sexta-feira, 28 de agosto de 2009

" Profissão: Psicóloga!"

Hoje gostaria de compartilhar um pouco das minhas inquietações e satisfações com minha atividade clínica! Já pratico a psicanálise há 21 anos. Sem sombra de dúvida esta é a minha praia! E não falo apenas da clínica psicanalítica, mas de modo mais abrangente do ofício clínico em geral. A psicologia, minha formação acadêmica de base, já foi a escolha do que eu entendia ser minha "vocação". Lidar com o sofrimento psíquico humano era meu impulso.Queria entendê-lo da forma mais profunda e abrangente possível para poder tentar ajudar as pessoas que buscam auxílio para manejá-lo. Para tanto, logo fui percebendo que seria necessário me aprofundar em uma das diversas teorias psicológicas, pois só a partir de uma delas teria recursos mais consistentes para auxiliar meus futuros pacientes no lidar com suas angústias. Depois que entrei em contato com as diferentes teorias psicológicas, logo de cara me identifiquei com a "visão de homem e de mundo" que a psicanálise propõe. Acredito na determinação psíquica, mais especificamente na determinação inconsciente! Somos seres que tem sua consciência influenciada constantemente por nossos desejos, fantasias e conflitos inconscientes. Vejo isso constantemente em minha própria vida cotidiana e na minha prática clínica! Feita a escolha pela abordagem teórica que me orientaria em minha atividade profissional, já dentro da faculdade busquei começar esse aprofundamento, para tanto dei início a análise pessoal, grupo de estudos da teoria psicanalítica e inicie os cursos extra-curriculares que já estavam a minha disposição. A partir do 5ºano de faculdade busquei também estágio que poderia completar minha formação trazendo uma maior noção de tudo que já tinha visto até então, na prática clínica com os paciente que agora já podia atender. Com o diploma na mão, continuei minha formação, acho que ela realmente nunca está acabada, sempre está em andamento, sempre temos algo para aprender, aprofundar, melhorar. E assim, há 21 anos estou dentro desta profissão, sempre buscando aprofundar e reciclar minha formação, estudando, me especializando, pós-graduando, trabalhando em instituição, dando aula em faculdade e principalmente praticando a clínica psicanalítica! Como o tempo passa rápido quando fazemos algo que é nossa vocação, parece que foi ontem que iniciei minha jornada! Mas talvez seja sempre assim, quando estamos envolvidos com algo que nos dá sentido e prazer não notamos a passagem do tempo, apenas o aproveitamos! Claro, existem dias difíceis, pesados, onde o manejar com o sofrimento psíquico humano nos cobra um certo preço, um cansaço à mais, uma preocupação extra. Mas ao pesar na balança, os prós ganham dos contras! Amo o que faço e não saberia fazer outra coisa, até porquê acredito que só podemos fazer com propriedade uma coisa quando realmente nos identificamos com ela, quando ela é nossa vocação! E assim é a Psicologia, e mais particularmente a Psicanálise para mim, meu genuíno ofício. Então, hoje 27/08 dia do psicólogo, rendo minhas homenagens a esta nobre profissão! Principalmente depois de mais um dia de atividade clínica onde todas as mesmas inquietações e satisfações cotidianas me perpassaram e se silenciaram com um torpedo de uma paciente, que já faz seu caminho de auto-conhecimento analítico tendo a mim como companheira desta jornada, há 7 anos: "Feliz dia do psicólogo! Super obrigada por tudo, por toda ajuda que vem me dando nestes anos deste processo de me conhecer e de lidar melhor com minhas questões"! Nestas horas todo o estudo, tempo e energia investidos nesta profissão valem ainda mais a pena! E sabe que parece que foi ontem que comecei a estudar Psicologia! Valéria Macedo

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Nos tempos de Pinocchio"




