Tenho observado, nestes últimos tempos, a peculiar forma de relação entre pais e filhos! O nascimento de uma família também carrega consigo uma série de funções e papéis que deverão ser executados ao longo da existência do núcleo familiar. Com a chegada dos filhos, os pais também serão introduzidos nesta nova forma de relacionamento, onde daí em diante, estarão definitivamente implicados. A grande tarefa parental será de cuidar, formar, educar e prover. É uma imensa responsabilidade que se precipita sobre os ombros do inexperiente casal! Cuidar, envolve a qualidade das relações afetivas que serão estabelicidas. É bem mais do que dar banho, brincar, conversar ou dar de comer. Na verdade, é isso e muito mais. É fazer tudo isso com amor, carinho, generosidade. Formar, envolve o outro lado da moeda, é dar também modelos, limites, valores, responsabilidades. Educar, envolve a preparação para o mundo adulto propriamente dito, preparar o filho para dar conta de se bastar e bancar quando a vida adulta chegar. E por último, porém não menos importante, prover, que demanda dos pais o meio de sustento do filho, até que ele esteja em condição de se manter. Em tese, todo casal, parece ter essas questões na mente, de forma clara, quando decidem fazer essa jornada. Contudo, o que está claro em nossa consciência, não necessariamente está também no inconsciente, uma vez que todas essas funções que descrevi, são executadas pela consciência, porém sempre influenciadas pelas questões inconsciente, que as atravessam. Mais o que isso quer dizer? Na prática, quer dizer que todas essas funções não serão cumpridas apenas pelas regras racionais e lógicas de nossa consciencia, mas sim, realizadas a partir do reflexo de nossos conflitos inconscientes. E, é daí em diante, que as encrencas começam, pois muitas vezes essas influências inconsciente direcionam a forma de executar desta funções, de modo quase que contrário às nossas intenções conscientes. Por essa razão, a arte de criar e deixar crescer um filho, se torna tão árdua! É necessário redobrar a atenção, vigiar nossas ações, refletir acerca de nossas posições, pois o que passarmos servirá de molde para esta nova personalide que se forma. Ela é uma esponja que absorve tudo que fazemos, dizemos ou demonstramos. E quase sempre, resultará num espelho daquilo que, querendo ou não, modelamos! Difícil arte! Árdua jornada! Porém, bela oportunidade de ajudar a construir uma nova personalidade, mesmo que através do rever e resignificar a nossa própria existência! Mª Valéria Macedo
Bem Vindos ao Armazém Psicanalítico! Armazém, uma vez que este blog se propõe a ser um espaço que disponibiliza elementos de fácil entendimento para a reflexão da vida cotidiana,como em um armazém onde encontramos de tudo um pouco de forma rápida e simples. Psicanalítico, uma vez que também se vale desta fonte teórica como matéria prima para a elaboração dos elemento simbólicos à disposição para as trocas criativas que espero que este espaço fomente! Sintam-se à vontade!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
" A Vida Por Um Fio"
A vida é algo estranhamente engraçado. Por um lado, sempre temos a sensação de uma continuidade que nos leva a acreditar numa noção de tempo e espaço, onde nos sentimos capazes de estarmos cercados por certezas que nos garantem pertinência. É aquela sensação de estarmos em uma realidade familiar, onde a rotina que nos circunda parece sempre se repetir, trazendo consigo "um que" de estabilidade para nossas mentes pueris! Com isso, tendemos a criar fantasias protetoras que reafirmam no cotidiano, nossas esperanças infantis, fazendo com que desta forma vivamos a vida sempre a contar com o acaso! Para muitos, a suave lufada dos ventos da boa fortuna, agraciam suas existências, garantindo pela ação do mero acaso, a manutenção dessas fantasias pueris. Contudo, para outros tantos, o acaso não vem contar boas estórias ao final do dia, e essa sensação estável, por vezes, se desfaz em instantes! Como com alguns conhecidos, que nesse final de semana, foram tomados pelos ventos gélidos do infortúnio. O filho adolescente, jovem pacato e centrado, como todo rapaz de seu tempo, vai a uma balada com os amigos no final de semana. Noite de sábado, balada boa, tudo corre bem. Porém, na saída, um dos amigos é provocado por um rapaz de uma outra turma e responde a provocação. A briga começa, o jovem meu conhecido, intervém na defesa do amigo, entra na confusão e acaba levando a pior! Fim da festa, fim da madrugada, e pais tendo de ir desesperados para o hospital, pois seus filhos tinham dado entrada muito machucados! O jovem pacato, levou vários socos e pontapés no rosto, e com isso, teve o osso da face fraturado, necessitando de cirurgia e placa. A órbita ocular sofreu múltiplas fraturas, e por sorte, não perdeu a visão. A mãe, muito angustiada, ao relatar o acontecido, ainda destaca "que no final das contas ele teve sorte, pois está vivo"! No dia anterior, era um jovem pacato que levava uma vida tranquila, onde um fato como esse não cabia ser pensado em sua realidade. Hoje, é um jovem machucado, por fora, e provavelmente por dentro, pela imensa violência destes tempos difíceis que a pós-modernidade nos oferece! O que cabe agora? Aprender com a experiência, superar o trauma, elaborar a dor e seguir em frente, buscando desviar de outras possíveis colisões com o inesperado, tendo sempre a dimensão de que a vida é perene. Basta um instante e toda uma percepção da realidade se altera, trazendo sempre consigo uma única certeza, a de que a vida é impossível de ser controlada!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
