quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Bom Dia, Desamparo Nosso de Cada Dia!"

Esta semana, todos fomos assolados, pelo apagão de energia que tomou conta de 10 estados brasileiros! De repente, faltou luz! Até aí, um evento normal, que de tempos em tempos ocorre. Mas, a luz começa a demorar para voltar, em todo lugar parece não haver energia. E conforme o tempo vai passando, vamos dando conta de que é um black-out geral, mais que isso, é um apagão de proporções nacionais! Como o evento se iniciou depois das 10h da noite, a grande maioria das pessoas, já estava em casa. Contudo, isso não resolveu o problema, pois muitos dos que trabalham ou estudam à noite, ainda estavam na rua, e iriam ter de enfrentar o dilema da volta para casa sem a "segurança" que a luz parece dar. Mais que isso, todos começamos a nos preocupar de quando e como a energia voltará. Perderemos algo com a demora? No retorno da energia, haverão muitos problemas? Muitos vão demorar para chegar em casa, outros ficarão preocupados com os que ainda não chegaram, e outros tantos irão se deparar com os resultados produzidos pelo apagão no dia seguinte: aparelhos queimados, prejuízos individuais e públicos. Mas, certamente a angústia que assolou à todos durante essa noite, foi a angústia de desamparo. Aquela sensação angustiante de estar impotente frente ao imponderável! Aquela que nos faz pensar sobre muitas coisas que são da ordem da essência do humano: como somos pequenos frente à natureza, frente ao tecnológico, frente a perspectiva de vida e morte! Quando somos lançados à situações desta magnitude, somos forçados a nos confrontar com nosso próprio desamparo. Desamparo que vem de nossa própria natureza humana, pois somos finitos, frágeis e muitas vezes impotentes frente a situações maiores. Nos enganamos, todos os dias, acreditando que seremos capazes de controlar nossas vidas, nosso destino, nossa realidade! Que tolice! Falsa ilusão, que nos ajuda a conviver com esse desamparo essencial, companheiro nosso de todos os dias! Construímos fantasias onipotentes para espantar essa angústia primordial, para podermos todos os dias, abrir os olhos e começar mais uma rotina diária. Contudo, em dias como esse, em que a força maior, para além de nosso pequeno controle, nos impõe o imponderável, nos damos conta desse companheiro que fingimos não ver. Somos tomados por essa angústia sufocante, porém também nos confrontamos com uma bela oportunidade de elaborar nossa condição humana, que nos coloca desamparados frente ao fundamento da vida e da morte. Uma boa oportunidade de dar o devido valor ao que é mesmo importante. Uma oportunidade de dar "bom dia ao nosso desamparo fundamental". Uma chance de lidar melhor com nossas impossibilidades, de levar em conta nossos limites, e aprender a manejar melhor nossas fragilidades! Valéria Macedo

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