Segundo domingo de agosto, a tradição social brasileira comemora o "Dia dos Pais". Dia criado para promover as vendas do comercio, mas que faz uma homenagem merecida à todos os pais. Contudo, será que realmente todos se dão conta dessa tão importante, e ao mesmo tempo tão difícil função?
Creio que não! Na verdade, acho que sempre ressaltamos a função materna, deixando um pouco de lado a função paterna. Sem dúvida, o papel exercido pela mãe é de capital importância na vida de um filho, uma vez que nascemos tão dependentes de outro ser humano.
A essência da função materna é libidinizar, acolher, cuidar, dar forma à mente do bebê, colaborar na construção dos fundamentos do mundo interno desse novo ser. É uma função que estabelece os primórdios psíquicos, que prepara o terreno mental para as futuras experiências. Sem dúvida, poderíamos dizer que sem a interação com essa função, a vida mental ficaria muito comprometida.
Contudo, a função paterna também exerce um papel importante na construção da vida mental do ser humano, uma vez que a psique já fundamentada em seu mundo interno, precisa agora começar a adentrar no mundo externo!
Cabe a função paterna, após os alicerces mentais terem sidos estabelecidos com a ajuda da função materna, colaborar na construção da ponte entre interno e externo. A vida mental do bebê ficaria aprisionada no mundo interno, se a função paterna não exercesse sua principal tarefa, ajudar o indivíduo a se inserir no mundo da cultura!
Se tornar um membro do grupo social, depende deste passo tão importante, que só é dado a partir da capacidade da função paterna de dar limites à essa jovem mente, lhe fornecendo os regras, leis e limites que lhe são necessários para que ela possa agora fazer parte da realidade externa.
Talvez, por ser esse corte uma das tarefas mais importantes da função paterna, que de modo geral se subestima a importância desta! Sem dúvida parece ser muito melhor colaborar com amor, carinho, contorno e fundamento, do que ser responsável pelos limites, regras e "nãos" que devemos internalizar!
No entanto, sem esses diversos "nãos" que são dados pela função paterna, a mente humana não seria capaz de interagir, permanecendo aprisionada em sua mundo interno!
Desta forma, saudemos nossos pais, aqueles que ficaram com o trabalho mais duro, mais árduo, mais árido de nossa formação mental. Sem eles não poderíamos viver em sociedade, não teríamos a habilidade de interagir, de nos discriminar, de diferenciarmos o certo do errado!
É através da "dureza" de nossos pais que nos tornamos mais humanos, mais civilizados, mais discriminados!!! É pela capacidade deles nos amarem, e por isso mesmo nos darem limites, que nos tornamos seres melhores, mais complexos e simbólicos! Assim sendo, salve a gentil e amorosa rudeza da função paterna! Mª Valéria Macedo