domingo, 14 de agosto de 2011

" Função Paterna, a dificil arte de ser pai!"

Segundo domingo de agosto, a tradição social brasileira comemora o "Dia dos Pais". Dia criado para promover as vendas do comercio, mas que faz uma homenagem merecida à todos os pais. Contudo, será que realmente todos se dão conta dessa tão importante, e ao mesmo tempo tão difícil função?

Creio que não! Na verdade, acho que sempre ressaltamos a função materna, deixando um pouco de lado a função paterna. Sem dúvida, o papel exercido pela mãe é de capital importância na vida de um filho, uma vez que nascemos tão dependentes de outro ser humano.

A essência da função materna é libidinizar, acolher, cuidar, dar forma à mente do bebê, colaborar na construção dos fundamentos do mundo interno desse novo ser. É uma função que estabelece os primórdios psíquicos, que prepara o terreno mental para as futuras experiências. Sem dúvida, poderíamos dizer que sem a interação com essa função, a vida mental ficaria muito comprometida.

Contudo, a função paterna também exerce um papel importante na construção da vida mental do ser humano, uma vez que a psique já fundamentada em seu mundo interno, precisa agora começar a adentrar no mundo externo!

Cabe a função paterna, após os alicerces mentais terem sidos estabelecidos com a ajuda da função materna, colaborar na construção da ponte entre interno e externo. A vida mental do bebê ficaria aprisionada no mundo interno, se a função paterna não exercesse sua principal tarefa, ajudar o indivíduo a se inserir no mundo da cultura!

Se tornar um membro do grupo social, depende deste passo tão importante, que só é dado a partir da capacidade da função paterna de dar limites à essa jovem mente, lhe fornecendo os regras, leis e limites que lhe são necessários para que ela possa agora fazer parte da realidade externa.

Talvez, por ser esse corte uma das tarefas mais importantes da função paterna, que de modo geral se subestima a importância desta! Sem dúvida parece ser muito melhor colaborar com amor, carinho, contorno e fundamento, do que ser responsável pelos limites, regras e "nãos" que devemos internalizar!

No entanto, sem esses diversos "nãos" que são dados pela função paterna, a mente humana não seria capaz de interagir, permanecendo aprisionada em sua mundo interno!

Desta forma, saudemos nossos pais, aqueles que ficaram com o trabalho mais duro, mais árduo, mais árido de nossa formação mental. Sem eles não poderíamos viver em sociedade, não teríamos a habilidade de interagir, de nos discriminar, de diferenciarmos o certo do errado!

É através da "dureza" de nossos pais que nos tornamos mais humanos, mais civilizados, mais discriminados!!! É pela capacidade deles nos amarem, e por isso mesmo nos darem limites, que nos tornamos seres melhores, mais complexos e simbólicos! Assim sendo, salve a gentil e amorosa rudeza da função paterna! Mª Valéria Macedo






terça-feira, 9 de agosto de 2011

" A ciclotimia da contemporaneidade!"

Viver no séc.XXI é um desafio. O mundo globalizado nos leva a viver uma experiência psicodélica, tudo ao mesmo tempo e agora! A queda de braço entre republicanos e democratas vira a bolsa do avesso e todos experimentamos a vertigem da recessão anunciada. Conflitos nas ruas de Londres, explodem como expressão de puro vandalismo, agressão reprimida que irrompe sem sentido, sem motivo, sem limite! O vórtice frenético desta contemporaneidade ciclotímica arrasta o mundo todo para uma viagem angustiante! Somos meros espectadores da montanha russa que oscila entre mania e depressão!

E como boa onda bipolar, essa polarização não se restringe ao social, ela invade a vida cotidiana se expandindo para a individualidade ordinária nossa de cada dia! A cada esquina, em cada instante, podemos observar o redemoinho que suga tudo e todos numa contaminação generalizada, colorida pelo vermelho da mania, ou pelo preto da depressão!

A angústia humana, deixa de ser aquele sofrimento constante, existencial que nos faz sofrer pelos múltiplos significados que evitemos elaborar, e passa a ser um desespero que se precipita entre a tristeza mortífera e a euforia alucinada!

E no meio deste turbilhão, o vazio espreita, silenciando qualquer possibilidade de fantasia que possa nos resgatar das profundezas desse abismo elíptico que quer nos esfacelar. Somos reféns de uma polarização que à tudo e à todos quer dominar!

Entra para a psicopatologia contemporânea como um dos fenômenos mentais do século, tão comumente diagnosticado nos consultórios como Transtorno Bipolar. Domina o indivíduo sem piedade ou compaixão, lhe negando o direito à estabilidade, esmagando a alma humana pelo sugar de sua energia vital.

Sofrimento intenso e contínuo que exige do indivíduo uma luta diária, buscando através do tratamento psíquico resgatar o controle perdido pelo movimento do tornado que lhe sugou, arrancado-lhe as rédeas de sua vida mental! Uma caminhada longa que deverá ser percorrida até o pé desse redemoinho, a origem da tempestade, o olho do furacão, onde se encontra a calmaria que pode trazer novo fôlego, para que então, a luta continue até que os ventos se dissipem e um entardecer mais ameno venha enfim, estabilizar o céu de sua vida!