "Mundo das Maravilhas" já não faziam tanto sentido para ela! Talvez seja a mesma coisa que aconteça nos dias de hoje. As pessoas, como o Coelho, se acham sempre atrasadas para tudo, como se tudo e qualquer coisa fosse urgente, imperdível, imprescindível ! Mas será??? Ou como no conto, grande parte dessas coisas tão importantes paras as quais elas se acham tão atrasadas são apenas simbolicamente comparáveis ao "jogo de criquete da Rainha de Copas"?!! Valéria Macedo
terça-feira, 11 de agosto de 2009
" Sem Humor não tem solução"
Viver a vida cotidiana requer humor! É nisso que acredito! Sem humor nos tornamos amargos, chatos, cinzas! Pode se ter humor delicado, pode se ter humor mordas, mas há de se ter humor!!! Já repararam como essa é uma das coisas que mais anda faltando nos dias de hoje?! As pessoas parecem sofrer de um mal humor crônico. Ninguém dá risada de nada, nem do banal, nem da mais requintada piada da vida! O mal humor toma conta do cotidiano! As pessoas parecem cultivar a depressão, a irritação, a impaciência. Qualquer tentativa de você brincar com as coisas e elas já acham que "você não leva a vida a sério", quando na verdade ao contrário, talvez poder brincar com os fatos seja a forma mais séria de encará-las! Não confundam olhar os fatos através do humor, com não encará-los! A maior parte dos "supostos deprimidos" acaba fazendo isso, fica atrás de uma "suposta tristeza", evitando se confrontar com as questões de sua vida! Quer melhor impedimento para não enfrentar os grandes dilemas da vida do que estar imerso em uma profunda depressão que não te deixa pensar em mais nada?! Na medida em que podemos encarar os impasses cotidianos de uma forma mais alegre, acaba ficando mais fácil enfrentar o peso que esta situação traz consigo! Riam, riam da vida, riam de si, é sempre um bom remédio! E se a risada te abandonou, se o bom humor fugiu de você, se a piada já não tem mais graça, procure ajuda! Em última instância, uma boa análise deve te ajudar a recuperar sua capacidade de ver a vida com alegria!!! Valéria Macedo
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
" Saída pela esquerda!"
Ando pensando muito a cerca do movimento que o ser humana faz de evitar perceber as coisas como elas são, só para não ter quer se envolver com elas! Já repararam na dificuldade que temos de às vezes nos confrontarmos com certos aspectos da vida diária?! De enxergarmos nossas parte de responsabilidade sobre questões do cotidiano, pela simples negação ao direito do outro de reivindicar nossa participação no manejo delas! Pensei sobre o assunto durante o final de semana, depois de saber de um caso de uns conhecidos que estavam com uma viagem para o exterior marcada, mas a mulher teve que ir para o hospital fazer um tratamento complicado, nada promissor. Ela parece ter cultivado ao longo da vida uma relação com a família que não é lá essas coisas!!! Mas sua situação é complicada, sua saúde está abalada, a viagem não será mais possível, a família deve esquecer as dificuldades e se unir por uma questão maior, não é mesmo? Não, ledo engano nobre leitor! Não foi isso que pensaram os nada nobres familiares! Parte da família seguiu rumo ao exterior, apenas uma irmã solteira que parecer não ter tido como escapar do fardo ficou para cuidar de tudo!!! Estes maravilhosos familiares, buscaram uma saída rápida, feito um antigo personagem de desenho animado, "leão da montanha" que em qualquer situação de aperto dizia:"SAÍDA PELA ESQUERDA", ou seja, em situação de dificuldade busque uma forma de escapar dela, fuja, corra, não importa se vai ser covardia ou se vai deixar o peso do problema para outro resolver, escape o mais depressa possível, este é o lema!!! O que os outros vão dizer de você? Não importa! O que importa é não se implicar, não se responsabilizar, não se comprometer!!!! Dizem os adeptos desta formar de viver: "a cada vez que o barco estiver afundando, pule fora dele o mais depressa possível!" Certamente, esta maneira de encarar a vida não é nada honrosa ou adulta. Visa apenas a manutenção de seus próprios interesses. Na filosofia antiga perguntaríamos indignados:"Você é um homem ou um rato?" E certamente a resposta seria:" um rato, é claro!" E sem dúvida os ratões acham que estão se dando bem nadando de braçadas em pelo verão europeu! Mas será que é possível viver dessa forma e conseguir que funcione? Esta é a pergunta que não quer calar!!! Claro que não! Sempre temos de nos implicar com nossos atos e relações, de uma forma ou outra!!!! Podemos fazer isso de uma forma simples e honrosa, no caso em questão, ficando e cuidando da mulher, mesmo que esta tenha sido um inferno em sua vida, a final de contas todo inferno que vivemos é escolhido e mantido por nós mesmos seja lá pelo motivo que for, ou seremos obrigados a pagar o preço de nossas ações pelo nosso próprio inconsciente que sempre nos pega em alguma curva da vida, principalmente se a vivemos desta forma inconsequente e pouco comprometida! Moral da estória: vida de RATO, ou melhor dizendo, de LEÃO DA MONTANHA, só funciona em desenho animado onde ninguém morre, sofre, chora ou se arrepende!!! Valéria Macedo
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
'Armazém Psicanalítico"
Este é um espaço destinado a pensar a vida cotidiana de forma leve, simples, bem-humorada! Mas nem por isso sem reflexão ou compromisso!!! Compromisso com o livre pensar, com a alegria de viver, mas também com a adequação à realidade! Coisa, que diga-se de passagem, anda faltando nestes tempos bicos!!! Só à título de elucidação, cito um exemplo: "Estava um conhecido meu num compromisso profissional, foi ao escritório encontrar com um colega,que para seu infortúnio tinha dado uma saída, sem alternativa teve de esperar!!! Neste tempo, uma outra colega chega e vem cumprimentar. Abraça, beija, e só depois de tudo isso, enquanto contava da viagem ao exterior que tinha feito com os filhos, comenta que um deles voltou de lá com a gripe suína!!!! Meu conhecido, quase enfartou, proferiu um imenso discurso que fez com que a colega ficasse desconsertada!!! Falou ela: "Não imaginava que não devia estar beijando e abraçando as pessoas, uma vez que meu filho já está medicado!!!" Como assim?? Não entendo isso?? Como uma pessoa esclarecida não sabe que se o filho está doente ela não deve sair por aí abraçando, beijando e disseminando o vírus da gripe?? Em que planeta essa moça mora??? Aí fica a pergunta: O que acontece com esse povo??Falta de senso de realidade??? Falta de preocupação com o outro??? Falta de vergonha na cara??? Questões que precisam ser pensadas e refletidas, que devem ser enfrentadas com coragem, neurônio e álcool gel, que também ninguém é de ferro!!! Para isso temos agora este espaço:"ARMAZÉM PSICANALÍTICO", o blog que está aí para todos que se sentem indignados com a transformação de nossa vida cotidiana e ordinária em medíocre e sem sentido!!! Sejam todos bem vindos!!! Valéria Macedo,psicanalista e sarcástica nas horas de folga!!! (kkkk)
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