Quando era criança, minha mãe ou minha tia, tinham o hábito de levarem a mim e minha irmã ao cinema. Assistíamos quase sempre aos filmes de Walt Disney,todos os desenhos que ele fazia dos clássicos infantis! Sempre adorei, eram lindos! Para a época era o que tinha de mais avançado em termos de animação. Cinderela, A Bela Adormecida, Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e os Sete Anões, Dumbo, Bambi e Pinocchio. Este eram os clássicos, eram os meus preferidos. A diversão começava no sábado com uma ida ao cinema, onde pipoca, chocolate e refrigerante estavam inclusos. Depois da sessão passávamos para o lanche da tarde, íamos ao "Jack in The Box", a primeira lanchonete tipo americana que surgiu em São Paulo. Por último, mas não menos aguardado, uma passada na banca para comprar o albúm de figurinhas do filme, com o livro que acompanhava o disco, todos coloridos! Que programa! Que saudade! As estórias eram ótimas, mas havia uma questão: "todas tinham uma moral da estória"! E quase sempre estas eram tristes e angustiantes. Mas acho que fazia parte do processo de crescimento daquela época, que as crianças fossem enfrentando questões gradualmente complicadas. Dentre todas a que particularmente mais me comoveu foi a de Pinocchio. "Gepeto constroi Pinocchio, pois quer muito ter um filho. Pinocchio é um boneco de madeira que deseja se tornar gente, e para tanto faz um pedido para a fada azul, que lhe concede a vida. Mas para conseguir que esta seja plena, ele terá de se aventurar para salvar Gepeto da barriga da baleia, enfrentando vários desafios externos e internos, que testam sua coragem, lealdade e honestidade, virtudes que deverá aprender para se tornar gente. No meio do caminho se envolve em muitas confusões e cai em muitas tentações. Ao pedir ajuda para a fada azul, tem de confessar suas mentiras e seu nariz cresce tanto quanto elas, esse é seu castigo! Mas Pinocchio se redime, salva Gepeto e consegue seu prêmio maior, se torna um menino"! Bela estória, mas tão angustiante. Trata de um pai em busca de um filho e de um filho em busca de um pai e de sua humanidade. Mas a questão talvez mais importante da estória é sobre a Verdade e a Mentira! Como Pinocchio, achamos sempre que a forma mais fácil de lidar com as questões do cotidiano é usando de "pequenas mentirinhas". O convívio parece ficar mais fácil, o caminho fica menos árduo, os resultados ficam mais rápidos. E assim vamos seguindo pelo vida, feito Pinocchio, mentindo aqui e ali, e pensando: "uma mentirinha só não faz mal"! Só que quando nos damos conta nossa vida inteira é uma "Grande Mentira". Tudo nela soa falso, nada tem substância. A Verdade se perdeu, e com isso parte de nós mesmos também. Um psicanalista inglês W.R.Bion, postula que é através do contato com a verdade que a saúde mental se estabelece. Porém ela ao mesmo tempo nos é ameaçadora, uma vez que nos coloca frente a frustrações e ao vazio. Assim, para nos defendermos dessa ameaça que a verdade traz consigo, buscamos construir uma falsa verdade, impregnada de sentimentos, sensações, que imaginamos serem reais e darem garantias. Criamos Convicções, onde boatos viram fatos. Nos tornamos Pinocchios, com narizes cumpridos que delatam nossas Mentiras mais profundas. Toda a irrealidade e imaterialidade de nossa existência vem à tona, trazendo consigo uma cachoeira de sintomas e angústias. Aquelas Convicções que achávamos tão seguras e protetoras se esvaem por entre nossos dedos, feito areia da praia. E assim percebemos que nossa vida, desta forma vivida, em grande parte foi dedicada à construção de castelos de areia que o mar agora leva sem ter pena do tempo e da energia gasta para sua construção! Mas uma vida assim se sustentaria? Poderia ter qualquer equilíbrio ou sucesso duradouro? Como nos ensina a estória, creio que não! Só a Honestidade, Lealdade e a Coragem nos trazem equilíbrio, saúde mental e felicidade no final! Então parece que como foi com Pinocchio, só nos resta aprender nossa lição de humanidade, e sermos capazes de resgatar o melhor, o mais verdadeiro dentro de nós para mais uma vez sermos humanos! Valéria Macedo

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Geração He-Man"