"Formar, Acreditar e Realizar"
Ando observando muito nestes últimos tempos, o modo pelo qual as pessoas se desenvolvem na vida. O desenvolvimento pessoal, passa por todo um processo, dentro do qual o indivíduo investe sua energia em um potencial pessoal. Para tanto, deve se aprofundar, estudar, se formar dentro daquela vocação. Ao mesmo tempo que, enquanto se aprofunda, deve ganhar experiência, prática, vivência, utilizando todos os recursos que estiverem ao seu dispor. Porém, apenas isso, não basta! Também é necessário que a pessoa acredite em si, em sua vocação, em seu percurso, em todo o caminho de sua formação que percorreu até ali! E assim, chega o tempo da realização, o tempo de colher os louros pelo investimento feito, por todo tempo e energia gasta para completar a jornada. O único problema deste raciocínio todo é que esse caminho não é linear, pois muitos são os obstáculos que dificultam a jornada! Por vezes, será necessário retroceder, refazer etapas, aguardar em compasso de espera. Há de se ter paciência, perserverânça, insistência. E acima de tudo, sempre, é necessário acreditar! Acreditar em si, no seu caminho, na sua formação, na sua experiência, na sua verdade, pois o "suposto básico" sempre virá minar a fé interna do indivíduo! Este, que se camufla de grupo social, profissional, pessoal, mas que está mais para "horda primitiva", tem horror a realização do singular! Ataca antes mesmo de perguntar, como se o uno fosse ameaça à sua existência! Assim, a cada demonstração que o indivíduo faz de seus recursos, este são agredidos, diminuídos, menosprezados, como se nada fossem! Neste momento é natural hesitar, sucumbir momentaneamente a pressão do "suposto básico". Contudo, passada a sensação inicial de descrédito, o indivíduo deve se voltar para dentro de si, buscar seus mais profundos signos, aqueles capazes de trazer de volta a fé, a coragem, a força interna. E então, mais uma vez acreditar em si, no caminho que lhe formou, e a partir daí, voltar para a vida em busca de novas realizações! Quando a verdade interna nos acompanha, podemos "andar com fé, pois a fé não costuma falhar!" Valéria Macedo.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
" Seriam os Deuses Astronautas?"
Este mês o canal History Channel está apresentando "a semana do desconhecido", programas exibidos sempre a partir das 21h, e que tratam da questão da existencia ou não, de vida inteligente fora de nosso planeta. Todos os programas, tentam tratar desta questão a partir da ótica das "supostas provas" que existiriam em nosso planeta, que comprovassem a passagem dos aliens por aqui, fato que se comprovado, também comprovaria a própria existencia de vida inteligente fora da Terra! Nesta perspectiva, os alienigenas seriam "astronautas espaciais" que já teriam visitado a Terra, bem como deixado suas marcas e conhecimentos! Para traçar essa correlação, os especialistas que participam do programa, tentam traçar um fio condutor que vai, desde construções de civilizações anteriores à egipcia, até os desenhos formados em plantações espalhadas pelo globo. Acreditam que todas essas manifestações não seriam obra dos seres humanos, uma vez que quando foram feitas, nossa espécie não teria conhecimento e desenvolvimento tecnológico suficiente para sozinha as realizar. Abordam construções que passam pela "lenda das caveiras de cristal" encontradas em Belize, as pirâmides do Egito, as "Linhas de Nazca" no Perú, às pirâmides maias de Tical e Palenque, onde se encontrou o "famoso calendário maia". A partir deste enfoque, a crença é de que essas construções não poderiam ter sido realizadas somente por humanos, uma vez que necessitavam para ser construidas de tecnologia muito mais avançada da que era disponível na época, e portanto, suas realizações comprovam que essa tecnologia deve ter sido fornecida aos antigos humanos por civilizações extraterrestres muito mais avançadas. Porém, caros leitores, vocês podem estar se perguntando: o que isso tudo tem a ver com o "armazempsicanalitico"? Bem, creio que duas questões devem ser colocadas, a primeira diz respeito ao fato de que não descarto a possibilidade do Universo possuir vida inteligente, uma vez que ele é infinitamente grande e complexo, e seria muita arrogância e narcisismo de minha parte, refutar essa possibilidade! A segunda, diz respeito a questão que quero