terça-feira, 30 de março de 2010

" Em Tempos de paranóia, se não quer ser alvejado,melhor entrar na fila do apedrejamento"!

Venho, nas últimas semanas, falando desse clima paranóide que colore nossos tristes "tempos pós-modernos". E, bem a propósito, vimos nessa semana que se passou, o julgamento da casal Nardoni. Cenas espantosas! A mídia só falando no assunto, um circo armado na frente do fórum, uma multidão na porta! Claro que a promotoria tinha uma série de provas que incriminavam o casal, e provas estas, que a defesa não conseguiu refutar. Mas, de fato, nenhuma prova cabal. Na verdade, todas circunstanciais. Este fato, não diminui a importância da materialidade da prova em questão, ao contrário, na maioria dos casos, são essas provas circunstanciais que determinam o ocorrido, e assim sendo, não se pode menosprezar ou desqualificar sua capacidade de determinar os fatos ocorridos. Por isso mesmo, o resultado foi a condenação. Mas, o que mais me espanta é que mesmo antes dessas provas determinarem a questão, o casal já estava condenado! Como no tempo dos romanos, bem apropriado para a semana da páscoa, o julgamento já estava determinado, independente das provas. Como no tempo dos romanos, a multidão, clamava por sangue, impiedosamente gritando por vingança! Como no tempo dos romanos, até uma cruz foi levada para a porta do tribunal! E ao falar disso, me recordo de um filme de um grupo inglês, chamado Ponty Python, que trata através do humor, esse tema. O filme chama-se "A Vida de Brian". Nele, os três reis magos erram de gruta e entram na que a mãe de Brian tinha lhe dado à luz, gruta vizinha da de Cristo, e assim, o tomam como Messias. O filme é bem ao tom do humor inglês, sarcástico e irreverente. Brian, mesmo não sendo o Messias, é crucificado como se o fosse! Numa cena hilária, a mãe de Brian, que é interpretada por um homem, diz ter um compromisso imperdível, era dia de apedrejamento! Só os homens podia participar, mas as mulheres se disfarçam de homem e compravam sacos de pedras, já especialmente providenciadas para a ocasião, e entram no clima da execução! Gritam por justiça, e clamam pelo apedrejamento! A partir de um determinado momento, não importa mais o motivo, a culpa, ou as provas, o que importa é apedrejar! Como no filme, na porta do forúm de santana, todo dia havia uma fila, muitas mulheres com cartazes pedindo a condenação sem nem ao menos o julgamento ter terminado, era uma verdadeira fila de apedrejamento, só faltava o saco de pedras na mão de cada um! Que coisa mais bizarra! Humanos ogros, que funcionam pela lei de Talião! Como já disse, o julgamento trilhou o caminho das provas que incriminavam o casal, mas até isso ser determinado tinha de haver um percurso para se chegar nessa conclusão, e a multidão, na fila do apedrejamento, já bradava pela condenação! Esse é o tom de nossos tempos, em qualquer situação, já sacamos nosso "saquinho de pedras", e saímos apedrejando o 1º que aparece!De uma certa forma, é como se apedrejar fosse a saída para não virar alvo das pedras! "A melhor defesa, é o ataque"! Que tempos, que pobreza mental! E assim, nessa incivilização pós-moderna, caminhamos para a involução! Valéria Macedo.

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