Ser adolescente no séc.XXI é algo, para mim que fui adolescente no séc. passado, um tanto quanto bizarro! Parece que hoje as coisas se complicaram de forma exagerada. O que importa é a forma, e não digo isso porque na minha época isso não importava. Claro que eu e todos os outros adolescentes da minha época (anos 80) só pensávamos nas mesmas futilidades que importam à todos os adolescentes normais de hoje: roupas, músicas, lugares, gírias, etc. Mas também havia espaço para as pequenas responsabilidades que iam sendo apresentadas pelos pais. Responsabilidades que não eram vista com bons olhos,mas que acabavam sendo assumidas gerenciadas. Ser adolescente naquela época era algo mais ligado a noção de rito de passagem. Ao mesmo tempo que era necessário se rebelar, se identificar com o grupo de adolescentes ao qual pertencíamos, negando com isso a identidade de nossos pais para poder deixar surgir uma identidade própria, também íamos crescendo, amadurecendo, fazendo escolhas, nos tornando independentes. Nos dias de hoje, esse rito de passagem desapareceu e essa etapa se cristalizou. O adolescente chega nela e não querer mais sair! A adolescência se transformou num período que a cada dia se torna mais longo. Os jovens de hoje não parecem estar comprometidos com a parte da adolescência que implica em ir aprendendo a assumir de forma gradual as responsabilidades que estão inseridas na vida adulta. Ficam somente com a parte boa da fase, ou seja, com as baladas, com as viagens, com os bens materiais que eles não fazem nada para conseguir! Viver assim parece ser bom, não?! Mas tem um pequeno probleminha, a vida parece que não concorda muito com essa idéia!! Não sei o porquê, mas ela insiste em ser estraga-prazeres! Como num caso que fiquei sabendo, onde o jovem que claro já tendo idade para dirigir, ganhou carro e pra lá e pra cá estava com ele. Faculdade, estágio, academia, baladas, viagens,etc... Se sentia muito independente, tinha carro, fazia faculdade, era forte. Um verdadeiro HE-MAN, o que todos acham que são, uma vez que malham na academia várias horas por dia. Do que mais podia precisar para dar conta da própria vida, devia ele se perguntar? Só que não contou com a 1ª Lei de Murphy: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. Da pior maneira possível, no pior momento, causando o pior e maior dano!" Estava saindo de um evento, e para seu espanto o pneu do carro estava furado! O que??!!! Como isso pode acontecer? O pneu do carro furar??? Como ninguém me avisou??? Certamente esses foram seus pensamentos momentâneos! A vida conspirava contra ele. O que fazer? Por onde começar? Não fazia a menor, a mais vaga idéia. Andava por aí com o carro e nunca tinha lhe ocorrido que seria bom aprender a trocar o pneu. Na verdade, não havia lhe ocorrido que isso pudesse acontecer! O que restava, então, naquele momento difícil? Enfrentar a troca do pneu? Não! Sempre tem um guardador de carro para quem se pode dar um troco e que pode fazer o serviço pesado por você, deve ter sido seu pensamento. Só não contava que a 2ª Lei de Murphy entraria em ação: "Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos"! Dito e feito, o guardador não sabia trocar direito o pneu, colocou o macaco no lugar errado, o pneu furado saiu, mas na hora de colocar o estepe foi necessário subir mais o carro e o macaco mal-colocado emperrou! Não ia nem pra cima nem pra baixo, que situação!! Outros dois guardadores foram accionados para desemperrar o macaco,porém nada aconteceu. Os três fazendo força para ver se conseguiam levantar o carro para desentortar o macaco e nada! Que vexame! Bem, nesta altura poderíamos pensar que nosso jovem ia enfim enfrentar suas responsabilidades e aprender com a experiência. Chamaria o pai, o seguro do carro ou coisa que o valha, não é???!!!! Não, mostrar seu lado dependente e adolescente para a GERAÇÃO HE-MAN, nem pensar!!!! Como se acha forte, acredita que como o personagem do desenho dos anos 80, He-MAN, "ele tem a força"! Então,basta invocar pelos poderes de GREYSKÚÚ!!! E todos os poderes de que necessita lhe serão dados! Acreditem, ele achou que podia levantar o carro, como ele próprio disse "na unha". Se agachou, e fez força: uma, duas, três vezes!!! Segundo o próprio, na terceira teve de "tirar força do intestino"( para não falar outra coisa!). Para sua sorte, os poderes de GREYSKÚÚÚ, lhe foram fornecidos!!! Conseguiu levantar o carro e os guardadores tiraram o macaco e terminaram a troca do pneu! Já as costas, ficaram um pouco prejudicadas!!! Que estória! Só rindo! Mas, uma pergunta não quer calar: não teria sido tudo mais fácil se ele soubesse trocar o pneu do carro???!!! Não teria dado um salto importante em seu amadurecimento se tivesse enfrentado a adversidade que a vida lhe impos de uma forma mais adulta?? Com certeza sim, mas parece que essa geração enfrenta exatamente uma dificuldade importante quanto ao se tornar adulto! Abandonar os previlégios do viver descomprometidamente é imensamente doloroso, uma dor que é evitada pelo tempo mais longo possível e a qualquer preço! Pena, pois sim a vida adulta tem dores e percalços, mas também oferece recompensa, uma verdadeira e genuína independência que quando é alcançada certemente é muito mais poderosa do que qualquer poder de GREYSKÚÚÚ!!! Valéria Macedo

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Para além das Questões Narcísicas!"