tratar, a partir de indagações que se abriram em minha mente ao assistir esses programas! Qual a razão de tantas pessoas serem tomadas pela complexa e longa batalha de argumentos entre partidários da crença na vida inteligente fora da Terra e os que não aceitam essa primissa? Me parece que se localiza na encruzilhada entre ciência e religião! Por um lado, os partidários de um "suposto ponto de vista científico", que tentam explicar nossa origem a partir de uma complexa rede de suportes teóricos que se apoiam nas questões do Universo, e todas as possibilidades que se abrem através delas. Por outro lado, os que colocam os princípios religiosos como a motivação humana para várias manifestações humanas. Contudo, creio que em ambos os casos, as duas abordagens nos remetem a um só lugar,a necessidade de encontrarmos explicações para o desconhecido! Será que seriamos mesmos capazes de desenvolver todas as tecnologias, teorias, artes, e crenças, por nós mesmos, sem a ajuda nem de um "Divino", nem de um "ser mais avançado"? O que está em questão aqui, me parece ser a dificuldade humana de lidar com a sua própria finitude, seu desamparo frente ao acaso! Achar explicações nos coloca num patamar onde delegamos a um "outro", astronauta ou deidade, que se torna o responsável por nossas decisões. Descartamos nossa responsabilidade frente ao que criamos, e inventamos explicações para sustentar essa hipótese! Divindades espirituais ou astronautas extraterrestres, a eles imputamos o poder, de ser e fazer. Deste modo, a existência humana fica mais leve, mais desobrigada de peso. Voltamos a nos sentir "crianças" submetidas à autoridade de um ser superior! E como se isso fosse possível, vamos nos iludindo com nossas próprias teorias, e assim, nos sentindo menos solitários! Mas,será mesmo???!!!Mª Valéria Macedo
quarta-feira, 23 de junho de 2010
"O Preço das Amizades!"
Por diversas vezes falei aqui sobre as dificuldades que observo nesse mundo contemporâneo! Já explorei as questões narcísicas, as defesas paranóides, as personalidades perversas... Quanta patologia! Mundo difícil, cultura pobre, civilização doente! Hoje gostaria de abordar outro aspecto desta cultura contemporânea estranha!!! A superficialidade que domina as relações de amizade! Antigamente, ter amigos era um bem precioso, que se preservava a qualquer custo. Me lembro da expressão, muitas vezes usada por minha mãe, que pregava: "Amigo de verdade se leva para a vida toda!" E era assim mesmo, não se tinha muitos, mas eram verdadeiros e para toda a vida! Estavam lá, a qualquer momento que fosse necessário, para o bem ou para o mal, se podia contar com um amigo. Mas, hoje, parece que as coisas mudaram. É fácil as pessoas chamarem de amigo qualquer um que acabaram de conhecer, e se vangloriar de uma legião de "amigos". Redes sociais criam uma verdadeira fábrica de novos amigos, e através delas, todos ficam amigos de todos, e se gabam de terem mil, dois mil, amigos na rede!!! Só que aí, fico eu pensando cá com meus botões, isso é amizade de verdade? Qualquer um desses irá te socorrer em alguma situação de aperto? Provavelmente a resposta é desanimadora! Contudo, esses, já se sabia, não eram "amigos de verdade", eram apenas conhecidos virtuais, que servirão só para você se orgulhar com uma ilusão passageira. Entretanto, essa banalização da amizade, não se restringe ao campo virtual, ela também afeta as relações reais. Transforma aquilo que era verdadeiro, genuíno, em algo superficial e de ocasião. A amizade ganha um valor mercantil, quanto mais se pode ter benefícios a partir dela, mais ela durará! Já não se pode acreditar que esse suposto amigo, irá realmente "estar lá para o que der e vier"! Na verdade, cada vez mais as pessoas estão solitárias, por mais que na aparência estejam cercadas por inúmeros "amigos"! A ilusão permanece, enquanto você puder oferecer vantagens e ganhos, mais ao menor sinal de dificuldade, ela cai por terra. Estranho século narcisista! Nos faz padecer, indiscriminadamente de solidão e pobreza afetiva! Mas será que não devemos lutar contra isso? Será que não temos a possibilidade de mudar esse estado de coisas? A final de contas, somos Seres Humanos, ou apenas Animais Racionais???!!!! Valéria Macedo.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
"Crescimento e Separação"

