A semana que se passou, me fez refletir a cerca da fragilidade da vida! De uma certa forma, a vida da minha família foi atravessada pelo imponderável! De repente, o que era certo, o que estava em seu curso, perde a rota, e é lançado na infindável incerteza do não sabido. Somos acometidos por um fluxo de insegurança e desespero, em virtude da nossa dificuldade psiquica de elaborar a natureza incerta de nossa existência.
Mas, qual seria a razão para nossa mente tentar evitar o inevitável? Tal fato parece ser decorrência da imaturidade mental com a qual nascemos, no início da vida o aparelho mental não está preparado para lidar como o vazio, a psique tenta sempre preencher o buraco onde o nada se presentifica.
Desta forma, uma das tarefas do nosso amadurecimento mental é ir aprendendo a como digerir essa realidade inexorável. A princípio, a psique irá preencher os vazios com algum sentido que se apresente para camuflar o que não pode ser visto! Assim, a vida começa a ser sentida como se ela fosse certa, estável e garantida. Criamos uma ilusão, que falsamente nos fornece uma sensação de segurança, como se a vida não fosse imprevista!
Daí em diante, de posse dessa sensação, vamos seguindo rumo ao desconhecido como se ele fosse nosso velho amigo! Desenvolvemos uma rotina cotidiana que nos garante uma percepção de continuidade, de reconhecimento de nós mesmos e do que nos cerca, uma vez que sem isso, viver seria uma experiência psicótica.
Para garantir nossa vida mental, colocamos no lugar do desamparo e do vazio, a fantasia de segurança, controle e continuidade, e com esse expediente vamos sendo progressivamente capazes de ir enfrentando o imponderável quando ele nos atinge.
Porém, esse enfrentamento não é simples, devemos processar cada experiência de descontinuidade da vida, através de processos mentais complexos, tais como a elaboração do luto que é provocado quando a realidade que nos pertencia, desaparece no vácuo da nossa impotência! Trabalho de Hércules, quando temos de descer às profundezas do Hades para resgatar nossa alma adormecida!
Contudo, com o atravessar dessas experiências, vamos ressurgindo do fundo desse poço escuro, com mais força, mais maturidade e capacidade de resignificar nossas vidas. E desta forma, podemos então perceber, que a perda não dá fim a nossa realidade, ela apenas nos força a transformá-la! Mª Valéria Macedo