Estava assistindo no The History Channel, a semana dos gênios, onde episódios sobre Einstein, Galileu, Newton, Darwin, Da Vinci e outros, foram apresentados. Me interesso demais por esse tipo de programação, é uma verdadeira ilha de informação e saber num mar de programas de tão baixa qualidade! Entre os programas apresentados, um intitulado "Além do Big Bang"fala sobre as teorias científicas da criação do universo. Mas especificamente a teoria que hoje em dia é a mais aceita, fundamentada empiricamente e que dá nome ao programa me pareceu muito interessante e me fez pensar, parafraseando o título do episódio, para além das questões da física, ou melhor dizendo, PARA ALÉM DAS QUESTÕES NARCÍSICAS! Muitas vezes penso que o que é proposto pelos astrofísicos, de forma macro para explicar o que ocorre no Universo, também se presta para ser usado como simbolismo para pensarmos nossa psique. A teoria do Big Bang propõe que o Universo foi criado por uma explosão inicial que deu origem à tudo. Daí em diante, o Universo veio se expandindo, e tudo que faz parte dele pôde, em decorrência disto surgir. De uma certa maneira, como foi dito nesse programa o "Universo está em tudo, ele une tudo. As moléculas que formam nosso corpo carregam traços dessa poeira cósmica que foi lançada com o Big Bang e que deu vida à tudo, portanto estamos todos unidos entre nós biologimente, à Terra quimicamente, e ao Universo atômicamente. Não somos melhores do que o Universo, somos parte dele. Estamos no Universo e o Universo está em nós. Não somos o centro dele, mas estamos dentro dele tentando entendê-lo". É uma ideia interessante, uma vez que por tanto tempo o ser humano acreditou, até mesmo desejou ser o centro do Universo! Mas gradativamente desde de Copérnico, que veio afirmar que a Terra não era o centro do Universo, essa idéia vem se desmantelando. Darwin foi o próximo nesta lista de pensadores, gênios cientistas, que proferiu um segundo golpe nas intenções narcísicas humanas de querer ser o centro. A humanidade que já não podia ser o centro do Universo, se via agora expulsa do centro das espécies, uma vez que todas evoluíram seguindo uma regra biológica de evolução. O homos sapiens é uma evolução do homos herectos, nossos parentes primatas! Então o que restava ao ser humano? Talvés acreditar que ao menos, estava no centro da razão?! O pensamento racional certamente seria o grande centro humano e dela o homem controlaria a si próprio e a tudo ao seu redor. Ledo engano, pobre homem! Mais um grande pensador estava por vir, proferindo mais um golpe em suas intenções narcísicas! Freud, surgiu para declarar que a razão não é controlada pela consciência, mas sim por diversos processos inconscientes que a razão não pode e nem conseguiria controlar! A partir daí, a humanidade estaria irremediavelmente tirada de seu suposto e ilusório lugar narcísico. Não somos centro de nada, apenas fazemos parte de um todo. Como assisti no programa sobre o Big Bang, neste ano que comemora os 40 anos da chegada do homem à lua, que diga-se de passagem realizou um grande feito para a humanidade ao chegar lá, estamos no Universo fazendo parte dele, tentando entendê-lo e tentando entender qual nossa parte neste plano maior! Só resta agora realmente, a nós humanos entendermos nossa verdadeira implicação nessa dimensão. Aceitarmos nossa participação como coadjuvantes, deixando de brigar por este lugar ilusório de especialidade e grandeza, para ocuparmos de forma mais actuante e responsável nosso papel nesta cadeia infinita do Universo a que pertencemos! Valéria Macedo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"República das Bananas"


