sábado, 23 de julho de 2011

"Quando a vida pesa, a morte se precipita!"

Tarde de sábado, aproveito o dia, que apesar de mostrar o sol no meio de nuvens, está frio e estranho. Um vento gélido faz as árvores ao redor da minha casa provocarem um som bucólico, como se a melancolia tomasse conta do dia!

Brinco com os cães no jardim, contudo, eles mesmos se incomodam com o ar frio e o barulho esquisito da árvores.

Entro em casa, vou até o computador e vejo apenas a manchete: Amy Winehouse tinha sido encontrada morta!

Ligo a T.V atrás de mais informação e o noticiário começa a dar detalhes, encontrada morta em sua casa, sem denotar uma causa óbvia! Porém, parece que não há surpresa, não há choque, é como se todos já soubesse que isso iria acontecer...

Notícias chocantes vem á tona, uma bolsa de apostas britânicas mantinha Amy em sua lista!!! A grande aposta era que Amy morreria até 2012! Quem apostou em 2011 ganhou mais dinheiro do que a maioria...

Entretanto, mais do que mórbidas, as notícias falam de algo que se via, se sentia, se apostava. Falam de uma observação que se precipitava pela estória de vida que a artista escrevia. Uma vida repleta de altos e baixos, lances de genialidade seguidos de momentos degradantes. Um show auto-destrutivo, televisionado para o Mundo todo acompanhar de forma sádica!

A vida que parece ser pesada e sofrida em excesso, a fragilidade mental de alguém que não consegue emergir das profundezas do inferno subjetivo que habitava. E que tentava então, se alienar, no topor da droga, procurando fugir da dor, da loucura que dominava sua existência!

A vida que extrapola o campo pessoal e passa a pertencer ao grupo, empresários, gravadora, fãs... Grupo tirano que como a horda primitiva, não permite pausa, fraqueza ou sensibilidade. Exige tudo, sem nada dar...

O que era a vida de uma pessoa, se torna propriedade pública, tanto para a fama, quanto para a decadência. A vida pesa, a morte se anuncia!

Como outros tantos antes dela, a deteriorização se acelera e a catástrofe está anunciada!

Vida perene, vida brilhante, vida sofrida que se desfaz como um castelo de areia, retornando a água primordial da qual surgiu!

Tempos estranhos, século decadente. E mais uma vida se vai no nada que impera nesses tempos enlouquecidos!

Fica a obra, fica a tragédia, fica o sofrimento estampado nas páginas dos tablóides mundiais...

Todavia, tomara que também fique a lição para ser aprendida por todos: Viver dá trabalho, provoca dor e angústia, sem dar a opção de usar alienação como escape para o vazio!

Mª Valéria Macedo