quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12/12/2012

  Gostaria de tratar de um assunto prosaico... Bem, prosaico na medida em que pretendo falar de algo que creio fazer parte da experiência humana... Prosaico, pois diz respeito à uma questão tão presente nos dias de hoje, que se tornou corriqueira...
   Falarei a cerca da superstição humana... Tão comum, tão inerente à essência humana, presente em todo e qualquer olhar humano...
   12/12/2012... Data interessante... Peculiarmente diferente das outras datas, na medida em que atrai para si uma curiosidade interessante, a repetição do 12...
   Dentro de uma óptica racional, nada que se possa falar à respeito, contudo, dentro de uma visão superticiosa, data significativa, repleta de mistério e sentido...
   Mas, será???... Será possível crer que uma simples repetição numérica esteja repleta de poderes invisíveis, para além do compreensível???...
   Do ponto de vista racional, não, não é possível atribuir poderes especiais à combinações numéricas, astrológicas, ou simbólicas. Nada real indica essa possibilidade, porém, mesmo assim, a mente humana pouco se importa com os dados e probabilidades reais, e recorre à todo tipo de fantasia mágica disponível...
   Ao mesmo tempo, mente espetacular!!! Dotada de racionalidade, objetividade, criatividade!!!
   Mas também capaz de fantasias improváveis, infundadas e até mesmo absurdas!!!!
   Capaz de crer que uma data singular, que matematicamente repete seus números, seja capaz de produzir um efeito extraordinário, para o bem ou para o mau...
   Superstição humana... A crença que o homem possui no mágico, no para além da compreensão, para muito além do concreto...
   Além do imaginário, além do fantasiado, simplesmente materializado no cotidiano humano para acrescentar mistério e magia à vida burocrática que a realidade nos oferece...
   Crença que deriva do sonho humano mais singelo, que propõe que o inesperado, o intangível seja possível de se crer!!!
   Real? Imaginado? Apenas e tão somente sonhado...
   Mais, não é assim que toda vida significativa começa???...
   Uma mãe que sonha um sonho para um novo ser, que sem esse sonho, humano ainda não é... Mª Valéria Macedo.
  

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"A insustentável leveza do ser"

   Tem certos dias que parece que tudo passa a flutuar... Toda uma existência que se torna "sem gravidade", totalmente sem peso, como se a concretude da vida tivesse se perdido e o vácuo tivesse tomado conta...

   Aqueles dias em que você se sente "como que desprovido de corpo", como que vivendo no etéreo de uma vida sem sentido, um espectro de você mesmo, sem mais controle do seu destino... Se é que isso foi  possível em algum momento de sua vida...

  Quando você é arrebatado pelo acaso que te toma de improviso, sem aviso ou preparação... Te lançando num turbilhão sem fim, onde tudo se desgarra dos símbolos antes conhecidos...

   Aqueles dias que te fazem perder o ânimo, a força e a vontade...

   Dias cinzas, frios e úmidos... Um inverno psíquico, repleto do gelo que congela à alma, e petrifica a existência...

   A vida que se solta das amarras da realidade, como que buscando a vastidão do sem fim... Dias sombrios que sugam todas as forças visíveis...

   Mas, de repente, não mais que de repente, um rajo de luz se precipita pela escuridão primordial... É a vida nascendo novamente, frágil e delicada como no começo de todos os tempos... Quando só o breu reinava...

   Força vital, que preenche mente e corpo, num piscar de olhos vivos e ágeis...

   O desejo novamente se refaz, o movimento ganha ação, e o que parecia perdido, ressurge como que do nada...

   Quando você é tomado pelo calor de um verão que se anuncia, no horizonte invernal de sua mente congelada...

   A vontade se reafirma, o ânimo de refaz, a força volta às suas mãos, e novamente você se sente capaz, pronto para uma nova batalha, vivo e altivo, sem deixar que a miséria do universo te domine...

   Você respira fundo... Se preenche com o calor humano que te volteia e se prepara para mais uma jornada... Viagem longa, rumo ao profundo de sua própria existência, onde máscaras não mais encobrirão o que não é verdadeiro, e se lança... Se precipita na possibilidade de um novo ser, frente à uma vida que já não é mais...