Na última postagem falei sobre o crescimento que se dá a partir do encontro com o desejo, com a vocação, mesmo que isso leve ao confronto com medos e fantasmas que, por vez assustam o indivíduo. Aquela que se faz pela alegria da descoberta do que se quer e pela ilusão de que se é invencível a partir dela! Hoje, gostaria de falar de uma outra forma de crescimento, aquela que se processa pela separação. Existem outros tipos de psique, que de forma diferente destas que destaquei na postagem da semana passada, não tem "um grande encontro com o desejo"! Essas pessoas "são puro desejo ambulantes"! São uma grande explosão de cor, calor, energia, alegria, simpatia! Vivem no presente, de forma intensa, se tornando motivo de alegria e animação dos outros! Pessoas generosas, não poupam nem uma gota de suas forças psíquicas para animar, motivar aos que estão ao seu lado. Sua motivação, é motivar o outro! Parecem não ter medo, vergonha, dificuldade com nada. Mas, isso é mera fachada, que se deriva do fato de simplesmente nunca terem perdido tempo suficiente consigo mesmos para poder se conhecer! Não conhecem seus medos, nem suas dificuldades, nem seus desejos ou vocações! Até então, viviam como se suas vidas fossem dedicadas aos outros, a festejar a vida com esses "outros"! Por isso mesmo, se magoam fácil, ao menor sinal de descaso. Mas, poderíamos indagar, qual a causa disto? Eles não tem desejos próprios? Vocações pessoais? A resposta, com certeza será: claro quem tem, só ainda não sabem! Só não tiveram coragem, não acreditaram o suficiente neles próprios para descobrir isso. E assim, na ignorância de si mesmos, ficarão se não tiverem nenhum fato selecionado que lhes provoquem a mudança do curso da vida. Contudo, se sofrerem a colisão com esta situação de vida inesperada, que a princípio, pode parecer dura, ou até injusta, podem ter a oportunidade de se transformar. Podem começar a vislumbrar uma nova aurora para sua existência. Um renascer, a partir da separação daqueles que lhe completavam, mas que sem intenção sombreavam sua vista. Então, agora, uno, solitário em essência, deverá se lançar a uma nova empreitada, a de se auto-conhecer, se reinventar, descobrindo seus verdadeiros potenciais. Neste novo momento, todas as suas capacidades serão testadas, todas as suas habilidades serão solicitadas, toda a criatividade e flexibilidade, que tanto lhe ajudaram a festejar os outros, agora deverão ser suas companheiras fiéis de jornada. E assim, por outros caminhos, será possível se reencontrar, transformado, com os outros, para um novo começo, cheio de novas descobertas e alegrias! P.S: Esta é uma postagem dedicada a meu outro sobrinho, Guilherme, que ficou para fazer "a grande viagem ao centro do self"! "A pedidos de todos": fica gui! Tia Vá.
terça-feira, 18 de maio de 2010
" Nas Profundezas da Castelo de Grayskull: Onde Meninos Viram Homens!"

Já tratei do que denominei de "geração He-Man", aquela que fica aprisionada nas questões da forma, pouco compreendendo o conteúdo das situações vividas! Jovens aflitos num mundo de ilusões que prometem tudo, sem no entanto, oferecer nada. Amedrontados com o que vislumbram no alvorecer da maturidade, encastelados em fantasias pueris da saudosa infância que já se distancia. Se angustiam, relutam frente ao crescimento, por não compreendem que, o que nos dá medo sempre é possível de ser atravessado, uma vez que somos seres capazes de suportar quase tudo, pois nos confortamos no intangível. Todo dia a noite chega, trazendo consigo o seu silencioso poder de "matar" o que nos mata! E Deus, a ilusão última, sempre nos conforta, quando ao adormecer acreditamos, ingenuamente, que ele nos protege! É assim que crescemos, é assim que nos lançamos ao desconhecido, na busca do que desejamos. Sem a certeza de nada, mas com a fé de que o "acaso estará lá para nos proteger"! Não precisamos dos poderes mágicos do "castelo de grayskull da infância", ou de intervenções das "eminências pardas que habitam o mundo adulto narcísico " para chegar onde queremos. Precisamos apenas desejar, sonhar, trabalhar, não temer, acreditar! Munidos de nossa força interna, nos agigantamos, crescemos em minutos, despertamos para um novo mundo, cheio de possibilidades e realizações. Toda a criatividade que jazia adormecida nas profundezas de nossa psique, explode como um géiser, trazendo à tona a mais antiga das águas simbólicas, pura e rica em significados. Nos descobrimos capazes, fortes e inteiros. Prontos para fazer a grande jornada de nossas vidas, seguros e firmes, seguimos em frente, buscando o que nos espera e ao mesmo tempo o que construiremos com nosso querer! E por um instante, ao olharmos para trás, vemos que já não somos mais meninos, em algum ponto deste caminho nos transformamos. Mas,não nos damos conta de quando ou onde essa mudança ocorreu, mas sabemos o que foi necessário para que ela acontecesse, sabemos a estória que escrevemos ao longo desta travessia. Ontem, éramos meninos, hoje, em homens nos transformamos! P.S: Esta é uma postagem dedicada a meu sobrinho Felipe, que ontem era um garoto que brincava com seu dom, e hoje o transforma em sua vocação! Boa Sorte, querido! Titia Valéria.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
" Loucura e Realidade"
