Hoje gostaria de exercitar a reflexão sobre um tema que creio assolar a quase todos nestes tempos pós-modernos... O vazio cotidiano que aflige a existência humana!
Neste novo século parece que a humanidade foi tomada por uma urgência de ocupação... Quanto mais nos ocupamos, quanto mais nos sobrecarregamos de inúmeras tarefas,e mais desejamos nos ocupar. O tempo ocioso é demonizado como uma peste mortal...
A vida cotidiana se transformou numa lista que todos os dias deve ser feita e ticada até que chegue o crepúsculo que anuncia o fim do dia. Parece que a noção de tempo se acelerou, quanto mais fazemos, mais devemos fazer! Uma obrigação sem fim que dita os passos da humanidade...
Ao olhar ao redor, só vejo pessoas reclamando da falta de tempo, do excesso de tarefas, da correria diária, da informação digital que inunda a mente analógica! Contudo, se pararmos para escutar para além dessas reclamações repetitivas, o que ouvimos é uma mente isolada por uma gigante sensação de vazio...
Vazio que distancia o eu do outro, que congela as emoções, que paralisa o ser humano, impedindo que ele verdadeiramente seja produtivo. Em muitos casos, a procrastinação acaba servindo de escudo para a angústia que o vazio gera, mesmo que se com o tempo ela traga outra angústia relacionada a paralisação. Em outros casos, vemos o vazio ser dominado pelo distanciamento, e mais adiante pela solidão...
Solidão em sua pior versão, aquela que robotiza o sujeito, que daí em diante vira um tocador de tarefas, uma mero executor das milhares listas a serem ticadas. Padece a mente, padece o corpo, padece o verdadeiro outro que vai se tornando invisível aos olhos do eu esvaziado.O caminho para vários outros sintomas se torna desimpedido...
Dois tipos de seres solitários advém desses movimentos, aquele que faz, porém é um fazer exagerado e vazio, e aquele que quase não consegue fazer, pois está absorto num mundo imaginário de um fazer que também é vazio...
Como já dizia minha vó, prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém! O segredo esta em fazer e sentir. Agir e se afetar. Produzir sem perder o mundo fantasmagórico das relações! Tarefa difícil, porém não impossível, até porque sempre podemos recorrer à ajuda do outro! Mª Valéria Macedo