   E, para sua surpresa, a vida pulsa novamente... O antes amortecido, ganha nova sensibilidade, ganha nova esperança, ganha nova vitalidade... E você recomeça, como que do início... Pronto para mais uma aventura, onde "a insustentável leveza do ser" te ressuscitasse, sem cobrar nem um centavo por toda uma nova vida... Mª Valéria Macedo.

   Obs: Esta é uma postagem dedicada à todas as pessoas que passam por um momento difícil... Em especial, uma grande amiga que faz sua "Odisséia" pessoal!!! Um beijo no coração...

   

   




   

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Once upon a time...

   Em português:  Era uma vez, um lindo lugar chamado Vale da Fantasia... Fica à direita da Curva da Imaginação, quase que chegando no Morro da Criatividade...   É um vale verdejante, repleto de todas as características mais plenas de beleza e perfeição...   

Neste vale, cada ser humano que dele faz seu lar, sempre experimenta uma imensa sensação de prazer e satisfação, sem se subjugar à frustração!!!   A vida parece ser  bela, feliz e perfeita...   O gozo parece imperar como o grande "senhor das armas"...   O tempo parece se tornar irreal, fornecendo assim, uma imensa sensação de eternidade...   As contradições parecem ser aceitas sem restrições, permitindo assim, ao habitante do Vale da Fantasia, crer que pode fazer e desfazer ao seus bel-prazer!!!   

Os sentimentos mais dolorosos, como angústia, culpa e remorso, parecem ser encerrados nas profundezas do Lago do Recalcamento, lá sendo mantidos adormecidos por supostos milênios...   Com isso, a realidade parece se tornar turva, indistinta e etérea...   Uma gigantesca sensação de onipotência tende a dominar o cenário...   Os sentidos do real já não cabem dentro desta perspetiva...   O senso de identidade vai se diluindo dentro deste mar de fantasia...   

E assim, as amarras que serviam de ancoragem à realidade concreta, ficam afrouxadas...   O ser onipresente, passa a crer que tudo pode...   As ações implicam em reações...   O Vale da Fantasia começa à sofrer as consequências pelas perdas causadas na vida concreta...   O verdejante vale começa a espreitar uma tempestade...   A tormenta devasta a falsa ilusão do vale...   O gozo se materializa na morte...   A identidade, agora, possui feridas que nunca fecharão por completo...   A perfeição, que nunca realmente existiu, agora é fato irrecusável; e o possível está muito mais distante do que deveria...   E desta forma, o Vale da Fantasia está perdido para sempre...  Mª Valéria Macedo


 
   

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Otimismo e pessimismo, dois lados de uma mesma moeda!!!

  No cotidiano do consultório psicanalítico, por vezes, me deparo com uma questão interessante apresentada pelos pacientes, a polarização entre uma visão otimista ou uma pessimista da vida!
Com muita frequência, estas duas forma de se apresentar para o mundo, se mostram extremadas e cristalizadas! Ou o sujeito se apresenta como um otimista, ou como um pessimista!!!

 O otimista é aquele que sempre procura um lado bom da situação, uma forma de enxergar as questões que sempre prioriza a suavidade na forma de encarar os problemas... Sempre tende a olhar com "lentes cor de rosa" os problemas que o assolam!!!
 
O pessimista é aquele que, ao contrário do otimista, sempre olha para o pior lado da situação, suas lentes são sempre acinzentadas, nunca acredita que uma boa resposta se precipitará...
   
De forma muito interessante, na maior parte das vezes, questionar esses posicionamentos é muito difícil, seres refratários a qualquer desequilíbrio em suas visões de mundo. E é esse o grande obstáculo a ter uma destas formas de pensar, o sujeito se congela numa dessas duas posições, sem mais ter acesso a liberdade de mudança, ou enxerga a vida de forma otimista, ou com certeza é um pessimista!!!

  Daí em diante, o indivíduo se torna uma caricatura dessas formas de enxergar o mundo, sem mais conseguir flexibilizar suas posições, e assim se tornando escravo de uma imagem abstrata. Estará fadado ao cumprimento do imperativo que habita os opostos extremados!!! A liberdade de pensamento se esvai na rigidez do "suposto básico"!! Daí em diante, sempre haverá uma cobrança interna extremada que não permitirá que a dialética simbólica se processe.