Tenho falado das questões que afligem esses "tempos pós-modernos". Por um lado, uma cultura narcisica que insiste em negar a existência dos "outros". Apologia de um ego inflado, que quer sempre estar nesse lugar de "único", privilegiado, engrandecido senhor de tudo! Acredita ser o melhor, o perfeito, o digno de reclamar todos os direito da humanidade para si, como se o mundo fosse um espaço dedicado a ele, "o grande senhor da vida e da morte"! Se coloca na vida de forma a não deixar espaço para mais nada ou ninguém. Amputa o direito alheio de existir, se expressar, ter desejos. Seres indiscriminados que acreditam ser donos do mundo e da verdade! Mas, o que isso quer dizer num perspectiva psíquica? Quer dizer que são seres incapazes de lidar com culpa, arrependimento ou tristeza! Sujeitos desprovidos de qualquer capacidade de tolerar angústia, por menor que ela seja! Indivíduos encarcerados em mecanismos primitivos, que só fazem projetar para fora, todo e qualquer sentimento de responsabilidade e ética. Seres enlouquecidos! Mas, mais cedo ou mais tarde, suas fantasias delirantes caem por terra, a realidade é sempre implacável! Contudo, eles não estão sozinhos, sempre precisam de alguém que complemente essa fantasia megalômana. E estes,que tem de se relacionar com esse tipo de pessoa, o que a vastidão mental lhes reserva? Momentos de muita angústia, recheados por ondas de insignificância, desamparo e tristeza! É claro, que tudo isso só lhes acomete, pois se disponibilizam para tanto! Quer dizer, de modo servil e passivo, se apresentam para a tortura. Parecem sofrer de uma patologia complementar, onde precisam estar com suas existências apagadas, frente a este "outro/deidade"! Complementam esses seres onipotentes de forma a cumprir o papel de insignificantes, incapazes de fazer suas existências terem lugar e vezes! Igualmente aprisionados num lugar de menor valia, onde nada que possuem pode ter vida, realidade ou verdade! Relação torturante e mortífera, onde nada, nunca, pode frutificar! São postos, como irreais, loucos e farsantes, de uma vida que não lhes é devida. Sofrem de um profundo sentimento de irrealidade, como se nada de suas existências fosse verdadeiro. Acusados de impostores, sucumbem ao ostracismo, ao lugar do nada, da morte, da loucura. Tão irreais quanto seus pares complementares. Mas, como fazer para sair deste lugar? Como marcar a vida, com suas existências? Uma possibilidade, me parecer ser o caminho do genuíno, do verdadeiro, do que tem realidade. Lutar contra o suposto básico, a horda primitiva assassina, que habita estes seres onipotêntes. Lutar com a realidade de suas sujetividades, com suas experiências vividas, não permitindo que suas existências lhes sejam negadas! Se apoiar em seus pares legítimos, aqueles que são capazes de reforçar seu sentido. Usar de todas as prerrogativas que lhes estiverem à mão, para não permitir que a morte lhes seja imposta ainda em vida!!! A luta vale a pena, nos reconecta com a verdade, nos faz mais inteiros, mais possuidores de nossa sujetividade! Valéria Macedo.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
"Juca: o maior e melhor cão do mundo!"

Já comentei que tenho cães. Já até contei dos problemas que já tive em meu condomínio com pessoas implicantes, que preferem papagaios chatos aos cães! Pois é, tenho cinco Golden Retriever! Cães maravilhosos, meigos, dóceis, muito "amiguinhos"! O mais velho, Juca, chegou a quase 9 anos, quando tinha apenas 60 dias. Cinco anos depois, fomos ao criador procurar uma fêmea para fazer companhia ao Juca, saímos de lá com 2, Melissa e Nick, ambos devolvidos por suas famílias que se mudavam de país e não podiam (queriam?) levá-los. Ambos com 2 anos e pouco. Há 1ano e meio, resolvemos cruzar um dos machos com uma cadela de uma amigo, aí chegaram Duda e Dudú. Hoje, com os cinco, formamos uma família feliz! Mudamos de casa, os problemas com o papagaio chato acabaram, e eles tem uma vida muitos boa em nossa casa! Nos enchem de alegria e amor, e nós retribuímos da mesma forma! Cada qual com sua personalidade, todos dariam suas vidas por nós! Um imenso amor incondicional, que só quem tem animal entende. Juca, o mais velho, é o mais independente, criado como "filho peludo único" sempre foi calmo, caseiro, destemido e protetor. Nunca quebrou ou estragou nada! Dono de uma inteligências ímpar, sem ser ensinado, sabe abrir portas (inclusive do micro-ondas para roubar pão!), faz todo tipo de brincadeira, gosta de dormir no sofá, se aflige quando nos vê chorar, não tem medo de nada, é o dominante do bando! É um cão maravilhoso, grande, altivo, perfeito dentro do padrão da raça! Nick, o 2º, é lindo, branco, fofo, dono de uma personalidade deliciosa. Bem mais submisso, é um seguidor! Segue meu marido para todo o canto, brinco que ele lhe é imensamente agradecido por ele tê-lo adotado! Melissa, a 3ª, é uma graça, gordinha, pequenininha, dona de um rosto lindo, é muito calma, mas tem vocação para a caça! Não pode ver um sapo na piscina que já fica de olho! Não sabe fazer nenhuma graçinha, mesmo que ensinemos, acho que ela acha que por ser linda, não precisa ser esperta! Mas, ela é lindinha, então quem se importa com o resto?! Os irmão, Duda e Dudú, são levados! Ativos, brincalhões, não param um minuto. Quando chegaram, com apenas 30 dias, eram duas bolinhas brancas, irresistíveis de se ver! Por crescerem juntos, ficaram danados. Duda, é tão