segunda-feira, 17 de junho de 2013

Primavera Árabe... Outono Brasileiro...

       Em meus posts tento sempre pensar sobre os processos inconscientes que motivam o ser humano, tanto no âmbito individual, como no âmbito coletivo. E frente aos últimos acontecimentos, não posso deixar de refletir sobre o assunto.
     A semana que passou foi marcada por uma série de protestos que tomaram as ruas brasileiras... A onda se iniciou pela questão do aumento da tarifa de ônibus, perpassando pela indignação com as obras faraônicas dos estádios da copa e culminou na questão da tentativa de proibição da livre expressão popular.
     Os protestos começaram de forma pacata, mas, na medida em que a força repressiva se intensificou no sentido de calar a voz popular, eles começaram a ganhar força, indignação e de forma contagiosa se espalharam por todo o país, desembocando numa tomada de consciência geral acerca da verdadeira situação nacional...
     O povo brasileiro, dito como acomodado, passivo e incapaz de ativamente se colocar no cenário social, de tempos em tempos, mostra que essa descrição não é expressão da  realidade de sua natureza... Sem dúvida, é um povo otimista que muitas vezes opta pelo viver de forma a ressaltar os aspectos positivos, ao invés de se embater com os negativos, contudo, de forma alguma é um povo alienado ou desengajado. 
     Todas as vezes que se sentiu ultrajado pelos desmandos e desrespeitos cometidos por algum grupo que intencionava acobertar as vantagens escusas que desonestamente tentavam implementar, "o gigante adormecido", despertou para mostrar sua revolta e indignação... 
     Entretanto, o que estaria na base deste comportamento pouco combativo do povo brasileiro, que desemboca nessa percepção errônea de nossa natureza? Seria uma herança de nossa colonização, que parece mais ter fomentado uma cultura infantilizada, que tende a esperar que "alguma figura de autoridade" venha dizer qual caminho devemos seguir? Essa, entre outras, poderia ser uma das hipótese que respondesse por nossa constante outorga de nosso direito a escolhas e decisões, à um outro que é colocado no lugar de um suposto saber... Uma dificuldade coletiva de assumir os riscos e as consequências por nossas atitudes, que acaba por nos colocar como espectadores de nossa estória, só nos cabendo seguir em frente de forma resiliente e silenciosa, como se passivos fossemos... 
     Contudo, mesmo que essas possibilidades sejam pertinentes, tudo tem limite, inclusive nossas fragilidades. E quando o ponto de virada é alcançado, nos levantamos frente à opressão, exigindo nossos direitos mais legítimos de expressão e participação na condução da nossa nação!!!
     Podemos ainda não estar no florescer de um novo tempo, de uma nova vida, como vemos na "Primavera Árabe", no entanto, o renascer das flores só começa pela "caída das folhas velhas e mortas" que o "Outono Brasileiro" parece promover... Acorda Brasil!!!! Mª Valéria Macedo