Hoje, gostaria de falar sobre um assunto que vem me inquietando nas últimas semanas! Há mais ou menos duas semanas estava voltando do consultório e em meio ao trânsito caótico das 6ªfeiras de São Paulo, percebi que um rapazinho que aparentava ser um adolescente trabalhador, vinha atravessando entre os carros. Como tudo dava a entender que ele só estava atravessando a avenida, olhando para os carros para ver por onde podia passar, não me coloquei em "modo de alerta"uma vez que nada sinalizava essa necessidade. O rapaz pareceu tentar atravessar na frente do meu carro, mas não havia espaço e ele veio andando pela lateral, como que para atravessar por trás. Ao passar pelo meu carro, passou e voltou! Tomei um susto, pois ele deu um soco no vidro do passageiro e achei que ele ia colocar uma arma pelo buraco uma vez que minha bolsa se encontrava no chão do carro, junto de meu pé. Para meu espanto ele não tinha arma, com uma mão se apoiou e se debruçou dentro do carro para com a outra pegar uma pasta que estava no chão do carro com livros, cadernos,textos e agenda de trabalho. Ao perceber que era apenas um ladrãozinho de sinal, e que devia estar achando que na pasta havia um laptop, no que ele puxou a pasta agarrei-a e resolvi lutar por meus pertences! Que abuso, não iria permitir que ele levasse tão fácilmente coisas que para mim eram tão caras e que para ele não iriam servir para nada! Gritei: "larga, só tem livros e mais nada! Mas o cinto de segurança fez sua função e me segurou e ele levou minha pasta! Pelo retrovisor vi ele correndo e olhando a pasta com gestos de quem estava irritado por constatar o que eu acabara de falar! Para mim isso não resolveu nada, além do prejuízo do vidro e do susto fiquei sem minha pasta, valiosa por seu conteúdo: livros de quase 20 anos com diversas anotações de períodos diferentes de minha carreira. Cadernos com elaborações de aulas, palestras que assiste e dei. Minha agenda com minhas marcações das sessões deste 1º semestre, que gosto de ter e guardar! Que prejuízo! Nestas duas semanas que se sucederam ao acontecido, não consegui ir atrás de nada do material, tirando o vidro do carro, é claro! Era como se tivesse esperança que uma "alma bondosa e honesta" pudesse achar minhas coisas e me devolver! Mas não aconteceu, ninguém ligou! Então me rendi ao fato e fui atrás de repor os itens possíveis. Aí começa meu 2º luto, as agendas já quase não estão mais a disposição, o modelo que gosto já acabou! Os cadernos do tipo que uso, também já acabaram, só no fim do ano quando chegam as remessas para 2010! E os livros!!! Ah, os livros!! Dois estão esgotados, e nem em sebo encontro mais!!!! E com a lei de direitos autorais, nem o xerox posso tirar!!!! Que tristeza!!! Aí sim, me senti invadida, roubada, prejudicada! E o pior que a troco de nada! O rapaz não deve ter feito nada com aquilo que me era tão caro! Nem um trocadinho se quer deve ter conseguido!!! Que tristeza!!! E depois de todo esse luto, vejo pela manhã mais um capítulo da malfadada tragédia do Senado da República, onde só se vê aquela cena triste! Bate boca, ameça, o desrespeito que impera! E se lá isso acontece, o que não vai acontecer no resto do país?! Parece que uma nova ordem surge se alastrando por todos os cantos. O lema agora é tomar posse, de tudo que estiver ao alcançe da vista sem se importar se é seu ou não! Sem respeitar o próximo! Isso é um mero detalhe! Mas e o povo? Cabe perguntar! Ao pobre povo brasileiro só resta, como eu em meu carro ficar se sentindo roubado, invadido, prejudicado, a espera que um dia este país seja sério novamente!!! Que tristeza!!! Não acham???!!! Valeria Macedo

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"O Tempo e o Coelho"





As questões da contemporaneidade são difíceis de se lidar, devo reconhecer! Tudo é acelerado nesses "Tempos Modernos"! Vivemos numa realidade onde estamos conectados com tudo e todos, aos mesmo tempo, agora! TV, celular, Internet, twitter, blog, orkut, facebook, mms... Ufa! Que cansaço! As coisas acontecem e você já sabe! Ou não! Elas nem aconteceram e você já sabe! Michael Jackson nem tinha morrido e já sabíamos que ele tinha morrido!!! Que bizarro! As pessoas vão ficando cada vez mais aceleradas, diria eu, até viciadas nessa aceleração. Todos sofrem dessa falta de tempo crônica. Ninguém tem tempo para nada, para elas seria bom se o dia tivesse 36 horas! Mas será? Acho que se tivesse, novas coisas surgiriam para preencher essas horas a mais do dia! E elas continuariam sem tempo para nada. Dentro dos termos que os americanos gostam de inventar: "síndrome da informação", "síndrome da falta de tempo"!!!! Dentro da boa e velha psicopatologia cotidiana: "síndrome do Coelho da Alice do País das Maravilhas!" Lembram dele? É assim que a Alice começa sua viagem ao País das Maravilhas, seguindo esse Coelho esquisito que surge correndo, usando óculos e um colete. De dentro deste, ele tira um relógio de bolso olha e diz:" Oh, puxa! Devo estar atrasado! Muito atrasado, olá e adeus! Sai correndo e entra num buraco. Alice intrigada, sem reflectir o quão bizarro era a cena, corre atrás do Coelho entrando no buraco e iniciando sua viagem pelo País das Maravilhas, que no fim das contas se constitui numa viagem dentro de seu próprio inconsciente, em busca de respostas a cerca do conflito entre o tempo, seus desejos e a realidade! Alice passa por muitas peripécias malucas, experimenta a bebida que encolhe e o biscoito que aumenta, encontra o Gato Risonho e toma chá com o Chapeleiro Maluco, que experiência fantástica! Sempre é hora do chá: são sempre seis horas! Até chegar ao encontro com a Rainha de Copas, ser tirânico e dominador, que a menor contrariedade, brada: "cortem-lhe a cabeça"!E assim, fim da estória para Alice, ela volta para a realidade. O Coelho que se sentia tão atrasado, só estava atrasado para o jogo de críquete da Rainha de Copas! Alice percebe que as coisas que eram tão importantes neste "Mundo das Maravilhas" já não faziam tanto sentido para ela! Talvez seja a mesma coisa que aconteça nos dias de hoje. As pessoas, como o Coelho, se acham sempre atrasadas para tudo, como se tudo e qualquer coisa fosse urgente, imperdível, imprescindível ! Mas será??? Ou como no conto, grande parte dessas coisas tão importantes paras as quais elas se acham tão atrasadas são apenas simbolicamente comparáveis ao "jogo de criquete da Rainha de Copas"?!! Valéria Macedo

terça-feira, 11 de agosto de 2009

" Sem Humor não tem solução"

