quarta-feira, 30 de outubro de 2013

E "O Mal-Estar na Civilização" persiste...

   Em 1930, Freud escreveu seu famoso texto "O Mal-Estar na Civilização". Texto brilhante, onde continua explorando a questão da relação entre o ego e a realidade, bem como todas as dificuldades decorridas daí...
   O viver civilizado requer limitações, regras, condições, postergações por parte do ego, o levando a criar muitas formas de lidar com todos os sentimentos que decorrem destas negociações...
   A frustração advinda desse embate, ajuda a definir as fronteiras entre o eu - outro...
   O eu, deverá se definir dentro desta realidade árdua, que por muitas vezes é fonte de sofrimento, decepções e tarefas duras. Contudo, a fim de suportar esse peso, o ego utiliza de medidas paliativas, construções auxiliares que ajudam a minimizar o trabalho. Por vezes ele busca satisfações substitutivas, como pequenas ilusões que diminuem o sofrimento; em outras situações, pode buscar substâncias tóxicas, que o tornam insensível à ele; e em outras ocasiões, utiliza derivativos poderosos, como a atividade científica, que ajuda a extrair luz do sofrimento humano. 
   Porém, muitas vezes, o ser humano também necessita de um "propósito para a vida", pois sem ele, o viver perderia totalmente seu valor... E é nessa lacuna, que o sentimento  religioso entra fornecendo o sensação de amparo tão desejada, uma vez que tenta promover a ilusão da não existência das limitações humanas, o consolo promovido pela idéia de "unidade com o Universo", que tenta constantemente afastar a sensação de perigo que o ego sente frente ao mundo externo...
   E assim, utilizando de todos esses recursos, o ego se defini e desenvolve, tornando a humanidade capaz de todas essas manifestações que observamos hoje, como a utilização de subterfúgios materiais crescentes, o consumo exagerado de drogas, o desenvolvimento tecnológico e científico ilimitado, e as novas e velhas formas de religiosidade que  massacram "em nome de Deus"...
   E assim, a humanidade caminha e a civilização progride... Contudo, o Mal-Estar permanece... 
Mª Valéria Macedo

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