segunda-feira, 25 de outubro de 2010

" A Vida Por Um Fio"

A vida é algo estranhamente engraçado. Por um lado, sempre temos a sensação de uma continuidade que nos leva a acreditar numa noção de tempo e espaço, onde nos sentimos capazes de estarmos cercados por certezas que nos garantem pertinência. É aquela sensação de estarmos em uma realidade familiar, onde a rotina que nos circunda parece sempre se repetir, trazendo consigo "um que" de estabilidade para nossas mentes pueris! Com isso, tendemos a criar fantasias protetoras que reafirmam no cotidiano, nossas esperanças infantis, fazendo com que desta forma vivamos a vida sempre a contar com o acaso! Para muitos, a suave lufada dos ventos da boa fortuna, agraciam suas existências, garantindo pela ação do mero acaso, a manutenção dessas fantasias pueris. Contudo, para outros tantos, o acaso não vem contar boas estórias ao final do dia, e essa sensação estável, por vezes, se desfaz em instantes! Como com alguns conhecidos, que nesse final de semana, foram tomados pelos ventos gélidos do infortúnio. O filho adolescente, jovem pacato e centrado, como todo rapaz de seu tempo, vai a uma balada com os amigos no final de semana. Noite de sábado, balada boa, tudo corre bem. Porém, na saída, um dos amigos é provocado por um rapaz de uma outra turma e responde a provocação. A briga começa, o jovem meu conhecido, intervém na defesa do amigo, entra na confusão e acaba levando a pior! Fim da festa, fim da madrugada, e pais tendo de ir desesperados para o hospital, pois seus filhos tinham dado entrada muito machucados! O jovem pacato, levou vários socos e pontapés no rosto, e com isso, teve o osso da face fraturado, necessitando de cirurgia e placa. A órbita ocular sofreu múltiplas fraturas, e por sorte, não perdeu a visão. A mãe, muito angustiada, ao relatar o acontecido, ainda destaca "que no final das contas ele teve sorte, pois está vivo"! No dia anterior, era um jovem pacato que levava uma vida tranquila, onde um fato como esse não cabia ser pensado em sua realidade. Hoje, é um jovem machucado, por fora, e provavelmente por dentro, pela imensa violência destes tempos difíceis que a pós-modernidade nos oferece! O que cabe agora? Aprender com a experiência, superar o trauma, elaborar a dor e seguir em frente, buscando desviar de outras possíveis colisões com o inesperado, tendo sempre a dimensão de que a vida é perene. Basta um instante e toda uma percepção da realidade se altera, trazendo sempre consigo uma única certeza, a de que a vida é impossível de ser controlada!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Formar, Acreditar e Realizar"

Ando observando muito nestes últimos tempos, o modo pelo qual as pessoas se desenvolvem na vida. O desenvolvimento pessoal, passa por todo um processo, dentro do qual o indivíduo investe sua energia em um potencial pessoal. Para tanto, deve se aprofundar, estudar, se formar dentro daquela vocação. Ao mesmo tempo que, enquanto se aprofunda, deve ganhar experiência, prática, vivência, utilizando todos os recursos que estiverem ao seu dispor. Porém, apenas isso, não basta! Também é necessário que a pessoa acredite em si, em sua vocação, em seu percurso, em todo o caminho de sua formação que percorreu até ali! E assim, chega o tempo da realização, o tempo de colher os louros pelo investimento feito, por todo tempo e energia gasta para completar a jornada. O único problema deste raciocínio todo é que esse caminho não é linear, pois muitos são os obstáculos que dificultam a jornada! Por vezes, será necessário retroceder, refazer etapas, aguardar em compasso de espera. Há de se ter paciência, perserverânça, insistência. E acima de tudo, sempre, é necessário acreditar! Acreditar em si, no seu caminho, na sua formação, na sua experiência, na sua verdade, pois o "suposto básico" sempre virá minar a fé interna do indivíduo! Este, que se camufla de grupo social, profissional, pessoal, mas que está mais para "horda primitiva", tem horror a realização do singular! Ataca antes mesmo de perguntar, como se o uno fosse ameaça à sua existência! Assim, a cada demonstração que o indivíduo faz de seus recursos, este são agredidos, diminuídos, menosprezados, como se nada fossem! Neste momento é natural hesitar, sucumbir momentaneamente a pressão do "suposto básico". Contudo, passada a sensação inicial de descrédito, o indivíduo deve se voltar para dentro de si, buscar seus mais profundos signos, aqueles capazes de trazer de volta a fé, a coragem, a força interna. E então, mais uma vez acreditar em si, no caminho que lhe formou, e a partir daí, voltar para a vida em busca de novas realizações! Quando a verdade interna nos acompanha, podemos "andar com fé, pois a fé não costuma falhar!" Valéria Macedo.