Viver a vida cotidiana requer humor! É nisso que acredito! Sem humor nos tornamos amargos, chatos, cinzas! Pode se ter humor delicado, pode se ter humor mordas, mas há de se ter humor!!! Já repararam como essa é uma das coisas que mais anda faltando nos dias de hoje?! As pessoas parecem sofrer de um mal humor crônico. Ninguém dá risada de nada, nem do banal, nem da mais requintada piada da vida! O mal humor toma conta do cotidiano! As pessoas parecem cultivar a depressão, a irritação, a impaciência. Qualquer tentativa de você brincar com as coisas e elas já acham que "você não leva a vida a sério", quando na verdade ao contrário, talvez poder brincar com os fatos seja a forma mais séria de encará-las! Não confundam olhar os fatos através do humor, com não encará-los! A maior parte dos "supostos deprimidos" acaba fazendo isso, fica atrás de uma "suposta tristeza", evitando se confrontar com as questões de sua vida! Quer melhor impedimento para não enfrentar os grandes dilemas da vida do que estar imerso em uma profunda depressão que não te deixa pensar em mais nada?! Na medida em que podemos encarar os impasses cotidianos de uma forma mais alegre, acaba ficando mais fácil enfrentar o peso que esta situação traz consigo! Riam, riam da vida, riam de si, é sempre um bom remédio! E se a risada te abandonou, se o bom humor fugiu de você, se a piada já não tem mais graça, procure ajuda! Em última instância, uma boa análise deve te ajudar a recuperar sua capacidade de ver a vida com alegria!!! Valéria Macedo

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

" Saída pela esquerda!"

Ando pensando muito a cerca do movimento que o ser humana faz de evitar perceber as coisas como elas são, só para não ter quer se envolver com elas! Já repararam na dificuldade que temos de às vezes nos confrontarmos com certos aspectos da vida diária?! De enxergarmos nossas parte de responsabilidade sobre questões do cotidiano, pela simples negação ao direito do outro de reivindicar nossa participação no manejo delas! Pensei sobre o assunto durante o final de semana, depois de saber de um caso de uns conhecidos que estavam com uma viagem para o exterior marcada, mas a mulher teve que ir para o hospital fazer um tratamento complicado, nada promissor. Ela parece ter cultivado ao longo da vida uma relação com a família que não é lá essas coisas!!! Mas sua situação é complicada, sua saúde está abalada, a viagem não será mais possível, a família deve esquecer as dificuldades e se unir por uma questão maior, não é mesmo? Não, ledo engano nobre leitor! Não foi isso que pensaram os nada nobres familiares! Parte da família seguiu rumo ao exterior, apenas uma irmã solteira que parecer não ter tido como escapar do fardo ficou para cuidar de tudo!!! Estes maravilhosos familiares, buscaram uma saída rápida, feito um antigo personagem de desenho animado, "leão da montanha" que em qualquer situação de aperto dizia:"SAÍDA PELA ESQUERDA", ou seja, em situação de dificuldade busque uma forma de escapar dela, fuja, corra, não importa se vai ser covardia ou se vai deixar o peso do problema para outro resolver, escape o mais depressa possível, este é o lema!!! O que os outros vão dizer de você? Não importa! O que importa é não se implicar, não se responsabilizar, não se comprometer!!!! Dizem os adeptos desta formar de viver: "a cada vez que o barco estiver afundando, pule fora dele o mais depressa possível!" Certamente, esta maneira de encarar a vida não é nada honrosa ou adulta. Visa apenas a manutenção de seus próprios interesses. Na filosofia antiga perguntaríamos indignados:"Você é um homem ou um rato?" E certamente a resposta seria:" um rato, é claro!" E sem dúvida os ratões acham que estão se dando bem nadando de braçadas em pelo verão europeu! Mas será que é possível viver dessa forma e conseguir que funcione? Esta é a pergunta que não quer calar!!! Claro que não! Sempre temos de nos implicar com nossos atos e relações, de uma forma ou outra!!!! Podemos fazer isso de uma forma simples e honrosa, no caso em questão, ficando e cuidando da mulher, mesmo que esta tenha sido um inferno em sua vida, a final de contas todo inferno que vivemos é escolhido e mantido por nós mesmos seja lá pelo motivo que for, ou seremos obrigados a pagar o preço de nossas ações pelo nosso próprio inconsciente que sempre nos pega em alguma curva da vida, principalmente se a vivemos desta forma inconsequente e pouco comprometida! Moral da estória: vida de RATO, ou melhor dizendo, de LEÃO DA MONTANHA, só funciona em desenho animado onde ninguém morre, sofre, chora ou se arrepende!!! Valéria Macedo

