Recentemente assisti um programa sobre os atendimentos psicoterápicos virtuais. Assunto moderno, que coloca em pauta uma nova modalidade de compreendimento da mente humana. Ao invés das sessões ocorrerem pessoalmente, dentro do consultório do analista, elas podem ocorrer também através da internet, via skype!
Ainda é uma modalidade recente, que não domina o cenário profissional, contudo, penso que deve desde já ser pensada sem descaso. A vida cotidiana se torna à cada dia, mais corrida, atribulada e distante. Cada vez mais, nos deparamos com pacientes que devem viajar à trabalho com frequência, pacientes que se locomovem pela cidade de forma muito intensa, ficando presos no trânsito da cidade, pacientes com atividades profissionais que não permitem uma rotina semanal de horário que viabilize o trabalho analítico clássico.
E nessas condições, surge um questionamento: como lidar com esses entraves que complicam, ou até mesmo inviabilizam o trabalho analítico? Certamente, uma possibilidade é implicar essas dificuldades no universo simbólico do paciente, e passar a interpretar essas questões como qualquer outra forma de resistência ao trabalho... Mais será que realmente podemos assim proceder? Ou essas atribulações da vida contemporânea já se manifestam de maneira autônoma, eximindo o indivíduo do controle da situação?
Muito ainda deve ser pensado, porém o virtual chegou para ficar, e desta forma se inserir na malha associativa dos indivíduos. Negar essa possibilidade, venha quem sabe no futuro, quase que impedir o processo psicoterápico... Adaptações ao setting analítico sempre são processadas, na medida em que os tempos se alteram causando mudanças no modo de se viver, e nesta perspectiva, o atendimento via skype, venha a ser mais uma adaptação necessária ao trabalho...
Mais como podemos inserir essa adaptação? Essa é a pergunta que não quer calar... Cabe a cada profissional incluir essa novidade dentro das regras básicas do ofício analítico, mantendo assim a confidencialidade, a confiança e a ética que norteiam o trabalho. Cabe também aparar as arestas burocráticas que regem o contrato entre paciente/analista, adequando questões práticas, tais como, pagamento, horário, dificuldades tecnológicas, etc.
Muitas são as questões, porém elas devem ser pensadas e respondidas, visando assim a manutenção do objetivo último do trabalho psicoterápico, acolher o sofrimento humano!!! Mª Valéria Macedo
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