segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

" A Psique e o Destino!"

Tenho sido constantemente, no âmbito profissional e pessoal, indagada acerca do "destino". Bem, uma vez que sou psicanalista, parece que todos acreditam que tenho uma explicação geral para fornecer sobre diversas situações, que esses indivíduos atribuem à "obra do destino". Isso tem sido tão frequente e intenso, e ao mesmo tempo, tão refratário a qualquer interpretação psicanalítica, que tende a buscar a implicação daquele indivíduo específico ao evento, que resolvi escrever um post sobre o tema! A maioria desses sujeitos, relata circunstâncias onde se vêem lutando para alcançar um determinado objetivo, mas sempre sendo derrotados por essa força maior que denominam de "destino". Na grande maioria dos casos, os relatos se concentram em batalhas pessoais que cada um quer conquistar, para poder ascender à uma situação diferenciada. Os temas são os mais variados possíveis, desde o profissional, passando pelo relacional, chegando em aspectos individuais. É como se as pessoas se sentissem "nadando contra a maré". Por um lado estabelecem objetivos e parecem empreender esforços para alcançá-los, mas por outro, é como se sentissem que por mais força e empenho que tenham, "há algo mais forte" que impede que eles cheguem à termo. Quase sempre, essas pessoas nominam essa "força maior" de destino, e vêem em busca de uma explicação que dê conta do porquê essa suposta força se opõe à seus intuitos! De modo geral, podemos questionar uma série de coisas que poderiam colocar em xeque essa "verdadeira intenção" do indivíduo em questão: será que ele realmente estabeleceu uma meta à alcançar? Será que essa meta é tangível? Será que os meios utilizados pelo sujeito são adequados para empreender sua jornada? Todas essas questões se relacionam ao sujeito, seu desejo, seu mecanismo de funcionamento mental, sua expectativa inconsciente. Mas parece que esses possíveis caminhos explicativos são incomodos, e as pessoas parecem preferir atribuir o fracasso ao "suposto destino". Este não pode reclamar se for responsabilizado por alguma coisa de forma injusta! As explicações individuais demandam responsabilidades, implicações, esforço, sofrimento. Já o "malfadado destino", este não discute sua culpa e acaba por colocar um ponto final no assunto! Não existe como questionar o "destino"! Desta forma, as pessoas vão se cristalizando em jeitos mal equacionados de funcionar, de lidar com as questões da vida, e assim, vão permanecendo na errância e atribuindo responsabilidade ao "pobre coitado destino"! Pena, pois se tivesse força para enfrentar suas limitações, seus mecanismos neuróticos, suas próprias sabotagens, poderiam, aí sim, "mudar seu próprio destino"! Valéria Macedo

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