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

'Armazém Psicanalítico"

Este é um espaço destinado a pensar a vida cotidiana de forma leve, simples, bem-humorada! Mas nem por isso sem reflexão ou compromisso!!! Compromisso com o livre pensar, com a alegria de viver, mas também com a adequação à realidade! Coisa, que diga-se de passagem, anda faltando nestes tempos bicos!!! Só à título de elucidação, cito um exemplo: "Estava um conhecido meu num compromisso profissional, foi ao escritório encontrar com um colega,que para seu infortúnio tinha dado uma saída, sem alternativa teve de esperar!!! Neste tempo, uma outra colega chega e vem cumprimentar. Abraça, beija, e só depois de tudo isso, enquanto contava da viagem ao exterior que tinha feito com os filhos, comenta que um deles voltou de lá com a gripe suína!!!! Meu conhecido, quase enfartou, proferiu um imenso discurso que fez com que a colega ficasse desconsertada!!! Falou ela: "Não imaginava que não devia estar beijando e abraçando as pessoas, uma vez que meu filho já está medicado!!!" Como assim?? Não entendo isso?? Como uma pessoa esclarecida não sabe que se o filho está doente ela não deve sair por aí abraçando, beijando e disseminando o vírus da gripe?? Em que planeta essa moça mora??? Aí fica a pergunta: O que acontece com esse povo??Falta de senso de realidade??? Falta de preocupação com o outro??? Falta de vergonha na cara??? Questões que precisam ser pensadas e refletidas, que devem ser enfrentadas com coragem, neurônio e álcool gel, que também ninguém é de ferro!!! Para isso temos agora este espaço:"ARMAZÉM PSICANALÍTICO", o blog que está aí para todos que se sentem indignados com a transformação de nossa vida cotidiana e ordinária em medíocre e sem sentido!!! Sejam todos bem vindos!!! Valéria Macedo,psicanalista e sarcástica nas horas de folga!!! (kkkk)

"A Vida Como Ela É"

Dando continuidade na idéia de que o "mundo pós-moderno",como gostam de dizer os mais rebuscados, está carecendo de uma certa discriminação da realidade,fui assolada por uma absurda situação que claramente exemplifica essa mesma falta de senso de realidade:"No prédio em que moro, há 20 anos, venho observando uma alteração assustadora da realidade! Os cães sempre foram bem vindos, estão permitidos na convenção de condomínio (que eu mesma ajudei a fazer,cachorreira que sou!) para habitarem e circularem pelo condomínio guardadas as devidas regras de boa convivência e segurança! Sempre funcionou, nunca houve problema! Mas, com o advento de um faxineiro, que virou porteiro, que virou zelador (dentro do mais nobre espírito de crescimento social), as coisas para os pobres cãozinhos tem sido difíceis!!! O dito zelador, ñ gosta de cachorro,tem medo, mesmo dos mais dóceis! Resumo da estória, lascou a fazer lobby contra nossos amigos peludos!!!! Implica com tudo, dificulta no que pode, faz pressão de toda forma, e acha que a área atrás do prédio, que já foi um play para as crianças do condomínio e que agora está vazia e possui um gramado que sempre foi utilizado pelos donos de cachorro para levar seus cães para fazer suas necessidades (devidamente recolhidas), ñ pode mais ser usada para esse fim! A boca miúda, corre o boato que ele acha que tal área deve ser ocupada por seu filho e seus amiguinhos, como se fosse o quintal se sua casa! Como faz lobby junto aos mais idosos do prédio, que acreditam poder precisar de seus serviços,a questão vai ganhando força!!!! Para meu espanto, ele possui um papagaio, que diga-se de passagem é muito chato!!! Não ensinaram quase nada para a pobre ave que acaba repetindo desesperadamente meia dúzia de coisas que sabe: OI,NENÊ!; TCHAU,NENÊ!; TECO,TECO,TECO; e por aí fica! Moral da estória, ele ñ aguenta o papagaio! e coloca a dita ave chata para fora da casa dele, na mesma área que ele vive implicando dizendo que os cães ñ podem ficar!!!!!! É ou ñ muita falta de discriminação da realidade???!!!! Inacreditável!!!! Dentro de uma perspectiva psicanalítica mais séria, diria eu: A psicopatologia da vida cotidiana vem a calhar! Sem análise ñ tem solução! Indivíduo que sofre de distúrbio de inveja primária, vai se apropriando de tudo! Do que tem, no que ñ tem, no que nem podia pensar em ter! Mas de repente, pela ação poderosa de um mecanismo psíquico primitivo e agressivo, tudo vai se tornando seu! Mas, como ñ estamos no âmbito do consultório clínico, infelizmente, só rindo! Vou providenciar uma ave de rapina (quem sabe um falcão peregrino?) como animal de estimação, com certeza o zelador ñ vai poder falar nada!! Vou colocar na mesma área, junto do Teco (o papagaio), só ñ sei se ele vai gostar da idéia!!!! Valéria Macedo