  O otimista estará fadado a ser aquele que sempre acreditará piamente, que o "acaso lhe protegerá", sem refletir que o acaso sempre joga pela regra dos dados, tendendo sempre para o aleatório... E desta forma, quando os dados não forem favoráveis, só lhe restará a opção de explicar a cadeia de eventos através do inexplicável!!!

  O pessimista estará aprionado em sua própria armadilha, sempre perseguido pela "Lei de Murphy", esquecido no mundo dos que nunca saboreiam o gosto da conquista!!! Sempre agirá de modo a cumprir a profecia do azarado, aquele que nunca vence as adversidades...

  Contudo, a vida é bem mais do que duas posições extremas e radicais, ela é um calendoscópio de possibilidades, que nunca se cristalizam em uma única forma de se expressar!! Essa é sua beleza e mistério, essa é sua natureza flexível!!! Viver é se questionar a cada instante e  ter a possibilidade de sempre mudar de opinião. É poder elaborar o que se aprende, sem preconceitos ou restrições. É crescer e mudar com cada oportunidade que o curso da vida nos dá. É ter coragem para não ser óbvio e previsível na forma de agir!!!

  Coitados os que se ficam estagnados nos extremos, empobrecidos permanecem, sem poder aproveitar da melhor prerrogativa humana: o livre arbitrio!!! Mª Valéria Macedo

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Encontros, desencontros e reencontros na contemporaneidade: Eco e Narciso, a reedição trágica do amor impossível!"

Ao olhar as relações amorosas na contemporâneidade, facilmente observamos uma tendência ao que não encaixa. Repetidas estórias de encontros e desencontros, que tornam o caminho relacional mais árduo e longo. Em alguns casos um reencontro é possível, em outros, ele é negado!

Pensar o fenômeno me agrada, uma possível forma de entender o que eclipsa de forma tão intensa a mais forte tendência libidinal humana. Muito tenho lido e trabalhado dentro desta perspectiva, uma vez que a psicanálise sempre nos possibilita uma via para a compreensão do tortuoso caminho entre o eu e o outro.

Em muitas postagens me dediquei a reflexão de questões narcísicas, contudo o enfoque sempre recaiu mais sobre as relações Eu/Outro, numa dimensão generalista, sem me aprofundar neste veio libidinoso que transforma o campo amoroso.

Contudo, pensar em relação amorosa, sempre nos remete em primeiro lugar, ao obscuro recanto onde o narcisismo reside. Para amar um outro, primeiro precisamos nos discriminar dele, buscarmos nosso contorno pela diferença que o outro nos sugere. E quando não conseguimos realizar essa discriminação, partimos em direção a um outro que na verdade pouco se diferencia de nós mesmos, um outro que talvez apenas reflita nossa própria imagem idealizada, como um espelho mágico que nunca mostra o real, reflete apenas e tão somente uma fantasia aspirada!

Mas, nesta perspectiva, o horizonte que se insinua é ilusório e repleto de frustração. Como no mito grego de Eco e Narciso, a relação não permite que ambos possam se enxergar e se escutar, tudo se resume à ecos e reflexos não discriminados de um desejo amoroso...

A confusão toma conta do cenário, dentro e fora, interno e externo, ego e objeto. O encontro se precipita, porém sem se materializar, ficam apenas as palavras que reverberam o prenúncio do impossível, a identificação com o que está refletido!

Como no mito, as relações da contemporâneidade repetem a tragédia, reencenam a loucura que habita o humano, quando este se fecha dentro da dimensão que se faz par. Ego/Narciso, Deidade que reina implacavelmente, sem dar chance ou lugar ao outro. Defesa última, de um ego aprisionado num estado encapsulado, que o leva a ver o outro como ameaça.

Porém, a medida defensiva é exagerada e acaba for ferir à ele próprio, mitificando seu destino, onde a troca afetiva lhe é negada... Indivíduos temerosos frente ao diferente, presos num encantamento com a perfeição, impedidos do verdadeiro encontro real. Evitam a frustração, mas também a riqueza de uma dimensão Sujeito/Outro, permanecendo desta forma, numa dimensão Ego/Narciso.

Estórias mitopoética que reproduzem encontros e desencontros, onde os enamorados permanecem sempre juntos,mas eternamente separados, à espera que um dia a profecia não se cumpra: "Se eles não se virem a si mesmos"!!! Mª Valéria Macedo