domingo, 13 de dezembro de 2009

" Limitações, difícil reconhecê-las?!"

Tenho refletido bastante acerca da dificuldade que nós, seres humanos, temos de nos deparar com as limitações que a vida nos impõe. Sem dúvida, encarar as coisas enxergando logo de cara as limitações que elas tem, não é fácil! Não questiono o fato, de que é bem mais afável, olharmos para as possibilidades em primeiro lugar. É mais otimista e leve. Faz com que sejamos mais benevolentes com a vida. Ela se torna mais bonita e esperançosa. Contudo, mais cedo ou mais tarde, teremos de nos deparar com as limitações, que essas mesmas coisas também possuem. Tudo na vida tem dois lados, um repleto de possibilidades, qualidades, bondades; e outro, com limitações, defeitos, maldades. E faz parte do processo de viver, ter de dar conta dos dois lados. O lado positivo, nos faz olhar para frente, para um horizonte cheio de aberturas. O lado negativo, nos impõe os limites que nos obrigam a refletir sobre a realidade e nossa implicação com ela. Dentro deste cenário, existem os que são chamados de otimistas, aqueles que preferem lidar primeiro com o lado positivo, para depois tratar do lado negativo. E existem aqueles, chamados de pessimistas, que primeiro se ocupam do lado negativo, para mais tarde se ocuparem com o lado positivo. Ambas as formas de viver são válidas, pois cada uma a sua maneira, encaram os dois lados da mesma moeda que é a vida. Os chamados otimistas, alegam que é melhor lidar primeiro com o lado positivo, assim se fortalecem para depois encararem o lado negativo, que desgasta mais. Os chamados pessimistas, ressaltam que é preferível logo se deparar com o lado negativo, para depois relaxar ao se encontrar com o lado positivo, que dá um alento a realidade que foi duramente marcada pelo embate anterior. Na prática, ambos lidam com os dois lados, ambos "fazem seus deveres de casa". Mas, existe um certo número de pessoas, número este, que a cada dia cresce mais, que só quer lidar com o lado positivo. É óbvio, que seria ótimo se pudéssemos fazer isso! Encarar apenas, e tão somente, as coisas boas e afáveis. Ver apenas as qualidades e possibilidades das coisas. Deixar de lado os defeitos e limitações. Ignorar as impossibilidades ou nossos erros. Mas, será que isso é possível? A vida seria muito mais fácil, se assim fosse. No entanto, sabemos que não nos é dada essa possibilidades. Faz parte do viver lidar com os dois lados! Então, devemos perguntar: como eles conseguem? Bem, a resposta é simples: eles não conseguem! Por mais que tentem, em algum momento terão de se deparar com o lado negativo! Ficam apenas, postergando esse momento, tentando driblar a vida, tentando alcançar o impossível! Quase sempre, essas manobras acabam por trazer mais dor, sofrimento e limitações à essas pessoas, do que se tivessem encarado esse lado no momento adequado. O golpe de mestre se desfaz, o castelo de areia é levado pelo mar, e a realidade de impõe, de forma dura e implacável. Resumo da ópera: fingir que as limitações e problemas da vida não existem, não adianta nada. Isso só complica o que poderia ser mais simples. Nos coloca frente a limites ainda mais duros e difíceis de se encarar. Por outro lado, ao nos depararmos com o lado negativo das coisas, mostramos uma capacidade de enfrentar as adversidades, de resolver problemas, de nos responsabilizar por nossas escolhas. Essa parte dolorosa, se assim enfrentada, nos faz crescer e amadurecer. Nos garante flexibilidade e plasticidade psíquica, que com certeza nos encaminhará para uma nova gama de possilidades bem maior, de sucesso e realização! Valéria Macedo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

" A Psique e o Destino!"

Tenho sido constantemente, no âmbito profissional e pessoal, indagada acerca do "destino". Bem, uma vez que sou psicanalista, parece que todos acreditam que tenho uma explicação geral para fornecer sobre diversas situações, que esses indivíduos atribuem à "obra do destino". Isso tem sido tão frequente e intenso, e ao mesmo tempo, tão refratário a qualquer interpretação psicanalítica, que tende a buscar a implicação daquele indivíduo específico ao evento, que resolvi escrever um post sobre o tema! A maioria desses sujeitos, relata circunstâncias onde se vêem lutando para alcançar um determinado objetivo, mas sempre sendo derrotados por essa força maior que denominam de "destino". Na grande maioria dos casos, os relatos se concentram em batalhas pessoais que cada um quer conquistar, para poder ascender à uma situação diferenciada. Os temas são os mais variados possíveis, desde o profissional, passando pelo relacional, chegando em aspectos individuais. É como se as pessoas se sentissem "nadando contra a maré". Por um lado estabelecem objetivos e parecem empreender esforços para alcançá-los, mas por outro, é como se sentissem que por mais força e empenho que tenham, "há algo mais forte" que impede que eles cheguem à termo. Quase sempre, essas pessoas nominam essa "força maior" de destino, e vêem em busca de uma explicação que dê conta do porquê essa suposta força se opõe à seus intuitos! De modo geral, podemos questionar uma série de coisas que poderiam colocar em xeque essa "verdadeira intenção" do indivíduo em questão: será que ele realmente estabeleceu uma meta à alcançar? Será que essa meta é tangível? Será que os meios utilizados pelo sujeito são adequados para empreender sua jornada? Todas essas questões se relacionam ao sujeito, seu desejo, seu mecanismo de funcionamento mental, sua expectativa inconsciente. Mas parece que esses possíveis caminhos explicativos são incomodos, e as pessoas parecem preferir atribuir o fracasso ao "suposto destino". Este não pode reclamar se for responsabilizado por alguma coisa de forma injusta! As explicações individuais demandam responsabilidades, implicações, esforço, sofrimento. Já o "malfadado destino", este não discute sua culpa e acaba por colocar um ponto final no assunto! Não existe como questionar o "destino"! Desta forma, as pessoas vão se cristalizando em jeitos mal equacionados de funcionar, de lidar com as questões da vida, e assim, vão permanecendo na errância e atribuindo responsabilidade ao "pobre coitado destino"! Pena, pois se tivesse força para enfrentar suas limitações, seus mecanismos neuróticos, suas próprias sabotagens, poderiam, aí sim, "mudar seu próprio destino"! Valéria Macedo