acelerada, que se fosse gente seria classificada de hiperativa! Destruiu meu sofá, meus tapetes e levou Dudú com ela para o "mal caminho", nenês arteiros! Hoje, já começam a acalmar, já não estragam mais nada! Enfim, cinco personalidades diferentes, que convivem em plena harmonia e paz. Não brigam, só brincam! Muito queridos, todos eles! Mas, justo agora que estamos na casa nova, que eles estão mais unidos e felizes, surge algo para atrapalhar! Juca, o maior e melhor cão do mundo, está com um tumor nos testículos!!! Que susto, que medo, que tristeza! Não posso nem pensar! Ainda bem, que como somos muito atentos à eles, logo percebemos algo de estranho, levamos ao médico e já detectamos o problema no começo, mas só de pensar, me dá arrepio na espinha! Aí, fiquei pensando, como nos apegamos a esses companheiros caninos! Os amamos, os mimamos, os humanizamos! Juca é assim, uma "gentinha peluda", com seu olhar expressivo, que sempre parece saber do que falamos! Sabe quando estamos doentes, seja do corpo ou da alma, sabe quando estamos irritados, sabe quando estamos preocupados! E está sempre ali, atento, carinhoso, dedicado! Amor incondicional, que só quer agradar, ver seus donos felizes. Hoje, já não tão ativo, já é um sessentão, mas pronto sempre para correr até onde estivermos para nos recepcionar! Compartilho destas sensações todas, como uma retribuição a este cão tão adorável, que vem fazendo nossas vidas mais felizes e alegres nesses últimos 9anos! A quem tem o prazer de saber do que estou falando, compartilho minhas memórias junto do meu melhor amigo! Aos que ainda não sabem do que falo, deixo o gosto, por quem sabe, um dia experimentar desse amor! E com muita alegria e certeza, sei que meu juquinha ainda vai ser meu companheiro fiel por muitos anos mais! Valéria Macedo.
terça-feira, 30 de março de 2010
" Em Tempos de paranóia, se não quer ser alvejado,melhor entrar na fila do apedrejamento"!
Venho, nas últimas semanas, falando desse clima paranóide que colore nossos tristes "tempos pós-modernos". E, bem a propósito, vimos nessa semana que se passou, o julgamento da casal Nardoni. Cenas espantosas! A mídia só falando no assunto, um circo armado na frente do fórum, uma multidão na porta! Claro que a promotoria tinha uma série de provas que incriminavam o casal, e provas estas, que a defesa não conseguiu refutar. Mas, de fato, nenhuma prova cabal. Na verdade, todas circunstanciais. Este fato, não diminui a importância da materialidade da prova em questão, ao contrário, na maioria dos casos, são essas provas circunstanciais que determinam o ocorrido, e assim sendo, não se pode menosprezar ou desqualificar sua capacidade de determinar os fatos ocorridos. Por isso mesmo, o resultado foi a condenação. Mas, o que mais me espanta é que mesmo antes dessas provas determinarem a questão, o casal já estava condenado! Como no tempo dos romanos, bem apropriado para a semana da páscoa, o julgamento já estava determinado, independente das provas. Como no tempo dos romanos, a multidão, clamava por sangue, impiedosamente gritando por vingança! Como no tempo dos romanos, até uma cruz foi levada para a porta do tribunal! E ao falar disso, me recordo de um filme de um grupo inglês, chamado Ponty Python, que trata através do humor, esse tema. O filme chama-se "A Vida de Brian". Nele, os três reis magos erram de gruta e entram na que a mãe de Brian tinha lhe dado à luz, gruta vizinha da de Cristo, e assim, o tomam como Messias. O filme é bem ao tom do humor inglês, sarcástico e irreverente. Brian, mesmo não sendo o Messias, é crucificado como se o fosse! Numa cena hilária, a mãe de Brian, que é interpretada por um homem, diz ter um compromisso imperdível, era dia de apedrejamento! Só os homens podia participar, mas as mulheres se disfarçam de homem e compravam sacos de pedras, já especialmente providenciadas para a ocasião, e entram no clima da execução! Gritam por justiça, e clamam pelo apedrejamento! A partir de um determinado momento, não importa mais o motivo, a culpa, ou as provas, o que importa é apedrejar! Como no filme, na porta do forúm de santana, todo dia havia uma fila, muitas mulheres com cartazes pedindo a condenação sem nem ao menos o julgamento ter terminado, era uma verdadeira fila de apedrejamento, só faltava o saco de pedras na mão de cada um! Que coisa mais bizarra! Humanos ogros, que funcionam pela lei de Talião! Como já disse, o julgamento trilhou o caminho das provas que incriminavam o casal, mas até isso ser determinado tinha de haver um percurso para se chegar nessa conclusão, e a multidão, na fila do apedrejamento, já bradava pela condenação! Esse é o tom de nossos tempos, em qualquer situação, já sacamos nosso "saquinho de pedras", e saímos apedrejando o 1º que aparece!De uma certa forma, é como se apedrejar fosse a saída para não virar alvo das pedras! "A melhor defesa, é o ataque"! Que tempos, que pobreza mental! E assim, nessa incivilização pós-moderna, caminhamos para a involução! Valéria Macedo.
