
Estava assistindo no The History Channel, a semana dos gênios, onde episódios sobre Einstein, Galileu, Newton, Darwin, Da Vinci e outros, foram apresentados. Me interesso demais por esse tipo de programação, é uma verdadeira ilha de informação e saber num mar de programas de tão baixa qualidade! Entre os programas apresentados, um intitulado "Além do Big Bang"fala sobre as teorias científicas da criação do universo. Mas especificamente a teoria que hoje em dia é a mais aceita, fundamentada empiricamente e que dá nome ao programa me pareceu muito interessante e me fez pensar, parafraseando o título do episódio, para além das questões da física, ou melhor dizendo, PARA ALÉM DAS QUESTÕES NARCÍSICAS! Muitas vezes penso que o que é proposto pelos astrofísicos, de forma macro para explicar o que ocorre no Universo, também se presta para ser usado como simbolismo para pensarmos nossa psique. A teoria do Big Bang propõe que o Universo foi criado por uma explosão inicial que deu origem à tudo. Daí em diante, o Universo veio se expandindo, e tudo que faz parte dele pôde, em decorrência disto surgir. De uma certa maneira, como foi dito nesse programa o "Universo está em tudo, ele une tudo. As moléculas que formam nosso corpo carregam traços dessa poeira cósmica que foi lançada com o Big Bang e que deu vida à tudo, portanto estamos todos unidos entre nós biologimente, à Terra quimicamente, e ao Universo atômicamente. Não somos melhores do que o Universo, somos parte dele. Estamos no Universo e o Universo está em nós. Não somos o centro dele, mas estamos dentro dele tentando entendê-lo". É uma ideia interessante, uma vez que por tanto tempo o ser humano acreditou, até mesmo desejou ser o centro do Universo! Mas gradativamente desde de Copérnico, que veio afirmar que a Terra não era o centro do Universo, essa idéia vem se desmantelando. Darwin foi o próximo nesta lista de pensadores, gênios cientistas, que proferiu um segundo golpe nas intenções narcísicas humanas de querer ser o centro. A humanidade que já não podia ser o centro do Universo, se via agora expulsa do centro das espécies, uma vez que todas evoluíram seguindo uma regra biológica de evolução. O homos sapiens é uma evolução do homos herectos, nossos parentes primatas! Então o que restava ao ser humano? Talvés acreditar que ao menos, estava no centro da razão?! O pensamento racional certamente seria o grande centro humano e dela o homem controlaria a si próprio e a tudo ao seu redor. Ledo engano, pobre homem! Mais um grande pensador estava por vir, proferindo mais um golpe em suas intenções narcísicas! Freud, surgiu para declarar que a razão não é controlada pela consciência, mas sim por diversos processos inconscientes que a razão não pode e nem conseguiria controlar! A partir daí, a humanidade estaria irremediavelmente tirada de seu suposto e ilusório lugar narcísico. Não somos centro de nada, apenas fazemos parte de um todo. Como assisti no programa sobre o Big Bang, neste ano que comemora os 40 anos da chegada do homem à lua, que diga-se de passagem realizou um grande feito para a humanidade ao chegar lá, estamos no Universo fazendo parte dele, tentando entendê-lo e tentando entender qual nossa parte neste plano maior! Só resta agora realmente, a nós humanos entendermos nossa verdadeira implicação nessa dimensão. Aceitarmos nossa participação como coadjuvantes, deixando de brigar por este lugar ilusório de especialidade e grandeza, para ocuparmos de forma mais actuante e responsável nosso papel nesta cadeia infinita do Universo a que pertencemos! Valéria Macedo
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