Neste final de semana, estava navegando na internet, quando me deparei com a notícia da morte do cartunista e de seu filho. Comecei a ler a notícia e fui ficando deseperançosa com a qualidade atual das mentes humanas. Tempos estranhos, estes tempos pós-modernos! A vida humana já não se marca com tanta força, seu valor parece estar delapidado. Tempos paranóides! Hoje tudo parece circundar a esfera persecutória, o outro não é mais encarado como um semelhante, é quase sempre visto como um estranho, mal intencionado, de quem devemos desconfiar! Tudo gira em torno do se proteger,do se precaver, do desconfiar, pois a qualquer instante o conhecido se transforma em ameaçador. As questões fundamentalistas reinam como verdades absolutas, e quem não está ao meu lado, necessariamente está contra mim! Cultura do medo, cultura da guerra! Paradoxalmente, temos um evolução gigantesca no campo tecnológico e científico, mas parece que quanto mais avançamos nessas áreas, mais regredimos em nossa humanidade. Quase como se esses desenvolvimentos deixassem o campo humano isento de progredir também. Como se essas evoluções garantissem nossa vivência enquanto sujeitos desta cultura! Contudo, essa não é a realidade das coisas, ao contrário, quanto mais esses campos se desenvolvem, mais deveríamos evoluir também. Mas, parece que não é isso que acontece, somos sugados pelo "vórtice da involução", apanhados pela estagnação, e assim, interrompemos nosso desenvolvimento e nos lançamos para uma espécie de" idade da pedra mental". Voltamos a encarar a vida como tendo apenas duas possibilidades, luta ou fuga. Viramos "homens de neandertal" e respondemos ao diferente com uma arma em punho! Tempos paranóides, esses tempos pós-modernos! A vida psíquica elaborada perde seu valor, os sentidos caem no vazio, a beleza humana se transforma em feiura. Mas, devemos nos alarmar contra esse movimento, ele é rápido, silencioso e mortífero. Não podemos deixar a subjetividade humana ficar reduzida à isso. Devemos nos impor limites mais elevados, metas mais complexas, objetivos mais profundos. A morte sempre espreita, mas contra ela temos a vida, rica em possibilidades, em coloridos e afetos. Basta optar por esse caminho, escolher essa trilha, permanecer nesta rota. Dá trabalho, demanda tempo e gasto de energia, mas nos resgata de volta para o reino da beleza, da reconhecimento, do sentido profundo, da vida humana! Valéria Macedo.
Bem Vindos ao Armazém Psicanalítico! Armazém, uma vez que este blog se propõe a ser um espaço que disponibiliza elementos de fácil entendimento para a reflexão da vida cotidiana,como em um armazém onde encontramos de tudo um pouco de forma rápida e simples. Psicanalítico, uma vez que também se vale desta fonte teórica como matéria prima para a elaboração dos elemento simbólicos à disposição para as trocas criativas que espero que este espaço fomente! Sintam-se à vontade!
Nenhum comentário:
Postar um comentário