segunda-feira, 22 de março de 2010
"Ao modo da Rainha de Copas"

Semana passada falei sobre a paranóia que parece ter se instalado nos dias atuais, e hoje gostaria de permanecer no mesmo tema! Já repararam que, o que mais se observa nestes "tempos pós-modernos" é a lógica paranóica? Não sei se estou exagerando, mas tenho tido a impressão de que essa é a tônica atual. Para todo lado que olhamos, se fizermos isso com cuidado, poderemos observar o clima persecutório em ação! As pessoas tendem a baterem primeiro e perguntarem depois! É como se a lógica da "Rainha de Copas" saltasse do livro de Lewis Carroll, "Alice no País das Maravilhas". No livro, a Rainha de Copas, tem um jeito singular de lidar com qualquer dificuldade, seja grande ou pequena, ao menor sinal de contrariedade, grita ela: "Cortem-lhe a cabeça"! Como "uma grande rainha poderosa", acredita que todos os seus desejos devem ser satisfeitos, não tolera frustração ou limite! E assim crendo, a cada vez que a dificuldade aparece, ou que encontra alguém que lhe desagrada, proclama sem clemência: "Cortem-lhe a cabeça"! É assim que tenho percebido o funcionamento atual, todos querendo agir como a rainha de copas, inclementes, impiedosos, tirânicos, conclamando a lei de Talião: "olho por olho, dente por dente". Como resultado disso, as relações tomam um colorido persecutório, a desconfiança predomina e o medo reina, qualquer coisa é uma ameaça! A temporada de "caça às bruxas" está iniciada! Grandes fogueiras são armadas, e qualquer um vai arder dentro dela, mesmo sem saber o por quê. Todos se tornam acuados, "temerosos por suas almas", apontam para qualquer lado, nem que seja para desviar a atenção deles mesmos. A vida se reduz a uma imensa luta pela sobrevivência, a possibilidade de conversa fica impedida. Ficamos todos perdidos, "como cegos em tiroteio". E as suspeitas viram verdades, as maledicências se tornam concretas, a realidade se torna secundária! Que situação! Que impiedade! Que pobreza! Mas, sempre podemos lutar contra este estado de coisas! Sempre podemos nos recusar a participar da inquisição imposta, basta querer, basta dar o benefício da dúvida, basta se colocar contra esse movimento. Alguns dirão:" Mas, uma pessoas sozinha não é capaz de mudar nada, uma andorinha só, não faz verão"! Aí me pergunto: Será? O verão inteiro não é feito por uma andorinha, mas ele sempre se inicia, e muitas vezes é anunciada por uma andorinha solitária que chega trazendo as primeiras notícias da nova estação! Valéria Macedo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
"Psiquismo Mortífero"
Neste final de semana, estava navegando na internet, quando me deparei com a notícia da morte do cartunista e de seu filho. Comecei a ler a notícia e fui ficando deseperançosa com a qualidade atual das mentes humanas. Tempos estranhos, estes tempos pós-modernos! A vida humana já não se marca com tanta força, seu valor parece estar delapidado. Tempos paranóides! Hoje tudo parece circundar a esfera persecutória, o outro não é mais encarado como um semelhante, é quase sempre visto como um estranho, mal intencionado, de quem devemos desconfiar! Tudo gira em torno do se proteger,do se precaver, do desconfiar, pois a qualquer instante o conhecido se transforma em ameaçador. As questões fundamentalistas reinam como verdades absolutas, e quem não está ao meu lado, necessariamente está contra mim! Cultura do medo, cultura da guerra! Paradoxalmente, temos um evolução gigantesca no campo tecnológico e científico, mas parece que quanto mais avançamos nessas áreas, mais regredimos em nossa humanidade. Quase como se esses desenvolvimentos deixassem o campo humano isento de progredir também. Como se essas evoluções garantissem nossa vivência enquanto sujeitos desta cultura! Contudo, essa não é a realidade das coisas, ao contrário, quanto mais esses campos se desenvolvem, mais deveríamos evoluir também. Mas, parece que não é isso que acontece, somos sugados pelo "vórtice da involução", apanhados pela estagnação, e assim, interrompemos nosso desenvolvimento e nos lançamos para uma espécie de" idade da pedra mental". Voltamos a encarar a vida como tendo apenas duas possibilidades, luta ou fuga. Viramos "homens de neandertal" e respondemos ao diferente com uma arma em punho! Tempos paranóides, esses tempos pós-modernos! A vida psíquica elaborada perde seu valor, os sentidos caem no vazio, a beleza humana se transforma em feiura. Mas, devemos nos alarmar contra esse movimento, ele é rápido, silencioso e mortífero. Não podemos deixar a subjetividade humana ficar reduzida à isso. Devemos nos impor limites mais elevados, metas mais complexas, objetivos mais profundos. A morte sempre espreita, mas contra ela temos a vida, rica em possibilidades, em coloridos e afetos. Basta optar por esse caminho, escolher essa trilha, permanecer nesta rota. Dá trabalho, demanda tempo e gasto de energia, mas nos resgata de volta para o reino da beleza, da reconhecimento, do sentido profundo, da vida humana! Valéria Macedo.
