segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Persistência ou Teimosia"?

Esta semana tive notícias de uma amiga que a tempos não via. É uma pessoa querida, mas que por um desses "caprichos da vida", acabei por perder o contato mais próximo. Lá se vão uns cinco anos que estamos nos falando de forma esporádica, mas nem por isso menos afetiva. E assim sendo, muito me alegrou quando consegui retornar uma ligação que ela havia me feito na semana passada. Como de costume, logo de cara o mesmo afeto de sempre invade nossa conversa. Colocamos os assuntos do cotidiano em dia e ela me diz que também havia me ligado pois tivera um sonho comigo e que nele eu tinha um papel importante. O tal sonho já lhe tinha rendido várias interpretações em sua análise e ela sentia a necessidade de compartilhar comigo esse sentido. Em suma, a idéia central era a de uma busca:"Ela perdia algo, e eu era a pessoa que me importava com essa perda, não a deixava se acomodar, não a deixava abandonar a idéia do resgate deste algo que lhe era importante e me dispunha a com ela partir em busca do perdido!" Ela estava bastante afetada pelo sonho e muito mobilizada pelo sentido que tinha entendido depois de interpretá-lo! Desejava compartilhar esse sentido comigo e me dizer que sempre percebeu essa característica em mim, a persistência! Queria me falar o quanto naquele momento de sua vida essa característica que observava em meu comportamento, e que veio à tona no sonho, lhe faltava e o quanto estava em busca de resgatá-la. Fiquei muito feliz de poder, mesmo que de modo indireto, ajudá-la! É uma amiga querida! Mas também me coloquei a pensar. Acho que realmente tenho mesmo essa marca, sou persistente! Não desisto fácil das coisas. Insisto, acredito, me empenho. E acho que sou assim, pois é um traço da minha personalidade acreditar que "água mole em pedra dura"... Contudo, também não me furtei à reflexão do lado oposto desta moeda: quando a persistência vira teimosia! Muitas vezes já fui chamada de teimosa, claro! E acho, que as vezes, sou mesmo! Mas a questão fundamental é: quando passamos a fronteira da persistência e viramos teimosos? Ao me debruçar sobre essa questão observei que sempre que me peguei sendo teimosa foi quando me deixei "cegar" e permaneci insistindo em algo que já não tinha chance de dar resultado. Quando o foco já não era mais a questão em si, mais sim eu ter ou não a razão! É nesse ponto que deixamos de ser persistentes e nos tornamos teimosos. Quando a insistência não é motivada pela causa, mais sim por seu prêmio narcísico! Quando insistir, é insistir por algo que tem a ver com convicções e não mais com verdade! É uma linha tênue, a qualquer momento podemos cruzar e ultrapassar o limiar que nos levar do polo que nos dá perserverância, para o polo que nos finca na teimosia! Nossa mente sempre se encontra à mercê deste risco. Devemos constantemente estar atentos para esse perigo. É quase como "um canto de sereia", uma melodia que nos entorpece, produzindo miragens que nos fazem acreditar que nossas convicções são procedentes. Quando nos encontramos nesse estado cruzamos a fronteira entre persistência e teimosia. A mente deixa de pensar os pensamentos que estão à sua disposição e passa a se fechar em um funcionamento arrogante. Neste momentos, cuidado e atenção são sempre nossos melhores amigos! E é claro que a ajuda de um bom analista também é sempre bem vinda, como disse minha amiga! Mas acredito verdadeiramente que não é por esse motivo que devemos abandonar a persistência, a perserverância. Elas nos fornecem na medida certa, é claro, uma boa oportunidade para buscarmos nossos objetivos e metas. Nos ajudam a nos empenharmos na realização de nossos desejos. Sem insistência desistimos das coisas, abrimos mão do que queremos, abandonamos nossos sonhos. Nos tornamos espectros vagando em busca de sentido para nossas vidas! Então, ao pensar no sonho da minha amiga, penso também no sonho de todos nós, humildes mortais, e digo: Não abandonemos nossos desejos e sonhos ao vento, eles nos garantem o colorido para um vida mais rica em sentido! Persistam e nunca teimem! Valéria Macedo

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