"A Vida em Cor de Rosa????"

Tenho pensado sobre uma questão que me foi proposta por uma amiga recentemente: "As vezes vc tem uma forma de enxergar as coisas muito dura, como se fosse pessimista, ou do contra". Fiquei com essa afirmação na cabeça, será que ela tinha razão? Sou pessimista, ou pior, do contra, daquelas que ñ consegue enxergar nada de positivo em nada, ou que sempre contraria tudo o que está colocado só para se opor? A questão ñ me abandonou, e como analista que sou, ñ me furtei a me auto analisar. Do falávamos quando ela me disse isso, procurei relembrar? Na verdade, falávamos de situações de dependência química, onde por muitas vezes as pessoas envolvidas, o dependente,família e amigos, tendem a acreditar em soluções rápidas e fáceis.Ávidos por um recurso externo mágico e milagroso, depositam expectativas no externo,como se ele pudesse garantir o que o interno ñ conseguiu. Por exemplo, é comum que esses sujeitos, frente a possibilidade de uma proposta externa, seja ela de um tratamento miraculoso, um novo relacionamento, uma gravidez ñ programada,depositem nesta proposta toda a esperança que sempre faltou em si mesmos. Todas essas possibilidades já chegam comprometidas, tornam-se as depositarias de uma cobrança de salvação! Que futuro este filho,relacionamento ou tratamento podem ter, uma vez que carregam tal peso? Serem o salvador, o redentor! No caso de um filho a coisa ainda é mais pesada,ele se torna antes mesmo de nascer, aquele que já vem à vida sobre carregado por um fardo: "o de ser o motivo, o desejo, que seu pai ou mãe ñ tem dentro de si mesmo para sair deste caminho de destruição e morte." Difícil começo de vida para esta criança! Foi tudo isso que disse para minha amiga,explicando este meu ponto de vista: "Se a pessoa ñ possui por si mesmo o desejo de buscar a vida, saindo da morte, será que um outro ou outra coisa pode fazer isso por ela?" Trabalho com dependentes químicos em meu consultório e esta é uma questão que se marca incansalvemente: a recuperação só se materializa quando o real desejo do sujeito emerge de dentro para fora! Nada externo é capaz de substituir esse desejo, infelizmente! Entendo minha amiga que pensa que isso pode funcionar, ela apesar de também ser profissional da área e saber destas questões,pode ter se identificado com o desejo de solução efectiva que o assunto propunha . Mas o que me surpreende é sua afirmação sobre minhas colocações! Será que quando nos identificamos com a questão ou estamos envolvidos emocionalmente, mesmo tendo os instrumentos para analisar todos os elementos, conscientes ou ñ de uma situação evitamos esse enfrentamento? Será que a dureza das questões nos impede de enfrentar a REALIDADE das situações? Nessas horas é melhor optar pelo "ÓCULOS COR DE ROSA"? Aí só resta para os que ñ usam deste mecanismo, serem vistos como: "pessimistas, duros, frios, do contra". Você se transforma no "ESTRAGA PRAZERES". Mas será que é mesmo pessimismo ou é apenas realismo??? Tempos difíceis os de hoje em dia! Cada vez mais as pessoas se encapsulam em seus casulos, a realidade parece doer, ofender, agredir! Todos tendem a virar avestruzes, com suas cabeças enfiadas em buracos cavados dentro do chão de suas profundezas psíquicas!!! Lá TUDO é bonito, TUDO é rosa, TUDO dá certo, TUDO é bom, TUDO é prazeroso!!!! Bom seria se a REALIDADE fosse assim! Mas ñ é! Infelizmente ela é bem mais dura, requer investimento, sofrimento, enfrentamento. Contudo, se lhe damos isso que ela nos pede, ela também retribui, afaga com retorno positivo, com conquistas, vitórias, sucessos, alegrias, satisfações e felicidade! Nada eterno, pois eterno, só a morte, mas duradouro o suficiente para nos dar esperança e força para enfrentarmos as próximas desventuras! Valéria Macedo