segunda-feira, 8 de março de 2010
" O relógio interno de cada um"
Para mim, o ano de 2010 está repleto de mudanças, mudei de consultório, mudei de casa, mudei de carro, mudei de móveis... Mas, acho que todas essas mudanças estão conectadas com mudanças internas que vêem se processando dentro de mim. Sou um tipo de pessoa que para mudar meu externo, preciso ter mudado internamente primeiro. Esse meu jeito, com certeza faz com que as mudanças externas demorem bem mais para acontecer, mas quando a mudança interna se processa, pode esperar, uma onda de mudanças concretas estão por vir. Esse é o meu jeito, esse é o meu tempo. Mas, existem outras formas de ser e mudar. Pessoas que tem um tempo interno mais acelerado, que nem bem questionaram suas formas de estar no mundo e já processam mudanças externas, talvés na espera de que estas possam ajudar a promover as mudanças internas mais profundas. Outras, que não conseguem mudar se não for pelo "empurrão" externo. Outras, ainda, que nem com esses "empurrões" conseguem mudar! Acho que essas são as que mais sofrem, parecem viver num tempo estagnado, onde nada acontece, nada muda, nada se transforma. Ficam paradas no tempo e espaço, aprisionadas num tempo mítico, onde a repetição do mesmo se marca eternamente. Buscam certezas, onde só existe imprevisibilidade. A cada vez que a vida marca que as certezas não existem, procuram explicações para o imponderável. E assim, vão seguindo, sem conseguir mudar, apenas repetindo o que já não funciona, e tentando se iludir que é apenas uma questão de "sorte"! Passam suas existências vendo a vida passar, se transformar, se reinventar, mas elas mesmas não conseguem sair da mesmice. Claro que mudar não é algo fácil, mas penso que ficarmos estagnados, como que "parados no tempo", é uma opção ainda pior! Então, deixo minha chamada à todos os inseguros:"coragem, ânimo, força! A vida só ganha sentido quando nos abrimos para a transformação"! Valéria Macedo.
quarta-feira, 3 de março de 2010
" A insustentável realidade de cada dia!"
Mais um novo ano velho se inicia! A cada Revellion, temos sempre a sensação de que encerramos uma etapa, e que daremos início a uma nova, simplesmente pelo fato do calendário determinar que o velho ano acabou, e um novo vai começar! Contudo, no dia 01/01 de cada novo ano, percebemos que tudo parece igual, o 1º dia do novo ano não difere em nada do último dia do ano velho. Amanhecemos com os mesmos questionamentos que tínhamos no dia anterior, com as mesmas manias, com os mesmos afazeres. E com o passar dos dias desse "novo ano" vamos nos dando conta que o que muda, por determinação social, é apenas a folhinha! Talvez a verdadeira mudança não seja aquela que é mecânica, com data marcada para acontecer, mas aquela que nos pega no contrapé do cotidiano. A mudança que ocorre fora, por ter sido precedida por uma mudança que primeiro ocorreu dentro! Essas mudanças, sim, são efetivas e duradouras. Elas independem da folhinha, estão sincronizadas com nosso tempo interno, nossa hora inconsciente. São aquelas que "nos pegam de jeito", abalando "convicções", "verdades absolutas"! Chegam para alterar a forma como lidamos com nossa realidade, e por vezes, provocam susto e aflição. Mas, se nos permitimos dar tempo para a acomodação, toda mudança requer acomodação, percebemos que elas trazem novidade, leveza, criatividade! As correntes, que por vezes nos prendiam a coisas sem sentido, caem por terra. A liberdade volta a ser possível, no lugar onde a escravidão tinha tomado conta. A vida ganha novos significados. Contudo, essas mudanças não acontecem por determinação burocrática, que pena! Necessitam de vontade, abertura, disposição, coragem, trabalho. Mudar é como manter a vida biológica, requer todo dia energia. Precisamos todo dia, investir energia para que a mudança ocorra. Todo dia desejar que as coisas sejam diferentes, todo dia buscar os meios para com que sejamos capazes de fazer as coisas diferentes, todo dia aceitar nossas limitações, buscar ajuda, aproveitar esta e usá-la à nosso favor. Claro que essa disposição é algo muito mais complexo do que gostaríamos que fosse, mas se nos disponibilizamos para essa empreitada, poderemos chegar no fim do ano velho, comemorando todas as mudanças que fomos capazes de alcançar, e tendo a certeza de que o novo ano também será repleto de outras tantas que, com certeza alcançaremos! Valéria Macedo.
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